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domingo, 28 de maio de 2023

VIAGEM AO CEARÁ E AS AVES REGISTRADAS!

 Entre os dias 15 a 20 deste mês de Maio, fizemos viagem até o Ceará. Saindo de Vitória às 10,05 hs., chegamos a Fortaleza às 13,45 hs.
















Nosso destino final foram as paradisíacas praias do município de Amontada. Icaraí de Amontada, também chamada carinhosamente de "Icaraizinho" e Moitas, alguns quilômetros adiante.

Uma imagem típica do Ceará: a Carnaúba, Copernicia prunifera, plameira muito linda, que forma extensos coqueirais.

Trata-se de espécie recentemente reconhecida como ameaçada.

É uma árvore de onde tudo se aproveita, desde as raízes até suas folhas. 

*imagem retirada da Internet: Blog do Edu Ambiental.






Não são praias selvagens, afinal, estamos em 2023! Porém, a limpeza e natureza desses lugares é fantástica!











A variação da altura das marés, entre o reponto da maré alta e a baixa, é praticamente o dobro das verificadas em Vitória, alcançando quase 3 metros!

Decorre disso, então, que na maré baixa, a praia fica com uma grande extensão de areia molhada, onde abundam os pequenos seres que são presas para as aves, como minhocas de praia, vermes, caranguejinhos, etc.

Nessa época do ano, os maçaricos e outras aves marinhas já voltaram ou estão quase chegando a seus destinos no hemisfério norte, principalmente as tundras do Canadá ou o polo norte. Em Vitória, situada mais de 2.000 Km. ao sul, no paralelo de 20 graus, essas aves já partiram há um certo tempo e, até mesmo o Maçarico pintado, Actitis macularius, que é o ultimo a ir embora, já embarcou nessa longa viagem de volta.

Então, foi com um certo encantamento, que localizamos quatro espécies de Maçaricos nessa excursão, na praia de Icaraizinho. Numerosas são as batuíras, principalmente a Batuíra de bando Charadrius semipalmatus e a Batuíra de coleira, Charadrius collaris. Finalizamos com uma rápida excursão ao Parque Estadual do Cocò, em Fortaleza, onde também observamos aves e fizemos fotos! 

Passemos então, a algumas fotos das espécies.

A praia é muito rica em peixes e vida marinha. Essa Carcará, ´Caracara plancus capturou um peixe. 







O Martim pescador grande, Megaceryle torquata também pegou o seu e passou voando na nossa frente pedindo uma foto!












A Batuiruçu de axila preta, Pluvialis squatarola é ave muito bonita e aqui no ES é algo raramente vista!

Vimos um bando de 8 indivíduos forrageando na Praia de Icaraí, o que nos alegrou bastante.

É uma ave calma, e permitia nossa aproximação até certo ponto. Esse individuo fotografado está em plumagem de descanso reprodutivo.





Ao voar, a ave deixa à vista  sua axila preta, que lhe dá o nome popular!

Observar também o substrato em que elas ficam forrageando, lugares úmidos e cheios de vida de animalejos!









Batuíra de coleira, Charadrius collaris.

A mais comum nas duas praias. Aqui no ES, registramos essa batuíra nas praias da foz do Rio Doce, em Linhares.











Batuíra de bando, Charadrius semipalmatus.

Comum aqui em Vitória e lá nas praias também, porém, perde em quantidade para a Batuíra de coleira.










Um bando de Maçaricos rasteirinhos, Calidris pusilla. Contei mais de 20 indivíduos! Esses maçaricos foram acolhidos por um bando grande das Batuíras de bando. Seu comportamento é bem conhecido: a sua locomoção quase sempre se move "rasteiro", sempre olhando para baixo, talvez daí venha seu apelido.


Em meio a esses bandos grandes de batuíras, olhando com calma, podemos localizar algum "acolhido" diferente!

Além dos maçaricos rasteirinhos, vimos também esse aí ao lado, um Maçarico branco, Calidris alba, também acolhido pelas batuíras. Esse, talvez seja um dos retardatários que perderam seu bando que certamente já deve estar chegando ao Canadá.







