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quarta-feira, 3 de julho de 2019

ALGUMAS AVES DA TRILHA DOS TUCANOS


A Trilha dos Tucanos é uma propriedade particular situada no município de Tapiraí, SP., destinada a birders do mundo todo, e, que a cada dia atrai mais interessados em suas aves. Em algumas oportunidades já fizemos referencia a esse lugar aqui neste blog. Inclusive, já estivemos no local várias vezes, mas desta vez, ficamos pernoitados para observação mais acurada das aves do lugar.

Aqui nossa colega e amiga Celi Aurora, posa junto ao Portal da Trilha.
O local é muito visitado por brasileiros e também gringos de diversos países e até do oriente!










                                                                                                                                                                                                                                                                             
                                                                                                       

Toda a região é ocupada  por densa cobertura florestal da Mata Atlântica.


Nessa imagem, copiada do Google Earth, é possível ver parte do tamanho dos remanescentes da Mata Atlântica no litoral de São Paulo e Paraná.Toda a parte em verde escuro é a mata. Da cidade de São Pulo até Curitiba, em linha reta do Google, temos 292 km de extensão dos remanescentes, e a largura em média, supera 80 Km.!!







Dessa forma, em termos de remanescentes florestais, a região é muito florestada e por essa razão, alguns elementos típicos da mata continuem vivendo nessas regiões. Há relatos de avistamentos nas proximidades, de Jaguar Panthera onca e Antas Tapirus terrestris habitando esses locais, fato perfeitamente natural tendo em vista a quantidade de matas.

Postaremos agora, fotos de Algumas das aves observadas por nós, já que a avifauna do lugar contempla algo superior a 400 espécies.


A abundância de aves nos comedouros pode ser exemplificada com essa foto, de minha esposa, Aninha. As saíras de sete cores Tangara seledon chegavam a pousar nas mãos e chapéu para receber alimento (banana madura)


















A Saíra-militar, Tangara cyanocephala é comum na região.















O Arapaçu-grande Dendrocolaptes platyrostris é um de nossos mais vistosos arapaçus. Somente em regiões de mata alta.

A Catirumbava Orthogonys chloricterus é muito comum na região e é uma das aves abundantes que nos comedouros pousam nas mãos dos visitantes!











O Sanhaçu-de-encontro-Azul, Tangara cyanoptera é mais um frugívoro que ocorre nessas matas. Porém, está listado na relação da IUCN, na categoria NT, ou quase ameaçada, o que é lamentável.









E agora, alguns dos grandes frugívoros das copas que vimos na Trilha:

 Ele é espetacular! O Maior Cotinga da região SUL-SE do Brasil!O macho mede 46 cm. e a fêmea 39 cm. O Pavó, Pyroderus scutatus, não é listado na relação da IUCN em nenhum grau de ameaça!!! O que é perigoso, pois sabemos da raridade dessa espécie e o fato de já ter sido muito caçada!

No site Wiki Aves, www.wikiaves.com.br, se observarmos a lista do Estado do Espirito Santo, temos, nesta data, apenas dois registros do Pavó!!.
O comportamento do Pavó na fruteira silvestre foi muito curioso. A árvore que estava frutificando e atraindo as aves não era essa imbaúba, mas um pé de Araçá grande, cheio de frutinhos avidamente disputados por muitas aves. O Pavó ficava comendo nesse Araçá e de papo cheio ( como nas fotos) voltava para a Imbaúba para descansar e deglutir as frutas. Depois voltava para a Araçá e tornava a encher o papo, retornando depois para a Imbaúba!! Foi nosso maior troféu dessa excursão.



O Tucano-de-bico verde, Ramphastos dicolorus é o tucano das regiões altas e serranas. No lugar também aparece o Tucano de bico preto, Ramphastos vitellinus, mas é mais raro aqui na serra. Mais comum na baixada.

