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domingo, 10 de fevereiro de 2019

BIRDING NA PRAIA!

10 de Fevereiro, domingo  de um verão escaldante! Eu e meu amigo Evandro Limonge, dirigimos-nos à praia de camburi aqui nesta cidade de Vitória, capital do Espirito Santo, para uma excursão de birding. O tempo quente não foi empecilho e vimos muitas aves marinhas, algumas, inclusive muito próximas, pescando na praia, quase na arrebentação!































O  Atobá-Pardo, Sula leucogaster aproximou-se bastante da praia, e deu um verdadeiro show de acrobacias na captura de peixes. Observem bem   a envergadura de suas asas!

O dia estava muito claro, nem uma nuvem no céu e  então, pudemos registrar o espetáculo dessa ave magnifica. Sula leucogaster é uma ave de grande porte, alcançando alguns exemplares cerca de 85 cm. de comprimento, e tendo uma envergadura de asas de até 155 cm.! Segundo o Wiki Aves, é um pescador admirável, que despenca de grandes alturas quando vislumbra sua presa lá embaixo!
O Atobá é um habitante dos mares tropicais e subtropicais do mundo inteiro, e hoje, pelo menos uns oito indivíduos pairavam sobre a praia de Camburi no setor norte.



Entretanto, mesmo com toda sua habilidade, algumas vezes o Atobá não tem sucesso em sua pescaria! Vimos ele se precipitar na água e não capturar o peixe! Ficando com esse olhar desolado que pudemos ver de longe!










E para nossa alegria, quem apareceu? Nada mais, nada menos esse figurão aí do lado, o Trinta-réis boreal, Sterna hirundo. É um visitante que vem do hemisfério norte. Esse é o quinto registro que fazemos desse Trinta-réis aqui em Vitória. Parece que ele gosta dessa rota que passa pelo Espirito Santo. É mais uma ave marinha que se alimenta de peixes e pequenos animais  marinhos. Sua identificação nem sempre é tranquila, pois outros Trinta-réis, em diversas fases da vida, são parecidos.








Mas figurão fácil mesmo, em nosso verão, vindo todos os anos, é a Águia pescadora, Pandion haliaetus, que também pescava nas proximidades da praia e dos pieres ao longo da praia.  As que chegam até o Brasil são migrantes da América do Norte. Trata-se de uma ave de grande porte, que alcança 58 cm. de comprimento, com uma envergadura de asas de 1,75 metros. No verão chega a ser comum aqui em nossa região, habitando todas as coleções d'água. Seja no mar, seja em lagoas nas proximidades.





Pandion é uma águia conhecida pelos pescadores do pier do final da praia. E, pelo visto, os pescadores queixosos de que os peixes não querem comer suas iscas, podem continuar a reclamar, pois as aves marinhas não voltaram para casa sem peixes. Todas mergulhavam no mar à procura de suas presas, e ao longe pudemos ver a Pandion se afastar com um peixe nas garras.











Alguns outros Trinta réis estavam presentes, sobrevoando a praia e a região do porto de Tubarão, mas não conseguimos boas fotos para postar.

Agradecemos às pessoas que no honram com suas visitas!





sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

GUAIVIRA: Oligoplites saliens

























Guavira, Oligoplites saliens, muito comuns no verão aqui em Vix.


A Guaivira é um peixe da família Carangidae, a mesma família dos Pampos, dos Carapaus, Xaréus e Xixarros. São bastante comuns desde o mangue, habitat predileto dos jovens, a estuários, baias, ao redor de ilhas e praias. Preferem águas túrbidas e quentes. Suportam grandes variações de salinidade e acredita-se que sua reprodução ocorre nas águas dos manguezais. Isto pela presença constante de jovens da espécie nesses locais. Alfredo Carvalho Filho em sua obra magnifica Peixes da costa brasileira, relata um comportamento curioso dos jovens das Guaiviras nos mangues:  são vistos( os jovens de guaivira) flutuando na superfície com a cabeça para baixo, imitando folhas de mangue, num disfarce evidente a fim de se evitar os numerosos predadores no local!
Sua distribuição geográfica é o Oceano Atlântico ocidental,  desde a América Central( Honduras) até a América do Sul (Uruguai). Na costa brasileira parece ser comum.
A Guaivira é um peixe que não possui uma boa carne  para se comer, entretanto, muitos pescadores, mesmo assim, consomem o peixe. Possui o corpo prateado como é comum nos peixes marinhos. Seu corpo é guarnecido por alguns espinhos e o pescador desavisado pode se machucar ao manusear o peixe sem uma proteção nas mãos. Na pesca esportiva é um peixe de valor, pois quando se encontra um cardume é sinal de divertimento garantido. São piscívoros, alimentando-se principalmente de peixes menores, mas gostam muito também de camarões e tatuís. Atacam iscas artificiais, os plugues,  com força e quando fisgada briga bastante e dá saltos espetaculares. Os exemplares maiores chegam a medir 50 cm. de comprimento, mas em nossas pescarias, os peixes comumente alcançam de 25 a 40 cm. de comprimento. Nesse verão de 2018/19, é o peixe mais comum que tem aparecido na região de Vitória. Como frequentamos os locais de pesca há uns 20 anos, notamos que os estoques desse peixe não diminuíram nesse período. A partir do mês de Abril, torna-se raro em nossa região, talvez migrando para outras regiões ou indo para o mar aberto.


















