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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Procnias albus: A ESPETACULAR ARAPONGA DA AMAZÔNIA!

O gênero PROCNIAS no Brasil, compreende algumas das mais incríveis aves da família COTINGIDAE! 
Temos as seguintes espécies: Procnias nudicollis; a Araponga da Sudeste, a mais frequentemente encontrada e citada. Procnias averano; A Araponga do Nordeste, nativa dos estados do Nordeste, com incursões a outros estados do Norte como no Pará e Tocantins.
e finalmente, a Procnias albus, a Araponga da Amazônia.




























Todas espécies do Gênero PROCNIAS são extravagantes e espetaculares! Porém, a Procnias albus supera todas as outras! Essa foto foi feita dentro da Flona dos Carajás agora no dia 7.8.2019.

No dia 7-8-2019, guiados pelo amigo e extraordinário Ornitólogo FILHO MANFREDINI, visitamos a Serra dos Carajás, município de Parauapebas, Estado do Pará na Amazônia Brasileira. O comportamento desta Procnias albus é inacreditavelmente espetacular! Como estamos no inicio da época de reprodução, os machos estão cantando dentro de seu território procurado atrair as fêmeas! No inicio, vimos algumas fêmeas mas não conseguíamos ver os machos! Tivemos de entrar dentro da mata, caminhando por quase 1 Km. dentro da floresta, sem trilhas, para, finalmente nos postar debaixo da arvore em que a ave estava para fazer as fotos e gravar seu canto!

E o canto? Indescritível! O mais próximo que chegamos para descrever seu canto é imaginar um sino que toca vez  por outra. Conseguimos gravar seu canto.: link para ouvir seu canto espetacular!

http://www.wikiaves.com.br/3453652

O lado ruim dessa nossa aventura, é que apesar de constar na lista da IUCN  como LC   ou "POUCO PREOCUPANTE", acreditamos que essa classificação não corresponda à realidade! Encontramos essa araponga em um trecho restrito da mata. e pelo mapa de registros, podemos perceber o quanto essa ave incomum pode ficar ameaçada:



Os pontinhos vermelhos são os locais onde a Araponga da Amazônia já foi fotografada! Muito poucos!

FONTE: Wiki Aves.

















Uma fêmea que vimos nas proximidades  onde os machos estavam "batendo" seus sinos!

A fêmea da araponga também tem suas belezas.













Segundo o Wiki Aves, as características mais marcantes da ave são : "O macho mede cerca de 28,5 centímetros de comprimento e a fêmea 27,5 centímetros. O macho pesa entre 210 e 215 gramas e a fêmea pesa entre 219 e 222 gramas.

O macho é completamente branco e apresenta um apêndice carnudo com origem na base do bico e pendurado para baixo geralmente pendente no lado direito do bico, (Ridgely, 2009). O bico curto e largo, os tarsos e os pés são escuros. A fêmea é verde-oliva nas partes superiores e amarelo-pálido finamente estriado de verde-oliva nas partes inferiores. Apresenta uma vocalização bem marcante, bastante incomum para uma ave , semelhante a um alarme robótico, o som de conexão da antiga internet discada ou algum instrumento musical indiano, a qual pode ser ouvida à boa distância." 





Quando está "calmo", sem vocalizar, o apêndice carnudo que a ave tem colado ao bico, de retrai, como nessa foto ao lado.

















Mas quando começa a vocalizar, o apêndice também se apresenta e a ave inicia o processo do canto!













Momento em que o "sino" bate com força, mostrando a ave com o bico amplamente aberto e o apêndice se projetando para a frente!














Visto lateral do momento em que a ave "bate o martelo"  com força!















Após a vocalização, o apêndice carnudo fica por algum tempo pendente.












Ao ver uma ave como essa, ao vivo e solta na natureza, ponho-me a divagar sobre as possibilidades de sua preservação. Essa população que ouvimos e vimos, encontra-se em uma área protegida de mais de 1 milhão de hectares, que compreende a FLONA DE CARAJÁS, Floresta Nacional de Carajás. Pois bem, algumas características biológicas dessas aves, tornam sua preservação um assunto delicado. Quase nada sabemos sua história de vida. Mas vi com meus olhos, que elas habitam um território pequeno dentro da imensa floresta. Se, por algum motivo, forem perturbadas, para onde irão?  Como ficará  o delicado ritual do acasalamento que vimos agora? Portanto, são questões importantes que se colocam para a preservação dessa ave maravilhosa! A responsabilidade de sua preservação é nossa e é uma tremenda responsabilidade!

