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terça-feira, 31 de março de 2026

Conhecendo o Urutau de asa branca, Nyctibius leucopterus.

 Essa é uma ave que ha muito tempo sonhava conhecer!  Desde o dia 08.9.2016, em que gravei pela primeira vez seu canto (https://www.wikiaves.com.br/2270858) na Reserva florestal da Vale em Linhares, nunca mais estive perto dela! 

O fascínio por essa espécie é compreensível: afinal, é um mae- da- lua ou urutau, o que por si so já atrai nossa curiosidade!. Lembramos que o nome popular "urutau" vem da língua Tupi e significa "ave fantasma". Essa denominação de fantasma, advém das lendas que são ligadas aos cantos dessas aves. 
São, de fato, fantasmagóricos quando ouvidos à noite na floresta! Tanto o Urutau comum, N. griseus, quanto o urutau- gigante N .grandis ou o Urutau- pardo N.aethereus produzem cantos assustadores. 
Porém, tal não é o caso de nosso Urutau de asa Branca, objeto do presente relato. Sua voz é um assobio longo e melodioso que, muitas vezes, se confunde com os cantos das cigarras noturnas na mata.

Essa foto foi tirada às 18,13 hs do dia 18.03.2026 na Rebio Sooretama, em Sooretama-ES, Brasil.  Sem flash, ISO: 25.600. Canon R7.


O Pouco conhecimento que temos de seus hábitos, também contribui bastante para o fascínio, para o mistério!

Basta pensar que trata-se de uma das espécies "amazônicas" do norte do Espirito Santo e do Sul da Bahia. São espécies que "ligam" essas matas da baixada, as "matas de tabuleiro" com as matas da Amazônia, tal a similaridade de várias espécies com a Hileia. Citamos outros elementos amazônicos presentes nessas matas: o famosíssimo Cricrió, Lipaugus vociferans, citado por Sick como "A voz da Amazônia",  tem nessas matas do norte do Espirito Santo o limite sul de sua distribuição.  O Surucuá de coleira, Trogon collaris também possui a mesma distribuição. Outro elemento notável dessas matas: a Chorona- cinza  Laniocera hypopyrra, também amazônica!

Essa similaridade, alcança também o reino vegetal, com algumas arvores comuns e ou muito afins às da Amazônia. Citamos o caso da Joeirana vermelha, Parkia pendula, típica da Amazônia e encontrada também nessas matas do norte do Espirito Santo e norte da Bahia.


Essa ave enigmática possui distribuição também, como já citado, na Amazônia. Conforme podemos ver pelo mapa abaixo:


Fonte: Wiki Aves . https://www.wikiaves.com.br/wiki/urutau-de-asa-branca.

Originalmente N. leucopterus foi descrita por meio dos registros da Bahia e do Espirito Santo, sendo posteriormente descoberto também na Amazônia. Porém, os registros amazônicos, certamente darão origem a uma espécie diferente, conforme estudos já em andamento.

Então, pusemo-nos a refletir na dificuldade de se fazer os primeiros registros desse pequeno urutau ou "mãe- da- lua"! É o menor dos urutaus, com 28 cm. de comprimento. Suas capacidades de camuflagem são bem conhecidas e se escondem ,muito bem.
 E também, pensarmos que essas aves incríveis, habitantes exclusivos da mata, estão mesmo ameaçados de extinção! 

Então, foi muito reconfortante, constatarmos que podem coexistir mais de um desses urutaus em uma pequena área. Foi o que vimos quando iniciamos o play- back com o canto da ave e apareceram dois indivíduos!


Foto cedida por minha esposa Aninha Delboni, do momento em que apareceram dois individuos do urutau-de-asa-branca. Canon R10, ISO:25.600.

Da mesma forma que outras aves noturnas, o Urutau de asa branca alimenta-se de insetos noturnos, percevejos, besouros, mariposas, perseguindo-os em pleno voo. Sua nidificação é de apenas um ovo, alojado na ponta de um tronco. Seu período de nidificação e cuidados com o filhote é um dos mais longos em aves sul-americanas, alcançando 84 dias!

Agradecemos às pessoas que nos visitam: Muito obrigado!!



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