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sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Novo encontro com o Patinho de asa castanha.

 No  dia 8 de janeiro próximo, quando fizemos a ultima excursão às proximidades da Rebio Duas Bocas, tivemos também a oportunidade de chamar por  outra ave rara, nossa conhecida, habitante do lugar.

Trata-se do Patinho de asa castanha, ou Patinho gigante, o Platyrinchus leucoryphus. Assim como o Sabiá pimenta, Carpornis melanocephalus, esse patinho é nosso conhecido há muito tempo, desde 1987, quando acompanhamos o ornitólogo do COA/RJ, o Sr. Carlos Eduardo de Souza Carvalho, em uma visita à área de mata primária da reserva, na localidade de Alegre. Nessa ocasião, estava conosco também o Sr. Álvaro Ribeiro, saudoso fundador da Rebio Duas Bocas. Lembro-me que o Sr. Carlos Eduardo nos contou passagens das várias reuniões do COA do Rio de Janeiro que eram presenciadas por ninguém menos que o próprio Helmut Sick! Segundo Carlos, que era ou é medico,(perdemos seu contato!) o interesse do SICK nessas reuniões motivava-se porque queria espalhar os conhecimentos sobre nossa avifauna e incentivar os jovens a gostar de nossas aves, entendia que somente por meio do entusiasmo da juventude teríamos como preservar florestas e proteger nossas aves.

Na ocasião, não fotografávamos, e encontramos apenas um individuo do Patinho perdido na mata, o que demonstra que mesmo naquela época já era uma ave muito rara. Algumas espécies são, naturalmente raras e talvez a natureza desse Patinho seja essa: poucos indivíduos espalhados pela grande área da mata.


Platyrinchus leucoryphus fotografado em 08.1.2024 em área de mata secundária alta, nas proximidades da Rebio Duas Bocas, em Cariacica,ES.

Segundo a IUCN a ave é classificada como VU, vulnerável, o que significa que é ameaçada de extinção se seus últimos refúgios forem perturbados.

Em nossos registros dessa ave, ao ouvirmos seu chamado forte, de uma nota só é o momento de tentar aproxima-lo com algumas poucas chamadas do playback. Notamos porém que só se aproxima ao ouvir seu canto melodioso que algumas vezes é intercalado com as chamadas.

Sempre registramos apenas esse individuo, quase sempre nas proximidades de um córrego e nos mesmos locais. 

Sua distribuição alcança do ES (Em Cariacica e Santa Teresa), Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, sempre nas serras, a "cordilheira marítima do Brasil Oriental", mas, existe um registro de vocalização para Foz do Iguaçu no Paraná(?).





Registros do Patinho de asa castanha, segundo o Wiki Aves.: https://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_patinho-de-asa-castanha







OBRIGADO, pessoas amigas que nos visitam!!!


quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Um ninho, com filhote, de Spizaetus ornatus, o Gavião de Penacho.

 O Gavião de penacho, Spizaetus ornatus é um rapinante de grande porte. Trata-se de uma de nossas águias de penacho, com comprimento de 58 a 67 centímetros, com a fêmea pesando cerca de 1,5 kg. (Wiki Aves). É um predador de topo da cadeia alimentar, capturando uma grande variedade de presas, desde aves grandes como araras e macucos até mamíferos como gambás e quatis. É uma das espécies mais ameaçadas de extinção, e, com exceção das águias maiores como a Harpia e a Águia cinzenta, pode se afirmar que certamente o gavião de penacho está quase na mesma situação de risco. Em nossas experiencias de observador de aves, durante muitos anos, em apenas três ocasiões tivemos oportunidade de registrar essa ave.

A última delas, ontem dia 10 de janeiro de 2024, quando descobrimos o filhote quase escondido no grande ninho de gravetos em uma arvore emergente da mata em Santa Teresa neste estado do Espirito Santo.

A grande emergente onde Spizaetus ornatus escolheu para colocar seu ninho.

