Translate

domingo, 29 de dezembro de 2024

O ARAPAÇU DE BICO BRANCO no manguezal!

 Arapaçus são aves da familia Dendrocolaptidae, restritos à região dos neotropicos. São aves de comportamento muito curioso, subindo pelos troncos das árvores à feição de pica-paus. Pessoas que não os conhecem, costumam frequentemente confundi-los com pica-paus. Mas não possuem parentesco com os picídeos.

Sua cauda, resultado de adaptação ao modo de vida arborícola, possui adaptação para subir pelos troncos das arvores, com a cauda rígida ou semirrígida, e possuindo as retrizes centrais, as raques em forma de ganchos para auxiliar ao ato de agarrar-se ao tronco da arvore sem cair. Essa propriedade lhe é de muita valia, pois costumam subir os troncos inspecionando galhos, ocos das arvores e buracos onde podem se esconder suas presas, besouros, pequenas aranhas, insetos, enfim todo animalejo que possa  capturar e consumir.


Dendroplex picus,  o Arapaçu de bico branco, inspecionando  tronco de arvore nas proximidades do manguezal da UFES- Universidade Federal do Esp. Santo.

O Arapaçu de bico branco é espécie comum, gosta de viver em matas baixas com proximidade de água, como é o caso do manguezal.  Possui uma vocalização melodiosa e que o atrai com facilidade quando reproduzida por gravador.


Nessa foto acima, é possível observar sua cauda rígida que possibilita à ave um apoio no tronco, à semelhança de praticantes do esporte "rapel".


Na espécie acima, Arapaçu de garganta amarela, Xiphorhynchus guttatus, feita na Reserva de Linhares em 2019, é possível ver claramente as "garras" das raques que se prendem ao tronco, possibilitando equilíbrio na escalada.

Arapaçus são aves geralmente insetívoras, podem acompanhar bandos mistos de aves que percorrem as florestas e também podem seguir as formigas de correição. Algumas espécies, como o Arapaçu liso, Dendrocincla turdina, nas épocas certas, são frequentemente encontrados junto às colunas das formigas de correições. 

Para o observador de aves, é importante ter o cuidado para a correta identificação das espécies. Conhecer quais as espécies são encontradas na área que estiver, suas exigências ecológicas. Como são aves de plumagem de cor muito parecida, geralmente cor canela, detalhes como o comprimento da ave, a cor e formato do bico, e, principalmente reconhecer sua voz, são muitíssimo importantes para a ID. No caso presente, o arapaçu de bico branco não é difícil ser reconhecido, devido a esse detalhe do bico branco.

Muito obrigado visitantes!! e Um Bom ano novo a todas e todos!!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Xenops rutilans, o Bico virado carijó!

 Dentre os passeriformes brasileiros, a família FURNARIIDAE, ou furnarideos, é uma das mais numerosas e importantes de nossa avifauna.

Nessa família convivem, por exemplo, o João de Barro, Furnarius rufus, uma ave campestre e muito conhecida de todos, com outras espécies, menos conhecidas como o Vira Folhas, Sclerurus scansor, habitante do interior da mata, que prefere a penumbra da floresta. Furnarideos habitam regiões campestres e florestais, e recentemente estão a invadir mesmo cidades e capitais.

Grande parte dos integrantes dessa família numerosa, são florestais e ao contrario de nosso João recém falado, somente conseguem viver dentro da mata! Alguns são mesmo raros e outros, encontram-se ameaçados de extinção devido justamente à derrubada da mata que tanto amam e dependem.


Entre esses florestais, mas não ameaçado, ainda, está nosso artista ai de cima, o Bico virado carijó. Bico virado devido a uma particularidade anatômica, que dá  a aparência de seu bico ser virado para cima. E carijó, devido sua plumagem, onde se ressalta seu peito estriado. Outro bico virado da mata atlântica no Sudeste,  é o Bico virado miúdo, Xenops minutus, que não possui o peito estriado. Como nosso Bico virado carijó tem o peito estrado, isto lhe dá uma aparência de "carijó" , o que justifica seu apelido.