Tucanos são comuns na Mata Atlântica e ainda não estão ameaçados! No lugar tem também o Araçari-banana, Pteroglossus bailloni que foi visto até no comedouro da pousada,















Outro Frugívoro maravilhoso, o Tiêtinga, Cissops leverianus.













Nem só de Frugívoros vivem a avifauna do lugar. Vimos também os predadores alados da Mata, em plena atividade nas manhãs de temperatura em elevação:


O Gavião pega-macaco, Spizaetus tyrannus sobrevoava a região aproveitando-se das correntes térmicas para caçar.
Esse grande gavião, é um de nossos caçadores águia mais frequentes. Não está na lista da IUCN como ameaçado.








O Gavião-pato, Spizaeus melanoleucus, também é um grande predador e embora seja menos frequente que o Pega-macaco, também é sempre registrado em nossas excursões. É um grande caçador, com a fêmea sendo bem maior que o macho. Para se ter uma ideia, a fêmea é quase 50% maior que o macho. Esse pode ser considerado um indicador da agressividade da espécie.


Finalmente, registramos uma espécie do interior da mata que desde há algum tempo estamos tentando e somente agora conseguimos!  Porém, a foto ficou ruim, mas postamos assim mesmo para registro:



A Juruva,Baryphthengus  ruficapillus, é uma ave grande (42 cm.) do interior penumbroso da floresta. Chama atenção por sua voz melodiosa dentro da floresta. Teremos de voltar ao local para conseguirmos fotos melhores!







Finalizamos com esse macho do  Beija-Flor-Rubi, Heliodoxa rubricauda.













Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas!!












segunda-feira, 10 de junho de 2019

PERSONAGEM DO DIA: O BACURAUZINHO DA CAATINGA.


A  Caatinga é a denominação usual que se dá à vegetação semi-árida do Nordeste do Brasil. Foi lá, que foi registrada pela primeira vez, em 1825 por Vigors, a espécie que viria a ser conhecida  como  o "Bacurauzinho da caatinga". Nyctidromus hirundinaceus, de fato, aprecia os campos de vegetação baixa, com solo pedregoso e seco. A palavra Caatinga, é oriunda da língua indígena Tupi e significa "mata branca", ou seja, uma mata rala.

Posteriormente foi descoberto que esse Bacurauzinho não é exclusivo da Caatinga, existindo até mais ao sul, em regiões já sob o domínio de clima mais úmido como na Mata Atlântica. Mas, manteve-se fiel aos locais onde gosta de ficar e se sente bem: locais secos, e pedregosos sob rochas, muitas vezes ao lado de vegetação de cactos, aliás, como é comum na caatinga. Nesses locais, no chão, sua camuflagem fica quase perfeita. O caminhante distraído corre o risco de atropelar uma dessas avezinhas. Antes mesmo do anoitecer essa ave já começa suas atividades, voando erraticamente de um lado a outro.

No dia de ontem, domingo 9 de junho, o COA/ES Clube de Observadores de Aves do Estado do Espirito Santo organizou um lindo evento de confraternização entre seus membros e tivemos a oportunidade de encontrar esse bacurau mais uma vez. Já o tínhamos registrado na Serra dos Três Pontões, município de Afonso Cláudio neste Estado. O Bacurauzinho foi mesmo, O Personagem do dia, para muitos birders novatos que não o conheciam!


Os registros do município de Afonso Cláudio neste estado do Esp. Santo, provavelmente são os registros mais austrais da espécie, até o momento. Nessa foto, ao lado, observar que, aparentemente a ave mudou a cor de sua plumagem. estando aqui mais escura que as fotos abaixo!


















Ao se espantar o Bacurauzinho sempre voa para próximo e termina por voltar ao local de origem.













 A camuflagem desse hirundinaceus dificulta muito o caminhante conseguir vê-lo. O curioso é que sob o substrato mais escuro, sua plumagem também fica mais escura e sob o substrato mais claro como nesses fotos, adquire essa coloração mais clara!