Os passarinheiros( birders) aventureiros, no local onde coseguimos fotografar e gravar a Procnias albus, dentro da mata.

Da esquerda para a direita: Ademir Carletti, eu, José Silvério, minha esposa Aninha Delboni e a amiga Celi Aurora.








Gravando o canto da Procnias.

Mais uma vez, obrigado Filho Manfredini, por nos proporcionar conhecer essa
 ave espetaculosa!!


MUITO  OBRIGADO PESSOAS QUE NOS VISITAM!
Pretendo fazer postagens sobre nossa recente viagem à Amazônia!









sexta-feira, 19 de julho de 2019

Laniocera hypopyrra, a CHORONA CINZA!

A  Chorona cinza, Laniocera hypopyrra, é uma ave da família TITYRIDAE, habitante da Floresta Atlântica de tabuleiros e da Floresta Amazônica!


Um individuo ainda imaturo, fotografado em Linhares na Reserva Natural Vale do Rio Doce em 21.12.2015.

Esta ave é uma das conhecidas "amazônicas" das matas de Linhares, da região dos tabuleiros litorâneos, que englobam terras do sul da Bahia e do Espirito Santo, ao norte do Rio Doce.
Já foi dito em vários locais, que essa região dos tabuleiros tem uma forte identidade florística e faunística com a floresta amazônica!.

Mapa de ocorrências da Chorona de acordo com os registros existentes no Wiki Aves, www.wikiaves.com.br:






Pode ser observado que no leste do Brasil, são muito poucos os lugares de ocorrência dessa ave, marcados no mapa com os pontinhos vermelhos.













O nome  popular Chorona, certamente advém de sua vocalização, um assobio que lembra um choro! Essa ave magnifica, já foi classificada, antigamente até uns 30 anos atrás, na família Cotingidae com os quais possui certa semelhança. Porém, mais recentemente, com o desmembramento dos cotingas em tribos menores, coube-lhe ficar entre os Tityrideos.

Trata-se de uma ave de tamanho médio, 21 cm., habitante do interior da mata, onde fica abaixo da copa, no estrato médio, muitas vezes imóvel e fleumático. Não é rara e nem está ameaçada, enquanto as florestas não forem destruídas. Alimenta-se de insetos e frutos. Já foi descoberto que os ninhegos dessa ave, quando bebês ainda no ninho, tem uma aparência bizarra, parecida com lagartas cabeludas. Talvez isso seja uma adaptação da espécie á alta taxa de predação de que é vitima! Segundo  o WA, em certas zonas, a Chorona chega a ser vitima de predação de 80% de seus ninhos!.


No ultimo dia 19 de julho de 2019, encontramos a Chorona, de novo, na Reserva da Vale.

O individuo macho vocalizou várias vezes e pudemos fotografa-lo na posição que mais gosta, à sombra da copa e bem protegido!

Enquanto conseguirmos preservar nossas florestas, poderemos ouvir o canto melancólico e característico da Chorona cinza.







Muito obrigado aos amigos e amigas que nos visitam!!!

quarta-feira, 3 de julho de 2019

ALGUMAS AVES DA TRILHA DOS TUCANOS


A Trilha dos Tucanos é uma propriedade particular situada no município de Tapiraí, SP., destinada a birders do mundo todo, e, que a cada dia atrai mais interessados em suas aves. Em algumas oportunidades já fizemos referencia a esse lugar aqui neste blog. Inclusive, já estivemos no local várias vezes, mas desta vez, ficamos pernoitados para observação mais acurada das aves do lugar.

Aqui nossa colega e amiga Celi Aurora, posa junto ao Portal da Trilha.
O local é muito visitado por brasileiros e também gringos de diversos países e até do oriente!










                                                                                                                                                                                                                                                                             
                                                                                                       

Toda a região é ocupada  por densa cobertura florestal da Mata Atlântica.