São aves que vivem dentro das matas, mesmo as pequenas. Adoram participar dos famosos "bandos mistos", que congregam várias espécies de aves que perambulam pelas matas. Esse fenômeno é benéfico para as espécies, proporcionando-lhes segurança contra predadores.

Nosso Bico virado carijó, pode ser encontrado nesses bandos, onde procura alimentação inspecionando os troncos secos das arvores, onde assume várias posições. Ás vezes lembrando um pica-pau  outros vezes, um arapaçu! Vão atrás de insetos que vivem escondidos nos ocos e nos galhos.


Nessa foto acima, feita em 2017 no Parque Nacional do Caparaó, é possível observar a comentada particularidade do bico da ave voltado para cima.

O Bico virado carijó habita quase todo o Brasil, não sendo comum na Amazônia e na Caatinga, mas comum no leste do Brasil, na região da mata atlântica e também no cerrado. A ave tem em média 12 centímetros de comprimento e além do peito estriado que lhe dá o apelido, possui o manto e as costas de cor alaranjada, o que é comum a quase todos os furnarideos florestais.



 A distribuição do Bico virado Carijó, conf. os registros anotados no Wiki Aves: Mapa de registros da espécie bico-virado-carijó (Xenops rutilans) | Wiki Aves - A Enciclopédia das Aves do Brasil.

Os pontos em vermelho significam os locais onde a ave já foi registrada.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Garças nidificando dentro da zona urbana!

 Uma pequena colônia de Garças grande, Ardea alba e, também de algumas garças vaqueiras, Bubulcus ibis, estabeleceu-se nas arvores do mangue, bem de frente minha varanda, no bairro de Jardim da Penha em Vitória- ES. Primavera é uma época em que as aves estão nidificando e, havendo condições mínimas para executar essa tarefa, mesmo que dentro de um centro urbano, elas seguem a natureza. Apesar de ser uma ave predominantemente insetívora, Bubulcus ibis, a Garça vaqueira também se alimenta de moluscos, crustáceos, etc. Enquanto a Garça grande possui alimentação mais diversificada, já tendo sido fotografada capturando insetos, pequenos sapos e até pássaros. Mas seu alimento principal são peixes.

Não é possível chegar perto da colônia, devido a distância e outros obstáculos, e por essa razão, as fotos não ficaram boas, mas confirma-se realmente tratar-se da Ardea alba e algumas Bubulcus.


Alguns ninhos já estão com filhotes crescidos, que produzem bastante agitação quando as mães chegam trazendo alimento. 


Também pudemos observar que alguns ninhos estão com ovos, como esse ai, quando a ave procurando uma posição de descanso, nos permitiu a visualização. Postura de três ovos de cor azul claro com tons de verde;



As garças, principalmente a grande, Ardea alba, já foram muito perseguidas por causa de suas penas que eram usadas para confecção de chapéus e adornos. Passada essa moda, as populações se recuperaram e hoje, as duas espécies são cosmopolitas, habitando o mundo inteiro. Cessou a ameaça de extinção e a prova disso são essas aves se aproximando e construindo colônias de ninhos até dentro de cidades!

Muito  obrigado, pessoas que nos visitam!!!



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

LIMPA FOLHA OCRÁCEO: Uma ave bonita e interessante!

 

Anabacerthia lichtensteini

 

O Limpa folha Ocráceo é uma ave da família FURNARIIDAE. Essa é uma das maiores famílias de aves brasileiras, sendo algumas, muito famosas como o João de Barro. 

Pertence ao grupo dos furnarideos florestais, que ainda habitam nossas matas com certa frequência. Algumas aves, mesmo não sendo comuns, não podem ser classificadas como ameaçadas, porque sua densidade populacional, são, naturalmente raras ou pouco comuns.

O nosso convidado de hoje, o Anabacerthia não é ave comum, mas, mesmo assim, seu estado de conservação é considerado como Pouco preocupante pela IUCN.