Nos meses de nosso verão, Dezembro a Março, reduzo as idas ao campo à procura de aves, e, por essa razão, naturalmente, diminuem minhas postagens sobre as aves! Porém, esse período é o melhor para os esportes no mar, entre eles as pescarias. E como um aficionado por esse esporte, passo a postar fotos de alguns peixes pescados ou vistos nas pescarias aqui em Vitória, ES, Brasil. Em minhas pescarias, esses e outros peixes, mesmo que pescados com iscas artificiais, são sempre devolvidos à água. E para não perder o hábito de conhecer nossos bichos, vamos pesquisar e ler sobre nossas espécies. Como passaremos a comentar a partir de hoje.

MUITO OBRIGADO, AMIGAS E AMIGOS  QUE NOS VISITAM!.

sábado, 19 de janeiro de 2019

UMA NOVA ÁGUIA PARA O BRASIL!




Foto:  Harpyhaliaetus solitarius. capa da revista NEOTROPICAL BIRDING, do outono de 2010. Autoria da foto: Brian .L.Sullivan. em Santa Cruz de La Sierra, Bolivia. Neotropical Bird Club.

Para o(a) observador(a) de aves, a visão de uma águia de grande porte em seu ambiente natural é algo de lúdico. Trata-se não apenas da admiração por um animal belo e possante, mas, também e muito, a esperança de que esses grandes raptores, certamente hão de conseguir sobreviver às ameaças de extinção que pairam sobre quase todas as grandes espécies.

O Brasil tem algumas águias espetaculares! O Gavião-Real, a Harpia harpyja é uma das maiores águias do mundo, sendo com certeza a mais pesada de todas. Essa águia, além de seu porte majestoso, nos impressiona com sua força e habilidades de caçadora, predando macacos, preguiças, cobras e uma grande quantidade de mamíferos. Além dessa incrível águia, temos a Águia cinzenta Urubitinga coronata, uma das maiores espécies, alcançando a marca de 85 cm. de comprimento; O Uiraçu, Morphnus guianensis, uma das mais raras; as águias de penacho, do gênero Spizaetus, como o Gavião Pega-macaco, são aves predadoras habitantes das florestas tropicais que com incrível agilidade para voar entre as copas e o emaranhado da vegetação, capturam outras aves, macacos, esquilos e pequenos mamíferos em nossas matas. Temos também a Águia serrana Geranoaetus melanoleucus, habitante de regiões serranas e campestres, hoje sabidamente, uma moradora de largas porções do leste do país. 

Faço esse pequeno preambulo, para comentar sobre a incrível descoberta em nosso país de outra grande águia. Trata-se da Águia solitária, Buteogallus solitarius, antes Harpyhaliaetus solitarius recentemente registrada em Roraima pelo ornitólogo e engenheiro florestal  Tony Bichinski. Esse grande feito já foi registrado no Wiki Aves: https://www.wikiaves.com.br/3227223. Até o momento, o registro no WA, ainda não consta completo o nome da espécie visto que ainda não existia nos registros do CBRO. Comitê Brasileiro de Registros ornitológicos.

Tempos atrás, admirei-me com a majestosa figura dessa águia, na capa da revista Neotropical Birding, distribuída aos membros do Neotropical Bird Club. 