Aparentemente, apesar de habitar locais restritos conforme suas preferências, esse Bacurauzinho não está ameaçado de extinção! Ontem pudemos ver nessas rochas, uns três indivíduos e isso antes do meio dia!












Segundo o Wiki Aves ( http://www.wikiaves.com.br/wiki/bacurauzinho-da-caatinga) , um dado interessante sobre a alimentação desse bacurauzinho, é que ele voa com a boca aberta, assim, capturando grande quantidade de insetos sem muito esforço!.




Sua plumagem é muito bonita, com as típicas manchas brancas nas asas, visíveis quando voa.











MUITO OBRIGADO AMIGAS E AMIGOS VISITANTES!





sábado, 8 de junho de 2019

PASSARINHADA NO RIO DOCE.



PASSARINHADA NO RIO DOCE, ES, BRASIL.

Pyrrhura cruentata, a Tiriba-Grande, ameaçada:  VU.




O  Rio Doce possui 853 Km. de extensão, desde o interior de Minas Gerais até sua foz em Regência, município de Linhares, ES. No passado suas florestas eram famosas pela exuberância e riqueza faunística. Para os ornitólogos, sua bacia é de grande importância pois marca uma dos territórios mais importantes para nossa fauna, a região dos tabuleiros do leste do Brasil. Essa região, da baixada litorânea, que se estende até o sul da Bahia é o domínio da Floresta Atlântica dos tabuleiros, com grande semelhança da flora e faunística com a Floresta Amazônica. As maiores reservas florestais do Estado do Espirito Santo localizam-se nessa região, as Reservas de Sooretama e a da Vale. Nas proximidades existem algumas RPPN como a Fazenda Cupido e outras.  Nossa passarinhada foi em uma área de matas secundárias que margeiam o Rio Doce, as matas de “cabruca”, que são plantações de cacau sombreadas. As arvores maiores, remanescentes da floresta original foram mantidas para sombrear as arvores dos cacaueiros. Esse método de cultivo, comumente chamado de “cabruca”, dessa forma proporcionou uma manutenção parcial da floresta, sendo, entretanto, a única forma de cultivo agropecuário no Brasil que preservou parte da mata. Para o cultivo do cacau, os fazendeiros retiraram o sub-bosque da mata e mantiveram seu dossel. É comum observar nessas matas, exemplares de jequitibás-rosa, cedros, figueiras, sapucaias e outras árvores de porte majestoso, remanescentes da mata original.

A mata original, primária, encontra-se dentro das reservas retro citadas, Sooretama e Vale. Formam um bloco vegetal compacto de uns 50.000 hectares, se forem adicionadas matas particulares do entorno como a Fazenda Cupido. Esse bloco magnifico é riquíssimo em aves conforme já vimos em várias ocasiões. Algumas espécies notáveis são encontradas nesse bloco, e citamos algumas apenas a título de ilustração: o Cricrió Lipaugus vociferans, a Harpia Harpia harpyja, o Urutau-de-asa-branca Nyctibius leucopterus. No meio de uma avifauna muito rica, citamos apenas três. Então, vem a curiosidade: quais dessas espécies da mata original ainda habitariam a mata alterada da cabruca do Rio Doce?  Não temos a pretensão de responder a esse questionamento tão complexo, mas, uma das finalidades de nossa excursão era em uma pequena parte, respondermos a essa pergunta. E voltaremos em Julho para completar nossa pesquisa.

Antes de começar a falar sobre nossa excursão, vamos nos lembrar da tragédia ambiental ocorrida em novembro de 2015 e da qual, a bacia do Rio Doce ainda não se recuperou. Entretanto, somos otimistas e ficamos encantados com a beleza do rio e a aparente limpeza de suas águas. A recuperação pode já ter começado.

Localização do Espirito Santo no Brasil.
Localização das áreas de observação dentro do Estado do ES. Fizemos um comparativo da distância entre as matas do Rio Doce e o grande bloco florestal das reservas Sooretama/Vale, mais ao norte.