Como faz parte dos já citados furnarideos florestais, fica claro que somente podemos encontra-lo no interior da floresta. Nesse grupo se encaixam outros colegas como o Limpa folha de testa baia, Dendroma rufa ou o Barranqueiro de olho branco, Automolus leucophthalmus.

 




 

Alimenta-se de insetos, que captura dentro da mata, muitas vezes fazendo parte de um bando misto. Esses bandos mistos podem conter várias espécies de aves que percorrem a floresta em busca de alimento. O Bando funciona como uma proteção para todos. O Limpa folha Ocráceo é muito parecido com o Limpa folha de testa baia, distinguindo-se por ser um pouco menor, 19 cm e o Ocráceo, cerca de 18 cm. e, principalmente pelo detalhe do píleo com cor cinzenta até a comissura do bico, enquanto que o de testa baia o cinza alcança apenas até a metade da testa. Trata-se de ave com comportamento fleumático, calmo, sua presença parece ser um indicio de mata em boas condições de preservação.

Em nossas excursões, sempre encontramos o Limpa folhas de testa baia, o Dendroma rufa. O Ocráceo, pelo menos aqui no ES, é mais difícil de ser registrado. Geralmente temos visto em regiões montanhosas, como esse registro de Santa Teresa.

O presente registro deu-se no interior da Reserva Biológica Augusto Ruschi, no município de Santa Teresa, há uma altitude de cerca de 700m. A ave acompanhava bando misto de aves onde pudemos distingui-lo graças à vocalização diferente do Limpa folhas de testa baia e também seu comportamento que é menos agitado. E confirmamos sua identificação ao examinarmos as primeiras fotos que fizemos, onde se constata o colorido cinza do  píleo da ave alcançando o bico. Coisa que no de Testa baia não ocorre, pois esse colorido apenas chega até o meio do píleo.

Esse grupo dos Furnarideos florestais é um dos mais interessantes de nossa avifauna. São passeriformes suboscines, isto é, pertencem à divisão dos passeriformes considerada como mais antiga e menos adaptável a mudanças em seu meio ambiente. Por essa razão, o numero de suboscines ameaçados é maior que entre os oscines. Os Oscines são mais adaptaveis, possuem um cerebro mais "plastico", são aves canoras e consideradas como mais recentes na escala de evolução dessa ordem passeriformes. Porém, a maior parte dos Furnarideos, não são aves florestais. Muitas são campestres como o citado João de Barro e outros, habitam tanto campos como a borda da mata, ambientes intermediários entre a mata e o campo. Se ocorrerem mudanças no ambiente provocadas pelo homem, como por exemplo, o desmatamento de uma área florestal, os suboscines que moravam nessa mata como é o nosso caso estudado agora, o Limpa folhas Ocraceo, estarão condenados à extinção pois não terão como se adaptar ao novo ambiente modificado após a derrubada da floresta. O mesmo pode ser dito de outras aves florestais que citamos aqui, o Barranqueiro de olho branco e o Limpas folhas de Testa baia, e muitos outros não citados, como, por exemplo, o Rabo amarelo Thripophaga macroura. Sabemos de uma mata, não longe da Rebio Augusto Ruschi, que encontrávamos esse furnarídeo florestal. Porém, essa mata vem sendo paulatinamente degradada e, infelizmente,  já não encontramos mais o rabo amarelo nesse local.


Limpa folhas ocráceo, forrageando na mata da Rebio Augusto Ruschi.


Agradecemos às pessoas que nos visitam: muito Obrigado!


terça-feira, 29 de outubro de 2024

NOVO REGISTRO DO TAPERUÇU VELHO.

 O Taperuçu velho, Cypseloides senex é uma ave da família  APODIDAE, não ameaçada de extinção, e que habita grande parte do Brasil e é encontrado também no Paraguai e Argentina. Trata-se de uma ave de tamanho médio, cerca de 18 cm. e que possui o curioso hábito de habitar regiões com matas, situando-se nas proximidades ou dentro de cachoeiras.