Por sua vez,  William Menk, em seu excelente blog sobre rapinantes do Brasil, Aves de rapina do Brasil, http://blog.avesderapinabrasil.com/2018/12/nova-especie-de-aguia-para-o-brasil.html, assim se pronunciou: 

"Tony encontrou a ave durante uma pesquisa de campo que conduzia nas florestas de encosta da Amazônia roraimense. Era um indivíduo adulto, cuja coloração e grande porte chamaram a atenção do pesquisador que imediatamente garantiu o registro fotográfico. Trata-se do primeiro indivíduo da espécie em território brasileiro.
A águia-solitária é uma poderosa ave de rapina com distribuição descontínua nas florestas montanhosas dos Andes e da América Central. É uma ave rara, com baixas densidades populacionais em toda sua distribuição. Possui tamanho e peso similar ao da águia-cinzenta (U. coronata), com fêmeas medindo de 70–75 cm e peso de até 3 kg.

Os especialistas em ecologia e identificação de rapinantes, Willian Menq e Frederick Pallinger, tiveram acesso as fotografias e não tiveram dúvidas quanto a identificação da espécie. Algumas características como os tarsos grossos, primárias ultrapassando a cauda e coloração cinza-chumbo da plumagem foram suficientes para confirmar a identificação e descartar espécies similares (ex. Buteogallus anthracinus, Urubitinga urubitinga e Urubitinga coronata).

Sempre houve uma expectativa que a águia-solitária fosse um dia registrada no Brasil, especialmente na região norte, onde há registros na Venezuela e Peru a cerca de 200 km da fronteira brasileira (Roraima e Acre)."

A extraordinária biodiversidade do Brasil nos mostra novamente seu alcance lembrando-nos da grande responsabilidade de sua preservação!

OBRIGADO A TODOS QUE NOS VISITAM!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

VERÃO: PRAIA E AVES MARINHAS!

O fim de semana  passado, estive com a família na praia de Setiba, município de Guarapari neste E Estado do Espirito Santo! Para não perder  o hábito, levei a Canon, e tive oportunidade de registrar duas aves, já conhecidas, mas nem  por isso menos belas:

Consegui  uma foto do Atobá pardo, Sula leucogaster não muito distante!

Trata-se de ave comum em nosso litoral, e é um  grande pescador! Costuma ver o peixe lá de cima, despenca e agarra a presa dentro d'água!. 

Segundo o Wiki Aves, esse Atobá é característico dos mares tropicais e subtropicais no mundo inteiro.

Outra ave  avistada nas proximidades: o Gaivotão Larus dominicanus:

Estavam bem calmas, nos rochedos ao lado da praia, apreciando o sol de 35 graus de temperatura desse verão escaldante aqui do Brasil.
Destaque que essa gaivota ocorre na costa brasileira de Vitória para o Sul, sendo mais abundante nos estados do Sul. E também nos demais países da América do Sul, sul da Africa e Oceania.


Muito obrigado amigas e amigos visitantes!!

domingo, 30 de dezembro de 2018

Anthus furcatus, o caminheiro de unha curta!

Uma das aves mais interessantes que tivemos a alegria de conhecer em nossa recente excursão ao sul do Brasil, foi o Caminheiro de unha curta. Anthus furcatus é habitante dos campos de gramíneas no sul do Brasil, e ocorrendo também no Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia. É uma espécie sobre a qual consta alguma ameaça. Caminheiros são aves da família Motacillidae, e recebem esse nome devido ao hábito comum a todas as cinco espécies brasileiras, de se locomover, principalmente, caminhando sobre o solo, escondendo-se  bastante nas moitas de capins e gramíneas!































Anthus furcatus tem um comportamento que nos encantou: escondido nos capins rasteiros, subitamente alça voo vertical surpreendendo o observador. Nesse voo para o alto, de repente a a ave para e se deixa cair suavemente feito um  helicóptero! Alguns observadores de aves nos afirmaram que esse comportamento é característico de todos os caminheiros. Discordamos, pelo menos quanto ao caminheiro-zumbidor Anthus lutescens. De fato, o lutescens tem também um comportamento curioso mas jamais vimos chegar à altura que o furcatus chega. Na região ocorre também o Caminheiro-de-barriga-acanelada Anthus hellmayiri, que alguns sugeriram ser nossa espécie ao invés do furcatus.

Foto do Caminheiro  pousado, que originou alguns questionamentos quanto à correta identificação da ave.
















Outra foto do voo da ave, em destaque as unhas do hálux curtas e voltadas para trás, característica dessa espécie!

Seguimos a orientação de nosso guia na ocasião, o Flávio Ronaldo, experiente conhecedor das aves da região.










AGRADECEMOS AS PESSOAS VISITANTES E DESEJAMOS UM FELIZ 2019 PARA TODAS E TODOS!

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Hymenops perspicillatus, a Viuvinha de óculos!