Pelo menos em uma pequena parte, conseguimos responder nossa pergunta de Observador de Aves. Localizamos duas espécies de Psitacídeos vivendo muito bem dentro dessa área de matas secundárias. Matas estas, que é bom lembrar, estão sendo exploradas economicamente com a cultura do Cacau. Essas duas espécies de aves, são consideradas como ameaçadas pois dependem muito da manutenção da vegetação florestal da mata atlântica para sua sobrevivência.


O Rio Doce  foi quase totalmente poluído com a tragédia de Mariana em novembro de 2015, mas já apresenta melhoras. Notar o aspecto de suas águas, já mais limpas. Fomos informados que muitos peixes já estão reaparecendo.

















A estrada de terra até a localidade de Povoação, tem 35 Km de extensão percorrendo a região de plantio do cacau sombreado chamado de "cabruca".
 Aspecto da vegetação ribeirinha. As árvores ficam engrinaldadas pela bromelia conhecida como barba de velho. Muito frequente em nossas matas, principalmente em locais húmidos.


Um exemplar jovem do Jequitibá rosa Cariniana legalis.


























Pyrrhura leucotis, a Tiriba de orelha branca é endêmica do Brasil, na região de matas atlânticas da Bahia até o Rio de Janeiro. É considerada como NT - nova ameaçada pelo IUCN. Portanto, é uma espécie sensível ao desmatamento. Sua ocorrência em matas secundárias como essas das margens do rio Doce é auspiciosa para a preservação da espécie.

Chegamos a registrar um bando de tamanho grande, cerca de 20 indivíduos dessa tiriba.











 Pyrrhura cruentata é outra Tiriba do Rio Doce, ameaçada de extinção. Está na categoria de  VU da IUCN, mais ameaçada ainda que a Tiriba de orelha branca e para nossa sorte. pudemos ver 03 (três) bandos dessa tiriba em nossa excursão. O primeiro bando de 4 exemplares e mais dois bandos grandes, de uns 20 ou 30 indivíduos.


Tentamos, mas não foi possível mostrar todas Tiribas grande Pyrrhura cruentata da árvore nessa foto!





Impressionante a abundancia dos Psitacídeos do Rio Doce! Registramos em apenas um dia as seguintes espécies: 
1- Papagaio Chauá, Amazona rodocorytha.
2- Papagaio Curica, Amazona amazônica.
3- Papagaio moleiro, Amazona farinosa
4- Tiriba grande, Pyrrhura cruentata.
5- Tiriba-de-orelha-branca, Pyrrhura leucotis.
6- Maitaca-de-barriga-azul, Pionus reichenowi.
7- Periquitão-maracanã, Psittacara leucophthalmus.
8- Periquito-Rei, Eupsittula aurea.
9- Periquito-rico, Brotogeris tirica

Comprovando tal fato, uma foto que mostra a incrível abundancia de um desses psitácidas, no caso, o Periquito-rei:

Muito  obrigado aos amigos e amigas que nos visitam!
José Silvério Lemos.














domingo, 2 de junho de 2019

ENCONTRO COM O GAVIÃO-PATO!


Durante o BIG  DAY  2019, NA RNV- Reserva Natural da Vale, no município de Linhares neste Estado, tivemos o privilégio de observar um individuo de Gavião Pato, Spizaetus melanoleucus, planando baixo sobre a floresta. Durante muito tempo, esse Gavião foi dado como ameaçado de extinção. O próprio SICK, na Ornitologia Brasileira, informa  sua ocorrência no “Brasil em ocorrências esparsas, sendo encontrado inclusive no sul do país”. Com o crescimento da plataforma WIKI AVES, (www.wikiaves.com.br), verificou-se que esse Gavião era menos raro do que se imaginava. Não se encontra seriamente ameaçado, sua raridade é um fato natural. Temos observado que entre os gaviões de penacho, as “águias americanas” citadas por SICK, o Gavião Pato é o segundo mais encontradiço, logo depois do Gavião Pega-macaco, Spizaetus tyrannus. O Gavião pato, dentro do grupo dos gaviões de penacho, é o menor deles. Comumente mede cerca de até 61 cm e pesa até 800 gramas.  . O WA  fala que mede entre 51-61, Cm pensando entre 700 a 800 gramas .Destaca-se que a fêmea nessa espécie, é bem maior que o macho. O que pode indicar tratar-se de espécie bem agressiva.