No meio dos bandos de Batuíras, encontramos os maçaricos, mas esse aqui foi uma surpresa.

Trata-se do Maçariquinho, Calidiris minutilla. 

Apenas um individuo acompanhava  as Batuíras de bando.









Apenas um individuo de Vira Pedras, Arenaria interprens, se encontrava nos bandos mistos que forrageavam nas areias da praia de Icaraí de Amontada.










Uma das cenas mais bonitas da excursão, essa Gaivota de cabeça cinza, Chroicocephalus cirrocephalus sobrevoou a praia e depois, pousou suavemente na areia para tentar se alimentar dos pequenos seres que vivem na vaza da maré.




Não apenas na praia, mas nas proximidades, nos coqueiros, avistamos dois belíssimos indivíduos de Encontro, Icterus pyrrhopterus. Conseguimos que um deles descesse próximo de nós e obtivemos essa foto:


Exímio cantor, o Encontro é um icterídeo, que, devido a seu canto melodioso, infelizmente é capturado para servir como "pássaro de gaiola".










O último dia de nossa estadia no Ceará foi passado em Fortaleza, onde visitamos o Parque Estadual do Cocó. Devido a muitas chuvas, infelizmente não foi possível visitar algumas das trilhas mais importantes do parque. 

Na ocasião, ficamos conhecendo o Pica-pauzinho da Caatinga, Picmumnus limae, bastante semelhante a nosso Picapauzinho barrado Picumnus cirratus.

O macho de Picapauzinho da caatinga.
No caso do cirratus, tanto a fêmea quanto o macho possuem a barriga e peito barrados.














Também vimos um bando de Carão, Aramos guarauna. Forrageavam calmamente no substrato encharcado da floresta.














O Belíssimo Pica pau Ocráceo, Celeus ochraceus, forrageava no alto das arvores.

Trata-se de espécie endêmica do Brasil, com vasta distribuição em vários estados.











E no final a excursão registramos o Beija flor de barriga branca, Chrysuronia leucogaster, na beira da mata, já nos limites urbanos.












Foi uma ótima viagem e excursão, mas ficamos com a ligeira impressão, que para se conhecer a avifauna do Ceará, torna-se obrigatório, excursões mais longas e explorando localidades mais para o interior. As serras do Araripe e do Baturité são importantes redutos da fauna local e isso, talvez venhamos a fazer em um futuro próximo.

Muito obrigado  às pessoas que nos honram com suas visitas e  o interesse por nossas aves!!










































quarta-feira, 10 de maio de 2023

Novos registros da Saracura do mangue em Vix!

 Um dos poucos locais em que temos localizado Aramides mangle, a Saracura do Mangue, é justamente no manguezal contiguo ao Campus da UFES- Universidade Federal do Esp. Santo. No ultimo mês, essa ave, normalmente muito arisca, tem aparecido com alguma frequência em certos locais da UFES.

Temos acompanhado seus hábitos, para, quem sabe, estudar seu comportamento quando na época de nidificação. Inclusive, vimos dois indivíduos algumas vezes.

Neste post publicamos mais algumas fotos dessa saracura.

Aramides mangle é muito parecida com a Saracura dos três potes, apresentando, porém, algumas diferenças, como p.ex., a garganta de cor canela. E a nuca de cor cinzenta. Também possui a base do bico de cor vermelha.











Apesar de citada como própria do manguezal, essa saracura já foi registrada mais para o interior do continente. Tanto nas matas humidas do litoral, como em outras formações vegetais e até mesmo em plantações de café.

Foi observado que ela, nas partes interioranas do continente, longe dos manguezais, tem sido bem registrada em cafezais (?). Não se sabe ainda, a razão dessa predileção.




Essa é uma das fotos dessa saracura que nos surpreendeu. Já tínhamos visto muitas fotos da ave caçando ou percorrendo o solo. Mas ainda não há tínhamos visto empoleirada, fato que ocorreu nesse dia, com a ave ficando pousada por minutos nesse galho a um metro do solo.







Agradecemos às pessoas que nos visitam!



