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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

JAPUS

Japu é a designação comum às espécies de grande porte de aves passeriformes da família ICTERIDAE. No Brasil contam-se 06 (seis) espécies, a maioria vivendo na região amazônica. No nosso caso, estaremos nos referindo aqui neste artigo à espécie conhecida como Japu-preto, Fura-banana, Guaxe-de-rabo amarelo, ou simplesmente Japu conforme consta no Wiki Aves (www.wikiaves.com.br) a enciclopédia on-line de nossas aves!
Trata-se de um pássaro de grande porte, os machos alcançam 45 cm. de comprimento. O maior de todos os japus é o Japuaçu Psarocolius bifasciatus, da Amazônia, que chega a 50 cm. de comprimento! É também esse japu, Psarocolius decumanus, a espécie que possui a mais ampla distribuição no Brasil, ocorrendo em toda a região amazônica, centro oeste, leste e no sul até o Estado de Santa Catarina. Em alguns locais, sua população se tornou rara. Apesar de sua distribuição estender-se até Santa Catarina, não constam no Wiki Aves, registros para esse Estado. No Estado do Paraná, apenas cinco registros na mesma localidade no norte do Estado. A partir de São Paulo para o norte sua ocorrência é bem mais frequente, expandindo para o norte mas no Nordeste apenas dois Estados possuem registros, Piauí e Ceará.

Espécie gregária, quando se estabelece em colônia em alguma região, instala-se grande movimento, com as fêmeas a todo o momento chegando à arvore para construir os ninhos ou então para alimentar seus filhotes, enquanto os machos ficam por perto fazendo papel de sentinela. A qualquer sinal de perigo dão o alarme com uma vocalização curta e sonora. O Japu está em plena temporada de construção de ninhos e criação de filhotes. Hoje, no Rio da Prata, município de Santa Leopoldina, ficamos debaixo de uma pequena colônia, com uns 10 ninhos e pudemos fazer algumas todos dessa ave maravilhosa:

Foi numa árvore de Palmito Jerivá Syagrus romanzoffiana, que os Japus escolheram para pendurar seus ninhos.













Japus fazem três posturas por ano, com a fêmea pondo de 1 a 2 ovos. Iniciam a reprodução em agosto e vão até o mês de dezembro, não sendo raros posturas até o mês de janeiro. Chuvas pesadas são um importante fator limitante da época de nidificação.

A fêmea do Japu na porta do ninho.Já estavam com filhotes pois saiam a todo momento ´para buscar alimentos. 

Os machos ficam por perto fazendo o trabalho de sentinela da colônia.
 Encontro na copa de uma das árvores do lugar.

o Entra e sai do ninho.


















Psarocolius decumanus é a espécie de Japu menos dependente de florestas. Na região SE ela chegar a habitar até mesmo matas ralas e em cidades da Amazônia como Manaus, esse japu é uma ave urbana. Observamos que aqui ele prefere mesmo as matas de encostas baixas, mesmo que formadas por capoeirões, onde escolhe árvores de tronco reto e liso para dependurar seus ninhos. Muitas vezes, as colônias ficam muito grandes, às vezes com mais de 50 ninhos. Nas encostas próximas a Santa Teresa aqui no ES, já vimos colônias com mais de 35 ninhos, mas essa que presenciamos  hoje, era pequena e tinha  uns dez ninhos.
Fora a questão da preservação das matas, o Japu não corre perigo de extinção porque não é pássaro para ser colocado em gaiolas, e suas fontes de alimentação estão razoavelmente bem protegidas, já que trata-se de espécie onívora, que come de tudo o que encontra. Porém, diferentemente do Guaxe, o Japu não se aproxima muito das habitações, chega até as proximidades e esse comportamento da ave mostra que seu ponto de fuga é maior que o do Cacicus haemorrhous. O Guaxe chega a nidificar até mesmo em árvores na varanda das casas, talvez para se proteger de predadores florestais como cobras e macacos. A região de Sobreiro no município de Laranja da Terra não possui grandes remanescentes florestais, predominam capoeiras e capoeirões no topo dos morros e, ainda assim, frequentemente registramos japus perambulando pelo local.


Uma visão de parte dos ninhos, amarrados nas pínulas da palmeira Jerivá.











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