Vimos esse fato em nossa visita à cachoeira de Matilde no município de Alfredo Chaves e agora, mais recentemente, em Santa Leopoldina, em uma pequena cachoeira na proximidades da cachoeira de Chaves.



Foto tirada em 25.10.24: debaixo da cachoeira, agarrados à pedra molhada.


A cachoeira , menor, onde as aves se localizaram.


Detalhe de onde as aves ficam escondidas e agarradas à pedra.





Avistamos seis indivíduos nessa pequena cachoeira.



Esse Taperuçu, devido seus hábitos muito interessantes, é uma grande curiosidade para nós, observadores de aves.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

O JEQUITIBÁ ROSA em Vitória.

 Descobri com alegria, que uma das maiores, se não a maior, árvore da mata atlântica, o Jequitibá rosa, Cariniana legalis foi usado na arborização urbana de Jardim da Penha, bairro onde moro em Vitória, Espirito Santo, Brasil.

Nessa época do ano, a arvore, bem como o Jequitibá branco, solta suas sementes. Essas sementes ficam dentro de um cachimbinho lenhoso que essas arvores produzem.
E esses dias, percorrendo as avenidas Hugo Viola e Anísio Fernandes Coelho, notei que nos canteiros centrais dessas avenidas, algumas arvores estavam liberando suas sementes e foi então que reconheci essa árvore incrível. Imagino que devem ter sido plantadas por ocasião da fundação de Jardim da Penha, lá pelos idos da década de 1970. Então, essas arvores teriam uns 50 anos! Algumas já alcançam uns 12-13 metros de altura e outras, menores. Mas já exibem seu porte majestoso e na primavera, sua copa adquire um verde de folhas novas, muito bonito! Parabéns para nossa cidade!


Jequitibá na mata atlântica! Uma árvore muito monumental.


Na Avenida Hugo Viola: exibindo já seu porte que será majestoso.


Os pixídios lenhosos onde as sementes ficam armazenadas.


Na Avenida Anisio Fernandes Coelho.


Av. Anisio Fernandes Coelho.

A Lei 6146 do dia 08 de fevereiro de 2000 reconheceu o Jequitibá Rosa, Cariniana legalis., como a arvore símbolo do Estado do Espirito Santo.

ás amigas e amigos que nos visitam: Muito Obrigado!!

domingo, 20 de outubro de 2024

CONHECENDO O TAPERUÇU VELHO.

 

Cypseloides senex, o TAPERUÇU VELHO.

 

O Andorinhão ou Taperuçu velho tem esse apelido, certamente, devido seu aspecto parecendo envelhecido. Com a cabeça esbranquiçada, o que dá às pessoas uma imagem de idade. Trata-se de uma ave que apesar de não ser rara, é pouco conhecida devido seus hábitos. O Hábito de viver em paredões rochosos com cachoeiras, pousando atrás da cortina d'água desses paredões, dificulta a observação dessa ave, mesmo que possa ser numerosa. Talvez a espécie tenha evoluído para se proteger exatamente nesses lugares. Convenhamos que algum predador terá de dispender um bom esforço para conseguir predar esses taperuçus nesses locais.

Mesmo ficando empoleirados nesses locais, em alguns intervalos, observamos indivíduos que saem, discretamente, da cachoeira para excursões na mata ou em seus arredores. Certamente à procura de comida, que no caso dessa ave, trata-se de insetos alados, que são capturados nesses voos.




FOTO

A cachoeira de Matilde, no município de Alfredo Chaves este estado do Espirito Santo é uma cachoeira de grande porte, com uma queda de 70 metros de altura,.

Foto disponível em A Cachoeira de Matilde tem a Maior Queda Livre do Espírito Santo - Terra Capixaba

 

Mesmo atravessando uma época de seca, notamos uma boa quantidade de agua! Estivemos nesse mês de outubro na cachoeira e verificamos que o Taperuçu está nidificando. As aves empoleiram na pedra e encontram  pequenos refúgios ou saliências que lhes permitem instalar seus ninhos.