 




segunda-feira, 24 de abril de 2023

O Maçarico branco, Calidris alba, na Ilha do Boi.

 Calidris alba, o Maçarico branco é uma ave migratória, da família Scolopacidae, visitante do hemisfério norte, viajante de longas distâncias, que podem variar entre 4.800 a 16.000 quilômetros! Segundo o Wiki Aves, costuma chegar na América do Sul em fins de agosto ou inicio de setembro e ficando até o começo de abril.

Nessa matéria, noticiamos a permanência de um grupo de 13 maçaricos brancos, por um período de vinte dias na Ilha do Boi aqui em Vitória. Pelos nossos dados, percebemos que ficaram forrageando na Ilha do Boi, pelo menos entre os dias 21 de março até o dia 10 de abril. Foi a maior colônia desses maçaricos registrada no Wiki Aves, se comparada com outros anos. Apenas duas fotos em 2022, nove fotos em 2021, oito em 2019. O período de visita, penso que coincidiu com outros anos, pois no outono, época em que os maçaricos estão se preparando para voltar ao hemisfério norte, a data de 11 de abril foi a mais avançada.

Apresentamos algumas fotos desse grupo de maçaricos, que, devido à proximidade, nos permite treinar e tentar aperfeiçoar nossas fotos.


Foto tirada no dia 26-3-2023, com a ave forrageando.

Na Ilha do Boi, os maçaricos se alimentam nas pedras úmidas onde se encontram muitos animalejos desses locais, como caranguejinhos, tatuís, e pequenos vermes.





Trata-se de um maçarico pequeno, 18 a 20 gramas, e o nome de maçarico branco advém de sua cor esbranquiçada.








Fotos do dia 10 de abril de 2023:

O Maçarico branco apresenta alguma semelhança com o maçarico rasteirinho, Calidris pusilla, mas este, é menor, 15 cm de comprimento, e importante: o Maçarico branco é o único do gênero Calidris a não possuir o dedo traseiro.

Fato esse que pode ser visualizado nessas fotos.








 

Grupo de três Calidris alba, voando de uma pedra a outra na Ilha do Boi.















Agradecemos às pessoas que nos visitam!



segunda-feira, 10 de abril de 2023

Fotografando aves com a lente Canon 75-300mm.

 

Dentro da linha de lentes telefoto da Canon, o modelo EF 75-300 F/4-5.6 III da Canon é conhecida nos sites e  comentários das redes sociais  como "a pior lente da Canon" ! Mas será essa lente tão ruim assim mesmo? Agora mesmo, em visita à loja oficial on-line da Canon no Brasil, esse modelo está à venda com o preço promocional de R$990,00, vendida em 9 pagamentos sem juros de R$110,00. Comparando esse preço em dólares, cotado hoje aqui no Brasil a R$5,06, preço do fechamento, temos que essa lente está sendo vendida a USD 195.65.

Por esse preço, essa lente fica acessível aos observadores e observadoras de aves, que, com poucos recursos, queiram fotografar as aves e postar suas fotos nas redes sociais. Adicionando a essa lente, uma câmera também mais popular, teríamos a Câmera Canon EOS T7, formando um combo com a lente da Canon 18-55mm e mais a 75-300 que estamos comentando. Por esse conjunto, no dia de hoje, o comprador ou compradora desembolsaria R$4.249,00 podendo pagar esse valor em até 10 prestações de R$424,90.

Caso, mesmo assim, nosso(a) novo(a) fotografo(a) de aves pensasse, ainda estar caro, poderia, então, adicionar a essa lente DSLR, uma câmera usada em ótimo estado de conservação, disponível em sites de usados como o Mercado Livre. Nesse caso, uma boa alternativa, seria  uma câmera usada como, por exemplo, a Canon EOS Rebel T2i. Trata-se de uma câmera já antiga, com uns 10 anos de mercado, mas, ainda hoje com boa performance mesmo se comparada com os modelos atuais. Por um preço médio entre R$1.100,00 a R$1.400,00, pode-se adquirir uma câmera com cerca de 20.000 cliques de uso, o que certamente garante ainda muito tempo de uso se manuseada e guardada com cuidado.