Nessa imagem, copiada do Google Earth, é possível ver parte do tamanho dos remanescentes da Mata Atlântica no litoral de São Paulo e Paraná.Toda a parte em verde escuro é a mata. Da cidade de São Pulo até Curitiba, em linha reta do Google, temos 292 km de extensão dos remanescentes, e a largura em média, supera 80 Km.!!







Dessa forma, em termos de remanescentes florestais, a região é muito florestada e por essa razão, alguns elementos típicos da mata continuem vivendo nessas regiões. Há relatos de avistamentos nas proximidades, de Jaguar Panthera onca e Antas Tapirus terrestris habitando esses locais, fato perfeitamente natural tendo em vista a quantidade de matas.

Postaremos agora, fotos de Algumas das aves observadas por nós, já que a avifauna do lugar contempla algo superior a 400 espécies.


A abundância de aves nos comedouros pode ser exemplificada com essa foto, de minha esposa, Aninha. As saíras de sete cores Tangara seledon chegavam a pousar nas mãos e chapéu para receber alimento (banana madura)


















A Saíra-militar, Tangara cyanocephala é comum na região.















O Arapaçu-grande Dendrocolaptes platyrostris é um de nossos mais vistosos arapaçus. Somente em regiões de mata alta.

A Catirumbava Orthogonys chloricterus é muito comum na região e é uma das aves abundantes que nos comedouros pousam nas mãos dos visitantes!











O Sanhaçu-de-encontro-Azul, Tangara cyanoptera é mais um frugívoro que ocorre nessas matas. Porém, está listado na relação da IUCN, na categoria NT, ou quase ameaçada, o que é lamentável.









E agora, alguns dos grandes frugívoros das copas que vimos na Trilha:

 Ele é espetacular! O Maior Cotinga da região SUL-SE do Brasil!O macho mede 46 cm. e a fêmea 39 cm. O Pavó, Pyroderus scutatus, não é listado na relação da IUCN em nenhum grau de ameaça!!! O que é perigoso, pois sabemos da raridade dessa espécie e o fato de já ter sido muito caçada!

No site Wiki Aves, www.wikiaves.com.br, se observarmos a lista do Estado do Espirito Santo, temos, nesta data, apenas dois registros do Pavó!!.
O comportamento do Pavó na fruteira silvestre foi muito curioso. A árvore que estava frutificando e atraindo as aves não era essa imbaúba, mas um pé de Araçá grande, cheio de frutinhos avidamente disputados por muitas aves. O Pavó ficava comendo nesse Araçá e de papo cheio ( como nas fotos) voltava para a Imbaúba para descansar e deglutir as frutas. Depois voltava para a Araçá e tornava a encher o papo, retornando depois para a Imbaúba!! Foi nosso maior troféu dessa excursão.



O Tucano-de-bico verde, Ramphastos dicolorus é o tucano das regiões altas e serranas. No lugar também aparece o Tucano de bico preto, Ramphastos vitellinus, mas é mais raro aqui na serra. Mais comum na baixada.

Tucanos são comuns na Mata Atlântica e ainda não estão ameaçados! No lugar tem também o Araçari-banana, Pteroglossus bailloni que foi visto até no comedouro da pousada,















Outro Frugívoro maravilhoso, o Tiêtinga, Cissops leverianus.













Nem só de Frugívoros vivem a avifauna do lugar. Vimos também os predadores alados da Mata, em plena atividade nas manhãs de temperatura em elevação:


O Gavião pega-macaco, Spizaetus tyrannus sobrevoava a região aproveitando-se das correntes térmicas para caçar.
Esse grande gavião, é um de nossos caçadores águia mais frequentes. Não está na lista da IUCN como ameaçado.








O Gavião-pato, Spizaeus melanoleucus, também é um grande predador e embora seja menos frequente que o Pega-macaco, também é sempre registrado em nossas excursões. É um grande caçador, com a fêmea sendo bem maior que o macho. Para se ter uma ideia, a fêmea é quase 50% maior que o macho. Esse pode ser considerado um indicador da agressividade da espécie.