A ave empoleirada na pedra, atrás da cortina d'água da cachoeira. Ave insetívora, o Taperuçu costuma habitar essas regiões, algumas vezes em bandos muito numerosos. Observamos também as viagens de alguns integrantes do bando, saindo em voo baixo da cachoeira dirigindo-se para os arredores da mata.

Observamos também, como pode ser visto abaixo, que algumas dessas aves estão nidificando.



Algumas aves ocupavam espaço aconchegado na pedra. Supomos que nesse caso, estão nidificando. De qualquer modo, é de se admirar com a situação um pouco precária que essas aves escolhem para nidificar. Com a presença constante da humidade a atrapalhar a atividade.

O Taperuçu velho não é raro. ocorre na maioria dos estados e no Espirito Santo, já foi registrado em 9 municípios.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!!

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

AS BELISSIMAS MATAS DE CAMPOS DO JORDÃO!

 

Campos do Jordão é a cidade mais alta do Brasil, situada a 1.628 m. de altitude e seu clima e vegetação são do tipo temperado. Estivemos lá entre os dias 02 a 06 de outubro pp. Durante as noites as temperaturas ficaram entre os 9 e 11 graus e durante os dias, houve máxima de 17 graus e, no final, dia 5 de outubro, a máxima chegou a 26 graus, o que nos disseram não ser muito comum na cidade. 

A vegetação do município é uma das mais bonitas do Brasil. Trata-se de um dos locais onde as matas de araucárias continuam presentes com toda sua pujança. Como situa-se na Serra da Mantiqueira, as araucárias dominam amplamente a paisagem natural. O Parque Estadual de Campos do Jordão é um dos locais onde essas matas ainda estão bem preservadas. Sempre tive uma grande admiração pela beleza dessas matas e também, já li e pesquisei sobre elas.

 Nessas leituras, uma das surpresas, foi descobrir que a Araucária, Araucária angustifólia, não é a única conífera brasileira. Sim, um dos elementos presentes nas matas nativas da araucária, e que quase sempre aparecem nas sombras,  delas, e de outras arvores, é outra conífera! Conhecida como Pinheiro bravo ou Pinheirinho, trata-se de Podocarpus lambertti. Essa conífera, segundo Harri Lorenzi, em sua obra Arvores Brasileiras, "Ocorre nos Estados de Minas Gerais, Espirito Santo, Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul, na floresta de altitude e mata de pinhais, é particularmente frequente no Planalto Catarinense".


Mesmo não tendo a exuberância da Araucária, o Podocarpos impressiona bem por sua presença.


As folhas aciculadas da árvore facilitam seu reconhecimento.


A Beleza da mata, notar que as araucárias dominam o dossel.




Essas florestas belíssimas estão ameaçadas! Essa ameaça vem de muitos lugares, mas a maior, pelo que pude perceber das leituras e conversa com biólogos na região, é que a reprodução da Araucária é um pouco complicada. Isso faz com que a arvore perca terreno para outras espécies mais adaptáveis e possuidoras de rápido crescimento. Somente a conscientização das pessoas poderá impedir um destino difícil para essa árvore magnifica, única na paisagem brasileira.

Distribuição de Araucária angustifolia, segundo a Wikipedia: Araucária – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)


A distribuição historica da espécie alcançava 200.000 Km2.; estando muito reduzida!

Segundo a Wikipédia:

"A araucária ocorre como a espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista da América do Sul, entre as latitudes de 18º e 30º sul. Desenvolve-se, de acordo com Angeli (embora outros autores ofereçam dados ligeiramente diferentes), em altitudes de 800 a 1 800 m no norte de sua distribuição, e entre 500 e 1 200 m na parte sul, em regiões de precipitação anual uniforme entre 1 250 e 2 200 mm, e de temperaturas médias anuais de 10 a 18 °C (mas tolera bem temperaturas de até -5 °C). Prefere solos profundos, férteis e bem drenados. Também é encontrada em bosques isolados em áreas de campo. A maior parte de sua área de ocorrência está dentro do Brasil, das serras do Rio Grande do Sul ao Paraná, com outros pontos até Minas Gerais e pequenos trechos na Argentina e Paraguai.[2][14][20][21] Existem ocorrências até as proximidades do Rio Doce em Minas Gerais e no Rio de Janeiro em áreas de altitude elevada. Augusto Ruschi relatou a presença da espécie no ano de 1939 em um bosque relicto na Serra do Caparaó no Espírito Santo, acima de 1700 m de altitude, com cerca de 300 indivíduos adultos.[22] Foi introduzida artificialmente, entre outros lugares, no sul da Bahia, na África do Sul, na Austrália, no Quênia, em MadagascarPortugal e no Zimbábue, com comportamento variável.[2