Nesse caso, nosso(a) amigo(a) gastaria cerca de R$ 2.400,00 para estar equipado para fotografar aves. Muitos, certamente, poderão pensar:  mas, essa lente, a 75-300mm, valeria a pena o investimento? com ela eu conseguiria fazer fotos boas? Foi pensando nisso, que com uma DSLR "cropada", a Canon 70D e a lente 75-300mm. dentro da mochila, sai a campo aqui em Vitória, para tirar umas fotos ilustrativas dessa mensagem, buscando responder a essa pergunta, na mesma linha de raciocínio que tive com o teste da câmera compacta da postagem anterior a esta.

Antes do teste, precisamos fazer algumas considerações sobre essa lente, antes de se exigir demasiado do equipamento. Nós sabemos que essa lente, é das chamadas de "lente da linha do consumidor", ou seja, é a lente telefoto mais acessível dentro do lineup da Canon. O que isso quer dizer? Que vc. vai receber a qualidade  que vai pagar!. Trata-se de uma lente que não tem estabilizador de imagens, o que, logo de inicio já te informa que vc. não poderá usar velocidades baixas do obturador, que certamente produziria imagens borradas. Se quisermos ou precisarmos desse uso, teríamos de portar um tripé para ajudar na estabilização. E se o tempo estiver nublado ou escuro, estaremos enfrentando uma dificuldade a mais para que a imagem não saia "tremida"! Outro ponto a informar: ao contrário de outras lentes telefoto da Canon, muito mais caras, esta não possui revestimentos de flúor, o que se traduz em possibilidades de imagens mais pobres. A principal vantagem dessa lente, fora evidentemente seu preço, é que ela é bastante compacta, pesando apenas 480 gramas em virtude da falta do estabilizador. E quanto fechada, com o zoom recolhido, mede apenas 12,5 cm de comprimento! O que significa que se acompanhada de uma DSLR também compacta, como as da série Rebel,  você poderá ir a campo com um conjunto pesando apenas 1 Quilo! Cabe perfeitamente em uma mochila pequena! Isso é uma maravilha para as pessoas que vão fotografar na natureza e precisam carregar equipamentos muito mais pesados e volumosos em percursos com obstáculos ou trilhas dentro da mata! E essa combinação, de preço e "compactude", certamente leva muitas pessoas a avaliar a possibilidade de seu uso!

Passemos então a ver algumas das fotos dessa experiência:


Individuo imaturo de Sabiá-da-praia, Mimus gilvus. Fotografado no final da praia de Camburi.

Achei que essa foto ficou boa, destacando duas condições:

1- Foi em uma manhã com boa claridade.

2- A distância da ave não era muito longa, uns 12 metros.




















Cardeal do nordeste, Paroaria dominicana, fotografado na mesma arvore das fotos anteriores,

Houve um pequeno "estouro" na claridade da foto, apesar da velocidade estar em 1/2000.













Ainda no mesmo local foi fotografado esse João de Barro, Furnarius rufus.

A nitidez aparentemente é boa, mas, apresenta pouca diferenciação quanto à plumagem da ave. Os detalhes finos das penas quase não aparecem!








No mesmo local vimos um bando de Bicos de lacre, Estrilda astrild, onde fotografei a ave forrageando nos capins.












A ultima foto no lugar foi essa Rolinha, Columbina talpacoti.

Gostei dessa foto, mas, trata-se de uma ave mansa, que estava a menos de 10 metros e se manteve imóvel.

Uma boa nitidez garantida pela boa iluminação do momento e pelo modelo que cooperou com o fotografo.






No dia seguinte, fiz caminhada até o Píer da estatua de Iemanjá, onde pude fotografar as espécies abaixo, ressaltando que nesse dia, a iluminação estava pior, sem o sol claro da véspera.


Um Vira pedras, Arenaria interpres, forrageando nas pedras marginais do píer da iemanjá. Nessas pedras, as aves ficam forrageando pequenos animais que habitam esses locais, como caranguejinhos, e outros.