Finalmente, registramos uma espécie do interior da mata que desde há algum tempo estamos tentando e somente agora conseguimos!  Porém, a foto ficou ruim, mas postamos assim mesmo para registro:



A Juruva,Baryphthengus  ruficapillus, é uma ave grande (42 cm.) do interior penumbroso da floresta. Chama atenção por sua voz melodiosa dentro da floresta. Teremos de voltar ao local para conseguirmos fotos melhores!







Finalizamos com esse macho do  Beija-Flor-Rubi, Heliodoxa rubricauda.













Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas!!












segunda-feira, 10 de junho de 2019

PERSONAGEM DO DIA: O BACURAUZINHO DA CAATINGA.


A  Caatinga é a denominação usual que se dá à vegetação semi-árida do Nordeste do Brasil. Foi lá, que foi registrada pela primeira vez, em 1825 por Vigors, a espécie que viria a ser conhecida  como  o "Bacurauzinho da caatinga". Nyctidromus hirundinaceus, de fato, aprecia os campos de vegetação baixa, com solo pedregoso e seco. A palavra Caatinga, é oriunda da língua indígena Tupi e significa "mata branca", ou seja, uma mata rala.

Posteriormente foi descoberto que esse Bacurauzinho não é exclusivo da Caatinga, existindo até mais ao sul, em regiões já sob o domínio de clima mais úmido como na Mata Atlântica. Mas, manteve-se fiel aos locais onde gosta de ficar e se sente bem: locais secos, e pedregosos sob rochas, muitas vezes ao lado de vegetação de cactos, aliás, como é comum na caatinga. Nesses locais, no chão, sua camuflagem fica quase perfeita. O caminhante distraído corre o risco de atropelar uma dessas avezinhas. Antes mesmo do anoitecer essa ave já começa suas atividades, voando erraticamente de um lado a outro.

No dia de ontem, domingo 9 de junho, o COA/ES Clube de Observadores de Aves do Estado do Espirito Santo organizou um lindo evento de confraternização entre seus membros e tivemos a oportunidade de encontrar esse bacurau mais uma vez. Já o tínhamos registrado na Serra dos Três Pontões, município de Afonso Cláudio neste Estado. O Bacurauzinho foi mesmo, O Personagem do dia, para muitos birders novatos que não o conheciam!


Os registros do município de Afonso Cláudio neste estado do Esp. Santo, provavelmente são os registros mais austrais da espécie, até o momento. Nessa foto, ao lado, observar que, aparentemente a ave mudou a cor de sua plumagem. estando aqui mais escura que as fotos abaixo!


















Ao se espantar o Bacurauzinho sempre voa para próximo e termina por voltar ao local de origem.













 A camuflagem desse hirundinaceus dificulta muito o caminhante conseguir vê-lo. O curioso é que sob o substrato mais escuro, sua plumagem também fica mais escura e sob o substrato mais claro como nesses fotos, adquire essa coloração mais clara!

Aparentemente, apesar de habitar locais restritos conforme suas preferências, esse Bacurauzinho não está ameaçado de extinção! Ontem pudemos ver nessas rochas, uns três indivíduos e isso antes do meio dia!












Segundo o Wiki Aves ( http://www.wikiaves.com.br/wiki/bacurauzinho-da-caatinga) , um dado interessante sobre a alimentação desse bacurauzinho, é que ele voa com a boca aberta, assim, capturando grande quantidade de insetos sem muito esforço!.




Sua plumagem é muito bonita, com as típicas manchas brancas nas asas, visíveis quando voa.











MUITO OBRIGADO AMIGAS E AMIGOS VISITANTES!





sábado, 8 de junho de 2019

PASSARINHADA NO RIO DOCE.



PASSARINHADA NO RIO DOCE, ES, BRASIL.

Pyrrhura cruentata, a Tiriba-Grande, ameaçada:  VU.