Calculamos a distancia de onde nos encontrávamos em cerca de 2 a 3.000 metros. 

Para fotografar, um verdadeiro trabalho de sniper fotográfico.




Um crop para poder se localizar no ninho, feito de gravetos, no terço médio superior direito da árvore.







Com algum esforço conseguimos visualizar o filhote dentro do ninho.



Nessa fase do crescimento, o filhote apresenta a      cabeça e pescoço de cor branca suja, já com o esboço de um topete, também branco.










Nessa foto já é possível visualizar seu tope branco amarelado e algumas listras horizontais escuras no peito.





























Finalmente o filhote do Spizaetus mudou de posição e conseguimos fazer essa foto, ainda sem qualidade devido à grande distancia.

Esse filhote provavelmente deverá voar do ninho nos próximos 30 dias, pois conseguimos vê-lo movimentando bastante as asas como se já estivesse treinando para o grande dia quando alçará voo de sua maternidade.

Spizaetus ornatus é um grande gavião florestal que é mais exigente ecologicamente que seus congêneres, Gavião pega-macaco e Gavião -Pato, outras duas grandes águias florestais de nossa região.

Necessita de grandes áreas de florestas altas para habitar, não costuma fazer incursões aéreas exibitivas como o Gavião Pega Macaco ou caçadas aéreas como o Gavião -Pato. Isso passa ao observador uma impressão de muita raridade desse Gavião de Penacho! Além disso, seus hábitos são muito discretos. No caso de ninhos como esse que avistamos, é difícil surpreender a ave no ninho cuidando do filhote, pelo menos no estagio em que vimos. Esse gavião, quando nidificando, percorre a floresta por baixo das copas, e somente sobe para levar alimento ao filhote quando encontra a ave certa onde está o ninho.

Destaque muito importante a ressaltar, é que, talvez seja um de nossos mais belos gaviões, com o adulto possuindo as laterais da cabeça e o pescoço de cor castanha avermelhada. Sua distribuição de ocorrência abrange desde o México até a Argentina. No Brasil, em todos os estados com exceção da caatinga e do extremo sul.

A plumagem varia durante o crescimento da ave.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Carpornis melanocephala: uma joia na Rebio Duas Bocas.

 Estivemos novamente na Rebio Duas Bocas, na vizinhança da reserva, percorrendo a estrada marginal.

Novamente fomos privilegiados com o avistamento de dois machos do Sabiá pimenta, o Carpornis melanocephala.

Antes vamos relembrar quem é essa figura! Trata-se de uma ave endêmica do Brasil e da Floresta Atlântica, ocorrendo desde o estado de Alagoas até o Paraná. É uma ave rara e ameaçada pois grande parte de seu território, a mata atlântica da baixada, foi derrubada. Esse Carpornis faz um contraponto com o outro , o Carpornis cucullata, o Corocochó que habita as serras e geralmente uma altitude mais elevada na floresta atlântica.

Nosso Sabiá pimenta, também recebe o apelido de Coxo nos estados nordestinos.


O Belíssimo exemplar, fotografado ontem dia 8 de janeiro de 2024 na estrada marginal à Rebio Duas Bocas em Cariacica.ES.

São componentes da família Cotingidae, os famosos Cotingas, sendo portanto, parentes das Arapongas e dos Anambés. Isso sem falar nos Pavós, Tesourinhas e outros! É uma família muito importante na sociedade empenada e além desses citados, tem muitos outros parentes importantes!


A mesma ave, dessa vez, pousando em uma imbaúba das proximidades.






Minha relação com essa ave nesse local, a Rebio Duas Bocas, é bem antiga, pois conheço a reserva desde 1986 e foi no ano de 1987 que eu a registrei pela primeira vez. Creio que esse fato é digno de importância, pois nós, enquanto observadores de aves, somos muito tocados pela ideia de extinção das espécies e então, desejamos muito que nossas aves sejam todas poupadas desse fenômeno da  extinção.