Essa foto ficou boa, devido à distancia, menos de 10 metros e o contraste e exposição da ave.




Dois indivíduos, nos mesmos locais. E de novo, a possibilidade de se fazer uma boa foto.

Porém, longe daquela incrível nitidez de outros equipamentos.









A seguir, algumas fotos feitas em dia nublado, com iluminação natural mais baixa.


Essa foto do Socozinho, Butorides striata não ficou boa. A ave voando, apesar de não estar longe, talvez uns 12 metros de distância.
A diferença aí foi que ave não ficou parada, se movimentou, e, houve dificuldade de se acompanhar toda essa movimentação com a ave focada.






Nessa foto, da Garça branca pequena, Egretta  thula, podemos observar a perda de nitidez, que, nesse caso, atribuo à distancia em que se encontrava a ave. Notei que há uma distância de até uns 10-12 metros, as fotos ficam aceitáveis. Acima dessa distância, os ruídos aparecem.









A Garça branca grande, Ardea alba estava, também, nas proximidades. Apesar de não ter ficado nítida, a foto ficou menos ruim que a anterior.














Garça azul, Egretta caerulea, estava nas proximidades, uns 10 metros de distância.
As cores ficam quase boas, mas, de novo, a nitidez compromete.

Notamos que o "bouquet", as partes circundantes à foto, ficaram visiveis, mas sem se destacar.











A sequencia, a seguir, foram feitas em dia mais claro, com sol e mostra fotos do Trinta réis real, Thalasseus maximus, sobrevoando as proximidades do Píer de Iemanjá.

Essas fotos ficaram boas e o diferencial que notei para explicar esse dado foi que foram feitas em um dia de sol claro. Isto é, a câmera recebeu uma boa quantidade de luz e como tal, conseguiu-se reproduzir a imagem sem muitos ruídos.



















O Mergulho do Trinta reis real à procura de uma presa no mar.








Após essa experiência, qual minha opinião sobre o uso dessa lente, de "nível de consumidor"? Como podemos ver, algumas fotos ficaram boas, podendo muito bem serem aproveitadas por um observador de aves para publicação em redes sociais!  e esses casos, como o do Trinta Réis real, por ultimo, tiveram dois denominadores comuns: Primeiro de tudo, a claridade! Se o dia estiver ensolarado, é possível um bom uso dessa lente com velocidades a partir de 1/400. Velocidades menores, claro que poderão ser usadas, mas, nesse caso, aconselha-se o uso de tripé ou monope para ajudar na estabilização. Segundo: a distância! O Zoom dessa lente, se a distância for muito grande, não consegue entregar uma imagem sem muito ruido!

Lembrando da máxima, que recebemos a qualidade conforme o que pagamos, opinamos que essa lente, pode sim, ser bem aproveitada por fotografo(a)s  de aves! Com os cuidados necessários, pode-se conseguir boas fotos e, também, deve ser lembrado que as exigências desse equipamento, certamente poderão habilitar a (o) usuária(a) a se tornar mais conhecedor das técnicas de fotografia, portanto, mais hábil a produzir ótimas fotos!


Muito obrigado a todos que nos visitam!


terça-feira, 28 de março de 2023

O gracioso Maçarico pintado, Actitis macularius, em sete fotos!

 Nesse ultimo domingo, dia 26 de março, fomos até a Ilha do Boi, aqui em Vitória, a fim de fotografar aves. O lugar, já várias vezes citado aqui nessas páginas, é muito frequentado por aves marinhas, maçaricos migrantes e algumas residentes como os Pirupirus, Haematopus palliatus. A ilha é componente da ilha maior, de Vitória, que dá nome à cidade, e fica bem defronte ao canal da baia de Vitória, local onde trafegam grandes navios em direção ao Porto.

É uma ilha rochosa, granítica e o encontro dessas rochas com o mar, revestidas com algas, proporciona um bom habitat para muitas criaturas que vivem nesse ambiente como pequenos caranguejos, moluscos, etc. É nesse local que as aves vem forragear. Espécies como os citados Pirupirus, as batuíras de bando, Charadrius semipalmatus, os Vira pedras, Arenaria interpres, e os ,maçaricos migratórios, costumam parar dias e semanas fartando-se com a alimentação abundante.