Seu comportamento de caça é um verdadeiro espetáculo da natureza. Já tivemos oportunidade de acompanhar essa atividade na localidade de Chaves, município de Santa Leopoldina neste estado do Espirito Santo. Aproveitando as correntes térmicas, a ave inicia um voo lateral em forma de círculos largos que vão subindo gradativamente até alcançar grande altura. Então, lá de cima, deixa-se despencar encima das copas da mata, onde pode surpreender alguma presa. O desenho de seu corpo, indica não ser ave do interior da mata, antes um planador com boa capacidade de caçar. Suas asas largas e compridas assemelham-se às asas de urubus com primárias abertas. Porém, sua cauda longa mostra que também pode efetuar manobras em vegetação fechada. Esse formato pode favorece-lo nos locais onde habita. Normalmente na .beira de matas.

Vimos relatar o registro dessa belíssima águia, sendo perseguida por um individuo do Gavião- Urubu,  Buteo albonotatus,   nos ares da Reserva da Vale:





Aparentemente, as aves se ignoravam.





subitamente o Gavião urubu iniciou o ataque contra o Spizaetus.

















Depois de algum tempo, as aves se afastaram, terminando o desentendimento,











Muito obrigado, amigos e amigas que nos visitam!!

terça-feira, 7 de maio de 2019

GLOBAL BIG DAY 2019

Sábado, próximo passado, dia 4 de maio, estivemos na RNV- Reserva Natural da Vale, a convite, para participarmos do BIG DAY 2019. Foram constituídas três equipes para a observação da avifauna da reserva. Nós ficamos no grupo composto por eu, José Silvério, minha esposa Aninha Delboni, o guia Edinho e o amigo Vagno Fernandes da própria Vale.

A presença das aves já tinha sido notada desde o dia anterior, quando visualizamos voando baixo sobre parte da reserva, um individuo do Urubu-Rei, Sarcoramphus papa.  Nosso grupo foi privilegiado! Conseguimos registrar 110 espécies durante o período de observação que se estendeu das 5 horas até as 18,30. A seguir, postaremos algumas  fotos dessa observação espetacular.




 Essa ave extraordinária, é o Arapaçu-de-garganta-amarela, Xiphorhynchus guttatus. Um arapaçu que possui cerca de 27 cm. de comprimento e é uma ave muito vistosa e ativa. Parece não ser raro nas matas de tabuleiro do Leste do Brasil. Também é habitante da Amazônia.







Ao lado o Urubu-Rei, Sarcoramphus papa, sobrevoando a reserva.
















Uma fêmea do Anambé-branco de-rabo- preto,  Tytira cayana. Essa ave, não é comum mas não se encontra ameaçada de extinção. Habita matas e capoeirões do Brasil inteiro.
Apesar da foto não ter ficado boa, foi uma sorte e façanha conseguir essa foto do Inhambu-anhangá, Crypturellus variegatus. 
Trata-se de uma espécie com muitas e interessantes peculiaridades. É uma das espécies "amazônicas" que também ocorre nas matas do Leste do Brasil, do Rio de Janeiro à Bahia. Estudiosos apontam a existência dessas aves como uma das provas da antiga ligação entre a floresta amazônica com a mata atlântica.

Um de nossos registros mais comemorados no dia!
 O Gavião-pato, Spizaetus melanoleucus. 