Muitas vezes nos perguntamos a razão de alguns nomes populares de nossas aves! O Guaxe tem esse nome  Por quê?  e o Gavião-pega-macaco? o Macuco? Pois é,  no caso de nossa Viuvinha-de-óculos, o nome é apropriadíssimo!





























O macho da espécie  possui a plumagem negra ( afinal, é uma viuvinha!) e os olhos bem destacados, com a região perioftálmica nua e entumescida, de forma tal que fica parecendo protegidos por uma elegante e bonita aureola! Parece mesmo que a ave está usando um par de óculos!

Em nossa recente excursão ao Rio Grande do Sul, tivemos a alegria de conhecer essa viuvinha. Belíssima como pode ser visto pela fotos!
É uma ave da numerosa família Tyrannidae e que aprecia regiões alagadas onde consegue seu alimento. A fêmea e o jovem são muito diferentes do macho e durante algum tempo foram considerados como espécie à parte! 

O macho e a fêmea da Viuvinha-de-óculos, conforme desenho no livro de Helmut Sick, Ornitologia Brasileira.

Notar que a fêmea caminha sobre plantas aquáticas, no habitat palustre em que a espécie gosta de viver,

Acima, à esquerda, um esboço do curioso voo nupcial do macho.














 A espécie habita  o sul do continente, Chile, Patagônia e chega ao Brasil no Rio Grande do Sul e também Mato Grosso do Sul. Mas nas migrações, chega bem mais ao norte. Até em Caravelas na Bahia e Vila Velha no Espirito Santo a espécie já foi registrada!

Em nosso grupo excursionista, havia uma colega apaixonada por essa Viuvinha, razão principal de sua viagem! Felizmente foi recompensada com o aparecimento da Viuvinha em toda sua beleza!


A viuvinha, nossa heroína,  fotografada em Mostardas, RS. em região alagada.



















Habitat da Viuvinha, onde encontramos o exemplar que fotografamos!.














Agradecemos a nossas amigas e amigos  que nos honram com suas visitas!!

domingo, 9 de dezembro de 2018

Milvago chimango, o CHIMANGO!

O Gênero Milvago, faz parte da familia Falconidae, na parte referente aos falcões neotropicais.São aves comuns e abundantes nas zonas rurais e até mesmo, às vezes, dentro de cidades! Esse gênero é composto de duas espécies: Milvago chimachima, o Carrapateiro, e o Milvago chimango, conhecido como Chimango. Em nossa recente (novembro/2018) viagem ao Sul do Brasil, fomos apresentados ao Chimango!






















O Chimango, Milvago chimango, fotografado em novembro, em Mostardas, RS, Brasil.

São duas aves de porte e comportamentos com muita afinidades, porém, recentemente, descobriu-se que apesar de partilharem o gênero comum, não são muito "parentes"!. Estudos moleculares mostraram que não são parentes próximos, razão pela qual alguns autores retirarem o chimango do gênero Milvago. O Chimango é um pouco menor que o Carrapateiro.




O Comportamento do Chimango tem muitas similaridades  com o Carrapateiro. Ambos gostam de pousar sobre árvores baixas da paisagem aberta.
Ambos são muito vocais! O canto do Carrapateiro é o conhecido "Pinhé...pinhé....pinhé...." Já o Chimango produz um grito rouco e arranhado.
Tivemos oportunidade de grava-lo recentemente em Mostardas:
Em algumas regiões do Brasil, o termo Chimango é aplicado para designar uma pessoa "malandra, esperta e debochada". Nesse caso, talvez pela influência antrópica do termo, percebemos um certo deboche no cantar do Chimango! Mas, claro, é um preconceito com o Chimango, coitado que nada tem a ver com isso! No Brasil, essa palavra também tem aplicações na culinária, referindo-se a certos biscoitos muito deliciosos



O Carrapateiro é ave conhecida em todo o Brasil, enquanto o Chimango é concentrado no Sul e algumas ocorrências mais esparsas mais ao norte. até o estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Também quanto à alimentação essas aves tem afinidades. O Chimango costuma se alimentar de carniça, mas aprecia vermes do gado, filhotes perdidos dos ninhos, chegando mesmo a atacar outras aves. O Carrapateiro tem esse apelido pelo hábito utilíssimo que tem de retirar carrapatos do gado bovino, equino e outros, e mesmo outros animais  como capivaras, veados, etc. Em nossa excursão tínhamos a expectativa de encontrar essa ave para compara-lo com o carrapateiro e tivemos essa sorte, de conhecer o Chimango.

Obrigado às amigas e amigos que nos honram com suas visitas!!!