Nosso objetivo, nesse dia, não era descobrir alguma ave nova, possibilidade sempre existente, mas, rever os amigos de bico e penas e conseguir fotos bonitas. E, creio que consegui com o sempre amistoso Maçarico-pintado, o Actitis macularius. Já comentei que, pelo que observo aqui na Ilha do Boi, esse maçarico é o migrante primeiro que chega e o ultimo a ir embora!

Fotografar aves pode parecer fácil mas não é. O comportamento imprevisível delas, impede o fotografo de ter um roteiro fixo para conseguir fotos muito bonitas. Nesse particular, contamos com a colaboração desse pequeno maçarico pintado. Só lembrando: segundo o Wiki Aves ele mede de 10 a 18 cm.

Esse nosso amiguinho, apesar de rápido e ágil, nos permite variar diversas configurações da câmera, sempre tentando fotos novas e comparando-as. Podemos variar abertura, velocidade, ISO, etc e o maçarico sempre indo e vindo nas pedras. E, proporcionando bons ângulos e cliques!

   Aqui, descansando despreocupado!











Procurando alimento no substrato sempre húmido das pedras.













A busca continua.

















As ondas espumantes são muito bonitas e nessa região das pedras é comum  muitos pequenos animais.












Continuando no trajeto.
















Aqui não foi possível escapar da onda.

Mas gostei da nitidez dessa foto!
















Depois de muito procurar, ele resolveu tentar a sorte do outro lado!

Essa foto ficou ruim, não consegui o foco necessário mas mesmo assim eu a coloco aqui mostrando o voo da ave sobrevoando as ondas que quebram na ilha.









Segundo o Wiki Aves, www.wikiaves.com.br/wiki/macarico-pintado  , 

"É uma ave migratória visitante do hemisfério norte, com reprodução no Ártico, iniciando os movimentos para o sul em junho (Hayman et al., 1986). No Brasil ocupa, sobretudo, os manguezais.  O maçarico-pintado migra durante o dia e à noite. Diferente da maioria das aves marinhas, ele migra sozinho ou em pequenos grupos"

As fotos feitas no Estado do Espirito Santo e postadas no WA, abrangem o período de fins de Setembro até o final de abril, que parece ser o tempo que esse gracioso maçarico fica entre nós.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!









terça-feira, 21 de março de 2023

Fotografando Aves com uma câmera compacta!

 Fotografar aves é uma atividade muito lúdica  e uma extensão da observação de aves! Muitos birders se contentam apenas com a observação, o que, por si só, realmente já nos diverte muito. E muitos também, se interessam em aprofundar seu hobby, complementando o binóculo com a câmera fotográfica.

De inicio, sentimos a diferença: somente com o binoculo, estamos à vontade, livres e com pouco peso em nossas excursões. E que excursões! Frequentemente subimos morros, fazemos longas caminhadas, entramos em lagoas, córregos, etc., e, claro, com apenas um binoculo tudo isso fica fácil. 

Quando começamos a iniciar também e concomitantemente, o hobby de também fotografar, somos confrontados com o cansaço e desconforto de carregar equipamentos pesados e passeando pelos mesmos lugares! E por essa razão, muitas vezes, somos tentados a comprar uma câmera compacta, leve e com muitas recursos para essa atividade. Afinal, a indústria tem entregue câmeras cada vez mais sofisticadas e compactas!

Então, de posse de uma compacta de ótima qualidade, apesar de já datada, é de 2012, mas até hoje uma das boas câmeras do mercado, saí de casa disposto a "tirar umas fotos de aves". Certamente já deve ter saído da linha atual da Panasonic, mas, como disse é uma câmera com ótimas características, mesmo até hoje em dia. A principal delas, é poder manter fixa a abertura de F2.8 em toda sua faixa de zoom, que vai de 25 até 600mm. Trata-se da Panasonic DMC-FZ200.