Presenciamos um atrito entre o Gavião pato e o Gavião urubu, Buteo albonotatus, que, posteriormente, faremos um post especifico.

Devemos nos lembrar, que esse Spizaetus, é uma de nossas "águias de penacho", como se referia H. Sick em sua monumental obra Ornitologia brasileira. Sendo, portanto, um registro importante. Hoje, sabemos que provavelmente não está ameaçado de extinção. É raro com certeza, mas devido sua natureza predadora e agreste. Habitando uma vasta área, e não sendo abundante, adquire uma presumível raridade, mas não condição de ameaçado.

Muito obrigado a nossos visitantes!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Birding no Jardim Botânico de SP

O Jardim Botânico de São Paulo é uma instituição fundada em 1928, dedicada ao estudo da botânica e divulgação da importância da natureza. Situado dentro da zona urbana da cidade de São Paulo, com diversos prédios e departamentos, o Jardim é muito visitado diariamente. Trata-se de uma venerável instituição com mais de 90 anos dedicados ao estudo da flora. Aproveitamos essa sexta-feira dia 12, para visita-lo e praticar nosso esporte, o birding já que o Jardim preserva uma área de mata atlântica dentro de seu território.


























Uma das edificações dentro do Jardim.

A instituição dedica-se ao estudo da Botânica, contando também com cursos de pós graduação nessa área.
Alameda de palmeiras imperiais.

















A primeira ave que conseguimos registrar e fotografar no dia: o Gavião de cauda curta Buteo brachyurus.Trata-se de uma ave predadora que caça realizando voos altos e, ao localizar sua presa, no solo ou em galhos, despenca-se do alto sobre a vitima.












Localizamos esse belo Pica-pau-de banda branca Dryocopus lineatus, forrageando nas árvores dentro do Jardim.
Trata-se de um de nossos maiores pica-paus, atingindo o comprimento de 33 cm. Escava os troncos carcomidos à procura de larvas e insetos.
Esse pica-pau não está ameaçado, sendo registrado tanto em matas quanto em capoeiras.

Mas, em matas secundárias novas, naturalmente, as arvores são novas e como tal, não fornecedoras de arvores velhas e com cupins.









Dentro da Trilha suspensa de madeira, existente no interior da mata, pudemos ver um pequeno bando do Guaribas, Alouatta guariba.
Esse macaco, de bom tamanho, tem uma boa população no lugar. Porém, esteve ameaçado devido à febre amarela. Pelo visto, alguns exemplares não foram atingidos pela epizootia e continuam nos alegrando no lugar.










A trilha suspensa possibilita uma boa lição de educação ambiental. As pessoas ficam a poucos metros do interior da floresta, e podem visualizar como é a vida dos animais.







O interior da mata. Notar a abundancia das palmeiras, principalmente do palmito Euterpe edulis, uma das árvores dominantes na reserva.










A belíssima palmeira, Euterpe edulis, com seus cachos carregados de frutos. É uma palmeira tipica da floresta atlântica.
Seus frutos são muito procurados pelos tucanos, por psitacídeos, surucuás, e muitas outras aves.










Os coquinhos do palmito ainda não estão maduros, mas já estão caindo na trilha e algumas aves já aparecem.













No interior da mata, visto da trilha suspensa, conseguimos registrar e fotografar esse exemplar de Pichororé, Synallaxis ruficapilla.

É um furnarídeo florestal habitante das brenhas.









O interior sombrio e úmido da mata é o habitat ideal  para as samambaias-açu, também chamadas de fetos arborescentes.












Na beira da mata, registramos outras aves.














A saracura do mato Aramides saracura procurava minhocas nos baixios úmidos.














O Neinei, ou Bem-te-vi de bico chato, Megarynchus pitangua, vocalizava muito na beira da mata.


















O Sabiá-laranjeira, Turdus rufiventris, ave nacional do Brasil, é abundante no parque.


















Terminamos nosso relato, agradecendo a todos que nos visitam!