Vimos araucárias nativas também no Parque Nacional do Itatiaia:







Além de sua beleza e fitofisionomia, essa floresta é habitada por muitos animais interessantes componentes de nossa fauna.

Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas!!



domingo, 13 de outubro de 2024

CONHECENDO O BACURAU TESOURÃO.

O BACURAU TESOURÃO.

 

Ele já era meu conhecido há tempos. Mas, tem muitos anos que não o encontrava! Por minha culpa, por não ir procura-lo onde mora. Mas, dessa vez, visitando a belíssima Campos do Jordão em São Paulo, tivemos a oportunidade de encontra-lo. Já o tinha visto em 1988 no Parque Estadual de Pedra Azul no Espirito Santo e, também no Parque Nacional do Caparaó, divisa de MG/ES, sempre em altitudes em torno de 1.500 metros. Campos é a cidade mais alta do Brasil, situada a 1.628 m. de altitude e seu clima e vegetação são do tipo temperado, predominando as belíssimas matas com araucárias. 


O Bacurau

Hydropsalis forcipata é uma ave da família  dos bacuraus e curiangos, os Caprimulgidae. São aves beneficiadas pela abundancia de insetos noturnos existentes em nossos campos e matas. O Bacurau tesoura já foi chamado de Bacurau Tesoura gigante. Isso devido seu tamanho e o comprimento de sua cauda. O macho mede cerca de 76 cm. Sendo que somente a cauda, mede 55 cm. desse comprimento. Um espetáculo proporcionado por esse bacurau é quando conseguimos vê-lo pousado com as retrizes alongadas pendentes! Também quando voa, produz outro espetáculo admirável, com as retrizes alongadas chamam muito a atenção devido seu tamanho!


Individuo macho do Bacurau Tesoura, que vimos ao entardecer, por volta das 18 hs. em estrada de terra, próxima aos campos de altitude no município de Campos do Jordão. Notar o comprimento das retrizes.

 

O Bacurau tesourão ainda não é enquadrado em categorias de ameaça pela IUCN, porém, como habita uma área restrita, de áreas montanhosas no sul e sudeste do Brasil, o desmatamento dessas áreas, principalmente os campos de altitude e as matas próximas, pode vir a ficar realmente ameaçado.


Esse bacurau, pelo que observamos, também aprecia pousar nas estradas no crepúsculo, a exemplo de outros bacuraus. É ave noturna, mas, principalmente crepuscular quando pode ser visto. É exclusivamente insetívoro, e a fêmea deposita dois ovos por ocasião da nidificação. A espécie não constrói ninho. Os ovos são depositados em local bem camuflado, sobre a terra, mas acolchoado com palhas de arbustos secos. O casal se reveza na tarefa de chocar os ovos.

Ao voar na estrada, a ave produz certo sussurro sonoro talvez devido suas longas retrizes. Costuma sempre voltar depois desses voos. E sua voz é um "cricri"  semelhante à vocalização de grilos. A fêmea é menor e não possui as retrizes alongadas.

Essa é uma ave muito interessante para o observador de aves, fotografar e estudar seus movimentos. 


Muito obrigado, pessoas amigas que nos visitam!

 


terça-feira, 24 de setembro de 2024

NOVO ENCONTRO COM ARAPONGAS!

 

Procnias  nudicollis.