Essa  possibilidade, de manter a abertura em 2.8 mm até em 600mm é fantástica e atrai a curiosidade de muitos. Muitas vezes na fotografia de aves, precisamos dessas aberturas, para fotografar corujas ou aves dentro da mata fechada, onde a luz é escassa.

Para uma comparação do alcance do zoom da Panasonic, vejamos essa imagem ao lado, tirada com a distancia focal comum da câmera, ou seja, os 25mm.

Acima da ponte, podemos ver a figura do Convento da Penha, no município de Vila Velha.

Nessa foto, focando no mesmo assunto, o Convento da Penha, aqui visualizado acima da ponte, é possível ver o alcance desse zoom poderoso, de 600mm.

A qualidade da imagem, certamente não é 100%, tendo em vista esse zoom, mas, assim mesmo, mantem boa qualidade.

Ressalta bastante a grande diferença do foco, 25-600mm, mas, ai vem a pergunta: será possível com aves?


Esse pombo doméstico, Columba livia, estava na Ilha do Boi, a uma distancia pequena, uns 10 metros, mas, creio que a qualidade da foto ficou boa.








figura fácil tanto na Ilha do Boi quanto em nosso litoral, o Sabiá da praia, Mimus gilvus, também foi fotografado a uma pequena distância, cerca de 7 metros.







Faltava foto de aves voando, e esse Piru-piru, Haematopús palliatus, apareceu voando a uma distancia de mais de 30 metros e consegui essa foto aí como a "menos ruim"!.  Digo assim, porque nesse momento senti uma das fraquezas das compactas na comparação com as DSLR: o foco da câmera acompanhar uma ave voando.




 
Depois, visitei a praia de Camburi aqui em Vitória e me interessei por alguns arbustos onde um bando de Bicos de lacre, ou Bombeirinhos, Estrilda astrild, forrageavam nos capins.

A compacta vacilou um pouco para conseguir focar em meio aos capins e consegui essa foto ao lado.









No píer da Iemanjá, vimos essa Garça branca pequena, Egretta thula. Não  conseguimos um foco perfeito, apesar da ave não estar tão longe assim. Talvez devido à luz intensa e difusa no  momento.











Surpreendemos esse Maçarico pintado, Actitis macularius, forrageando em meio às algas e novamente o foco não foi amigável.









Finalizando o tour, vimos esse e  outros indivíduos de Vira- pedras, Arenaria interpress forrageando nas pedras ao lado do mar. Essa foto foi a melhor que conseguimos dessa ave nesse dia.








A experiência desse dia, sair para fotografar aves portando uma compacta e não a DSLR  Canon 5 D MIV, foi interessante, mais ressalto alguns tópicos que observei e faço anotações pessoais e subjetivas. Creio que um fotografo melhor, certamente conseguiria fotos também muito melhores.
As compactas podem sim ser uteis na fotografia de aves, mas, o fotografo não pode perder de vista que se trata de uma câmera com algumas limitações se comparada a um DSLR. a "compactitude" é bonita e muito prática e fácil de se carregar ou guardar, mas dificulta algumas ações como por exemplo:
1- Focar com o visor de uma compacta é uma atividade difícil se comparada a DSLR.
2- Quando a ave estiver voando prepare-se para um exercício de paciência até achar a ave no céu! Ou, quando achar, provavelmente essa ave já estará longe!
3- O balanço ou equilíbrio de branco é muito importante nessas câmeras, pois pode por a perder muitas fotos se não estiver bem ajustado para o momento.
4- Para fotos de aves, muitas vezes precisamos usar o zoom no seu ponto máximo, e aí, vamos gastar um certo tempo até encontrar a ave em seu pouso ou galho. Tarefa essa muito mais fácil com a DSLR.
5- Compactas costumam ser máquinas mais lentas para registrar a foto ou então para manuseio geral entre as telas, como, por exemplo, para alterar configurações das fotos no campo.

Como disse, estas são algumas observações pessoais e algumas pessoas adoram compactas inclusive para fotos de aves.

Muito obrigado pessoas que nos visitam!