Pois bem, a Reserva em questão, é uma excelente refugio para nossas espécies florestais, mas, trata-se de uma reserva pequena. Sua área registrada e preservada é de 3.000 hectares, e no seu entorno, podemos concluir, pelas imagens do Google Earth, que temos outros 4.000 hectares contínuos à área da reserva, pertencentes a particulares. Resulta daí que no total são cerca de 7.000 hectares de matas protegidas.

Não conhecemos as exigências ecológicas da espécie quanto à área mínima para cada casal sobreviver, mas concluímos que, se pelo menos desde 1987 a espécie continua em Duas Bocas, é sinal de que se acha realmente protegida e, de fato, tem conseguido se manter nos mesmos locais que há registramos tantos anos atrás.


Recentemente, no mês de Dezembro p.p., durante o evento promovido pela Rebio com observadores de aves, foram registrados cinco indivíduos na mata primária da reserva.






Percorrendo a estrada marginal, já observamos que a distância entre dois indivíduos cantores, nessa estrada é algo em torno de 1,5 km.


Nesse mapa do Google Earth, pode ser verificada a expansão da área florestal ligada à Rebio Duas Bocas. A distancia norte -sul dessa imagem de florestas, alcança 9,9 Km. e a distancia leste -oeste alcança 7,8 Km. Temos então, uma área florestal de 77 Km2. Ou seja, a  área exclusivamente florestal alcança 7.700 hectares. Isso sem contar os inúmeros fragmentos pequenos que podem ser vistos na imagem. Nosso calculo abrange apenas a área continua de floresta. Porém, é obrigatório informar que, em nossas atividades nesses anos todos, nunca vimos esse Carpornis em área de capoeira ou capoeirão! Parece tratar-se de um pássaro exclusivo da mata alta. Essa exigência ecológica, dificulta ainda mais sua preservação em nossa mata atlântica!

Abaixo, reproduzimos o mapa da distribuição da espécie segundo o Wiki Aves:

fonte: WIKI AVES: www.wikiaves.com.br


A área mais ao norte representa a Estação Ecológica de Murici em Alagoas, onde a espécie também é registrada. Na grande área ao sul, são as regiões do leste de São Paulo e Norte do Paraná onde se concentra, talvez, a maior população remanescente de nosso Sabiá Pimenta. E nos pontos vermelhos do Esp. Santo, temos as populações de Duas Bocas mais ao sul e a área das reservas da Vale e Sooretama mais a norte. A Bahia também concentra uma boa população remanescente da espécies nas reservas do Estado.

Portanto, temos esperança de que essa magnifica cotinga, consiga escapar da extinção.

Muito obrigado, pessoas que nos visitam!!



RECEBENDO A VISITA DE UM VELHO CONHECIDO: O MAÇARICO DE ASA BRANCA

 O Maçarico de asa branca, Tringa semipalmata é nosso velho conhecido! Nossa amizade foi coroada por encontros nos anos de 2016, 2020 e 2022. Agora em novembro de 2023, tivemos a honra de hospeda-lo novamente na Ilha do Boi, quando o Tringa apareceu novamente, animado com a perspectiva dessa belíssima viagem que faz todo ano saindo do Canadá e indo até as proximidades da Antártida!

De fato uma viagem bem longa e, talvez por essa razão, nosso amigo costuma ficar muito tempo em nossa capital. Nessa ultima visita, agora em novembro de 2023, ele foi registrado entre os dias 17 a 27 de novembro.


Tringa melanoleuca é ave belíssima e de grande porte, alguns indivíduos chegam a medir mais de 40 cm. de comprimento e pesando até 375 gramas (Wiki aves).


Passando ao lado de um Piru-piru, Haematopus palliatus.









O Maçarico de asa branca caça os pequenos animais que ficam expostos na maré baixa: caranguejos, sirizinhos. etc.























Uma postura de descanso de Tringa melanoleuca: a ave parece gostar dessa posição.














Agradecemos às pessoas que nos visitam, para obter noticias sobre nossas aves.