O  Rio Doce possui 853 Km. de extensão, desde o interior de Minas Gerais até sua foz em Regência, município de Linhares, ES. No passado suas florestas eram famosas pela exuberância e riqueza faunística. Para os ornitólogos, sua bacia é de grande importância pois marca uma dos territórios mais importantes para nossa fauna, a região dos tabuleiros do leste do Brasil. Essa região, da baixada litorânea, que se estende até o sul da Bahia é o domínio da Floresta Atlântica dos tabuleiros, com grande semelhança da flora e faunística com a Floresta Amazônica. As maiores reservas florestais do Estado do Espirito Santo localizam-se nessa região, as Reservas de Sooretama e a da Vale. Nas proximidades existem algumas RPPN como a Fazenda Cupido e outras.  Nossa passarinhada foi em uma área de matas secundárias que margeiam o Rio Doce, as matas de “cabruca”, que são plantações de cacau sombreadas. As arvores maiores, remanescentes da floresta original foram mantidas para sombrear as arvores dos cacaueiros. Esse método de cultivo, comumente chamado de “cabruca”, dessa forma proporcionou uma manutenção parcial da floresta, sendo, entretanto, a única forma de cultivo agropecuário no Brasil que preservou parte da mata. Para o cultivo do cacau, os fazendeiros retiraram o sub-bosque da mata e mantiveram seu dossel. É comum observar nessas matas, exemplares de jequitibás-rosa, cedros, figueiras, sapucaias e outras árvores de porte majestoso, remanescentes da mata original.

A mata original, primária, encontra-se dentro das reservas retro citadas, Sooretama e Vale. Formam um bloco vegetal compacto de uns 50.000 hectares, se forem adicionadas matas particulares do entorno como a Fazenda Cupido. Esse bloco magnifico é riquíssimo em aves conforme já vimos em várias ocasiões. Algumas espécies notáveis são encontradas nesse bloco, e citamos algumas apenas a título de ilustração: o Cricrió Lipaugus vociferans, a Harpia Harpia harpyja, o Urutau-de-asa-branca Nyctibius leucopterus. No meio de uma avifauna muito rica, citamos apenas três. Então, vem a curiosidade: quais dessas espécies da mata original ainda habitariam a mata alterada da cabruca do Rio Doce?  Não temos a pretensão de responder a esse questionamento tão complexo, mas, uma das finalidades de nossa excursão era em uma pequena parte, respondermos a essa pergunta. E voltaremos em Julho para completar nossa pesquisa.

Antes de começar a falar sobre nossa excursão, vamos nos lembrar da tragédia ambiental ocorrida em novembro de 2015 e da qual, a bacia do Rio Doce ainda não se recuperou. Entretanto, somos otimistas e ficamos encantados com a beleza do rio e a aparente limpeza de suas águas. A recuperação pode já ter começado.

Localização do Espirito Santo no Brasil.
Localização das áreas de observação dentro do Estado do ES. Fizemos um comparativo da distância entre as matas do Rio Doce e o grande bloco florestal das reservas Sooretama/Vale, mais ao norte.




Pelo menos em uma pequena parte, conseguimos responder nossa pergunta de Observador de Aves. Localizamos duas espécies de Psitacídeos vivendo muito bem dentro dessa área de matas secundárias. Matas estas, que é bom lembrar, estão sendo exploradas economicamente com a cultura do Cacau. Essas duas espécies de aves, são consideradas como ameaçadas pois dependem muito da manutenção da vegetação florestal da mata atlântica para sua sobrevivência.


O Rio Doce  foi quase totalmente poluído com a tragédia de Mariana em novembro de 2015, mas já apresenta melhoras. Notar o aspecto de suas águas, já mais limpas. Fomos informados que muitos peixes já estão reaparecendo.

















A estrada de terra até a localidade de Povoação, tem 35 Km de extensão percorrendo a região de plantio do cacau sombreado chamado de "cabruca".
 Aspecto da vegetação ribeirinha. As árvores ficam engrinaldadas pela bromelia conhecida como barba de velho. Muito frequente em nossas matas, principalmente em locais húmidos.


Um exemplar jovem do Jequitibá rosa Cariniana legalis.


























Pyrrhura leucotis, a Tiriba de orelha branca é endêmica do Brasil, na região de matas atlânticas da Bahia até o Rio de Janeiro. É considerada como NT - nova ameaçada pelo IUCN. Portanto, é uma espécie sensível ao desmatamento. Sua ocorrência em matas secundárias como essas das margens do rio Doce é auspiciosa para a preservação da espécie.