 

Considero essa ave tão especial, que todo registro que conseguir fazer, vou postar no site Wiki Aves, mesmo que sejam repetitivos! Trata-se da ave a que SICK, em seu livro Ornitologia brasileira, de 1985,  chama de “A voz da mata atlântica”. E realmente, a araponga é uma ave muito representativa do ambiente em que se abriga. Sendo um pássaro exclusivamente da floresta, a presença da araponga é um atestado de boa conduta referente à floresta em que vive.

Diversos autores já se pronunciaram a respeito da importância e da significância da araponga para a mata atlântica. Dentre esses relatos, uma dos mais belos é o de Eurico Santos, datado de 1939, referimo-nos ao livro Pássaros do Brasil, componente de sua coleção de titulo Zoologia Brasílica. Diz Eurico Santos: “Para entender aquela musica ( o canto da araponga!), é preciso perlustrar as longas estradas cheias de sol do nosso sertão. É naquele cenário de mágica, sob o sol ardente, quando sentimos quase a crepitação da terra em fogo, que o Ferreiro está em plena atividade. Pousado no cimo de árvore gigantesca, sentindo o suave calor da vasta oficina, dá ele à lima, enlevado no labor do trabalho. Malha e remalha, enchendo de ressonâncias as amplidões. ”  Ferreiro, é outro dos nomes populares que a Araponga é conhecida. Devido, claro, ao fortíssimo som de sua vocalização, que se assemelha muito a uma batida do ferro na bigorna, durante o oficio dos ferreiros.

Apesar de já ser considerada como ameaçada, a araponga ainda é bem encontrada em nossas matas remanescentes de bom  tamanho, principalmente na região serrana, onde temos visto todos os anos, somente na época de nidificação.

Fomos na sexta feira dia 20 de setembro, à cidade de Santa Leopoldina neste estado do Espirito Santo. Foi uma excursão com minha esposa e os amigos Elzeni e Evandro Limonge. Uma “passarinhada” como gostamos de falar. Essa passarinhada divertida, tinha, claro, a intenção de observar e fotografar aves da mata e, após, almoçar um apetitoso almoço da pousada próxima. A localidade escolhida foi o distrito de Chaves, onde se encontra a cachoeira do véu de noiva,  E  foi um pouco arriscada, pois o tempo nublado e úmido fazia prever uma chuva, como de fato ocorreu!. Até isso fomos beneficiados pois o tempo tem estado seco há bastante tempo. Nesse encontro que estou relatando, subimos um dos morros do lugar e lá ouvimos algumas vocalizando como se estivessem em um concurso de gritos! Subimos uma estradinha rural bem íngreme e chegamos debaixo da árvore onde uma das arapongas  estava cantando!



















Pelo timbre de sua voz, percebi tratar-se de um jovem já quase adulto. Talvez estivesse já no segundo ano de vida.

Somente com o binóculo consegui visualizar a ave no alto da copa. E começou a chover e o pássaro mudou de galho, foi para a parte mais alta como se quisesse se molhar, curtir a chuva e logo ficou com a plumagem arrepiada na tentativa de diminuir a umidade das penas.


Araponga se secando!

Não produziu fotos bonitas, mas o simples contato com essa ave emblemática da mata atlântica já vale qualquer sacrifício na tentativa de fotografa-la. E mais ainda, a sensação, ainda que rápida, de que nossas aves vão conseguir escapar da extinção e destruição das matas.

A localidade de Chaves fica no município de Santa Leopoldina e tem esse nome há bastante tempo., Além da cachoeira, cujo nome nos registros do município aparece como Cachoeira de Chaves, temos também uma belíssima igrejinha católica conhecida no local como Igrejinha de Chaves. Nos idos de 1940-50, Chaves  foi muito visitada pelos pesquisadores do Museu Paulista, hoje MZUSP, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Na ocasião, os coletores do Museu, principalmente OLALLA, fez várias coletas de aves no lugar. Esses exemplares, foram referenciados no antigo livro de Olivério Mario de Oliveira Pinto, o  Catalogo das Aves do Brasil. Nessa magnifica obra, creio de 1944, temos vários espécimes mencionados como coletados em Chaves.