Chegamos a registrar um bando de tamanho grande, cerca de 20 indivíduos dessa tiriba.











 Pyrrhura cruentata é outra Tiriba do Rio Doce, ameaçada de extinção. Está na categoria de  VU da IUCN, mais ameaçada ainda que a Tiriba de orelha branca e para nossa sorte. pudemos ver 03 (três) bandos dessa tiriba em nossa excursão. O primeiro bando de 4 exemplares e mais dois bandos grandes, de uns 20 ou 30 indivíduos.


Tentamos, mas não foi possível mostrar todas Tiribas grande Pyrrhura cruentata da árvore nessa foto!





Impressionante a abundancia dos Psitacídeos do Rio Doce! Registramos em apenas um dia as seguintes espécies: 
1- Papagaio Chauá, Amazona rodocorytha.
2- Papagaio Curica, Amazona amazônica.
3- Papagaio moleiro, Amazona farinosa
4- Tiriba grande, Pyrrhura cruentata.
5- Tiriba-de-orelha-branca, Pyrrhura leucotis.
6- Maitaca-de-barriga-azul, Pionus reichenowi.
7- Periquitão-maracanã, Psittacara leucophthalmus.
8- Periquito-Rei, Eupsittula aurea.
9- Periquito-rico, Brotogeris tirica

Comprovando tal fato, uma foto que mostra a incrível abundancia de um desses psitácidas, no caso, o Periquito-rei:

Muito  obrigado aos amigos e amigas que nos visitam!
José Silvério Lemos.














domingo, 2 de junho de 2019

ENCONTRO COM O GAVIÃO-PATO!


Durante o BIG  DAY  2019, NA RNV- Reserva Natural da Vale, no município de Linhares neste Estado, tivemos o privilégio de observar um individuo de Gavião Pato, Spizaetus melanoleucus, planando baixo sobre a floresta. Durante muito tempo, esse Gavião foi dado como ameaçado de extinção. O próprio SICK, na Ornitologia Brasileira, informa  sua ocorrência no “Brasil em ocorrências esparsas, sendo encontrado inclusive no sul do país”. Com o crescimento da plataforma WIKI AVES, (www.wikiaves.com.br), verificou-se que esse Gavião era menos raro do que se imaginava. Não se encontra seriamente ameaçado, sua raridade é um fato natural. Temos observado que entre os gaviões de penacho, as “águias americanas” citadas por SICK, o Gavião Pato é o segundo mais encontradiço, logo depois do Gavião Pega-macaco, Spizaetus tyrannus. O Gavião pato, dentro do grupo dos gaviões de penacho, é o menor deles. Comumente mede cerca de até 61 cm e pesa até 800 gramas.  . O WA  fala que mede entre 51-61, Cm pensando entre 700 a 800 gramas .Destaca-se que a fêmea nessa espécie, é bem maior que o macho. O que pode indicar tratar-se de espécie bem agressiva.








Seu comportamento de caça é um verdadeiro espetáculo da natureza. Já tivemos oportunidade de acompanhar essa atividade na localidade de Chaves, município de Santa Leopoldina neste estado do Espirito Santo. Aproveitando as correntes térmicas, a ave inicia um voo lateral em forma de círculos largos que vão subindo gradativamente até alcançar grande altura. Então, lá de cima, deixa-se despencar encima das copas da mata, onde pode surpreender alguma presa. O desenho de seu corpo, indica não ser ave do interior da mata, antes um planador com boa capacidade de caçar. Suas asas largas e compridas assemelham-se às asas de urubus com primárias abertas. Porém, sua cauda longa mostra que também pode efetuar manobras em vegetação fechada. Esse formato pode favorece-lo nos locais onde habita. Normalmente na .beira de matas.

Vimos relatar o registro dessa belíssima águia, sendo perseguida por um individuo do Gavião- Urubu,  Buteo albonotatus,   nos ares da Reserva da Vale:





Aparentemente, as aves se ignoravam.





subitamente o Gavião urubu iniciou o ataque contra o Spizaetus.

















Depois de algum tempo, as aves se afastaram, terminando o desentendimento,











Muito obrigado, amigos e amigas que nos visitam!!