Estradinha rural, próximo ao local onde fotografamos a araponga. Observar as encostas florestadas e um plantio de eucalipto à esquerda. No céu, muitas nuvens, prenunciando a chuva, que felizmente, veio.



Encosta próxima ao local das fotos. Notar a vegetação com grande numero das imbaúbas brancas, Cecropia hololeuca, que, inclusive, é uma das árvores que produz muitas frutas nativas que são alimentos da Araponga.

Podemos observar, pelo mapa abaixo, que a Araponga, Procnias nudicollis, continua bem registrada na parte oriental do país, a Mata Atlântica.



Os pontos vermelhos são os locais de registros da araponga, Procnias nudicollis.

O Mapa de registros já efetuados e constantes na plataforma WIKI AVES: Mapa de registros da espécie araponga (Procnias nudicollis) | Wiki Aves - A Enciclopédia das Aves do Brasil



Valeu arapongas!  É esse o relato que tínhamos a fazer! 

Muito obrigado, pessoas amigas que nos visitam!


sábado, 7 de setembro de 2024

Encontro com uma ave desconfiada: a Borralhara!

 

ENCONTRO COM A BORRALHARA, Mackenziaena severa.

A Borralhara é uma ave da família Thamnophilidae e é citada no livro de SICK, Ornitologia brasileira, de 1985, como um “dos formicarideos mais notáveis do sudeste do Brasil”. De fato, quem presencia o aparecimento dessa ave dentro da mata e sua movimentação, não deixa de admira-la por suas peculiaridades.

Primeiro, pelo tamanho, cerca de 23 cm. O que a quase iguala a um Sabiá laranjeira, Turdus rufiventris! E também por outros predicados, como a capacidade de responder à imitação de seu canto por meio de gravador. Também seu comportamento  é notável! Devido seu tamanho e ao fato de ser ave das brenhas baixas, quase rasteiras, o voo da Borralhara é pesado, e também, não muito longo.

Seu habitat é a mata atlântica, seja em matas ou capoeiras. Esconde-se nas ramagens e brenhas densas, mas seu trai  pelo colorido e sendo uma ave de bom porte, acaba por ser localizada.

Como todos os “papa-formigas”, a Borralhara é uma ave insetívora, alimentando-se de insetos, larvas e pequenos invertebrados que captura nas folhas, galhos e também no solo.

A Borralhara é adaptável. Pode ser registrada até mesmo em plantações de eucaliptos com sub- boque desenvolvido com vegetação nativa. Nosso primeiro registro dessa ave deu-se no ano de 2013. Na ocasião, foi difícil conseguir o registro. Tivemos de nos camuflar com folhas de arbustos para a ave se aproximar e conseguirmos fazer as fotos.


Mackenziaena severa fotografada na localidade de Soído, Domingos Martins, ES. dia 05-9-24.

A degradação das matas, acaba por prejudicar muito a Borralhara, pois depende muito dos arbustos ou brenhas das matas para morar. Se o sub bosque é suprimido, fica sem onde forragear e se esconder. Observamos que pode existir em capoeiras desde que tenha um sub bosque denso, permitindo-lhe se refugiar.


A foto do primeiro registro que fiz dessa ave, em Agosto de 2013 na Serra do Limoeiro em Itarana. ES.










A Borralhara habita a região da mata atlântica, no Brasil, Paraguai e Argentina. No Brasil, começa a aparecer na Bahia, em regiões de altitude como em Boa Nova, e vai até o Rio Grande do Sul. No Espirito Santo é uma das aves que somente são registradas nas montanhas acima dos 500 m. A partir do sul do  Rio de Janeiro já existem registros ao nível do mar.

Distribuição dos registros da Borralhara no Wiki Aves, segundo o mapa da espécie: http://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_borralhara


Portanto, a Borralhara é uma de nossas aves notáveis da Mata Atlântica como disse nosso saudoso Helmut Sick!











Agradecemos as pessoas que nos visitam: Obrigado!