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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Hymenops perspicillatus, a Viuvinha de óculos!


Muitas vezes nos perguntamos a razão de alguns nomes populares de nossas aves! O Guaxe tem esse nome  porquê?  e o Gavião-pega-macaco? o Macuco? Pois é,  no caso de nossa Viuvinha-de-óculos, o nome é apropriadíssimo!





























O macho da espécie  possui a plumagem negra ( afinal, é uma viuvinha!) e os olhos bem destacados, com a região perioftálmica nua e entumescida, de forma tal que fica parecendo protegidos por uma elegante e bonita aureola! Parece mesmo que a ave está usando um par de óculos!

Em nossa recente excursão ao Rio Grande do Sul, tivemos a alegria de conhecer essa viuvinha. Belíssima como pode ser visto pela fotos!
É uma ave da numerosa família Tyrannidae e que aprecia regiões alagadas onde consegue seu alimento. A fêmea e o jovem são muito diferentes do macho e durante algum tempo foram considerados como espécie à parte! 

O macho e a fêmea da Viuvinha-de-óculos, conforme desenho no livro de Helmut Sick, Ornitologia Brasileira.

Notar que a fêmea caminha sobre plantas aquáticas, no habitat palustre em que a espécie gosta de viver,

Acima, à esquerda, um esboço do curioso voo nupcial do macho.














 A espécie habita  o sul do continente, Chile, Patagônia e chega ao Brasil no Rio Grande do Sul e também Mato Grosso do Sul. Mas nas migrações, chega bem mais ao norte. Até em Caravelas na Bahia e Vila Velha no Espirito Santo a espécie já foi registrada!

Em nosso grupo excursionista, havia uma colega apaixonada por essa Viuvinha, razão principal de sua viagem! Felizmente foi recompensada com o aparecimento da Viuvinha em toda sua beleza!


A viuvinha, nossa heroína,  fotografada em Mostardas, RS. em região alagada.



















Habitat da Viuvinha, onde encontramos o exemplar que fotografamos!.














Agradecemos a nossas amigas e amigos  que nos honram com suas visitas!!

domingo, 9 de dezembro de 2018

Milvago chimango, o CHIMANGO!

O Gênero Milvago, faz parte da familia Falconidae, na parte referente aos falcões neotropicais.São aves comuns e abundantes nas zonas rurais e até mesmo, às vezes, dentro de cidades! Esse gênero é composto de duas espécies: Milvago chimachima, o Carrapateiro, e o Milvago chimango, conhecido como Chimango. Em nossa recente (novembro/2018) viagem ao Sul do Brasil, fomos apresentados ao Chimango!






















O Chimango, Milvago chimango, fotografado em novembro, em Mostardas, RS, Brasil.

São duas aves de porte e comportamentos com muita afinidades, porém, recentemente, descobriu-se que apesar de partilharem o gênero comum, não são muito "parentes"!. Estudos moleculares mostraram que não são parentes próximos, razão pela qual alguns autores retirarem o chimango do gênero Milvago. O Chimango é um pouco menor que o Carrapateiro.




O Comportamento do Chimango tem muitas similaridades  com o Carrapateiro. Ambos gostam de pousar sobre árvores baixas da paisagem aberta.
Ambos são muito vocais! O canto do Carrapateiro é o conhecido "Pinhé...pinhé....pinhé...." Já o Chimango produz um grito rouco e arranhado.
Tivemos oportunidade de grava-lo recentemente em Mostardas:
Em algumas regiões do Brasil, o termo Chimango é aplicado para designar uma pessoa "malandra, esperta e debochada". Nesse caso, talvez pela influência antrópica do termo, percebemos um certo deboche no cantar do Chimango! Mas, claro, é um preconceito com o Chimango, coitado que nada tem a ver com isso! No Brasil, essa palavra também tem aplicações na culinária, referindo-se a certos biscoitos muito deliciosos



O Carrapateiro é ave conhecida em todo o Brasil, enquanto o Chimango é concentrado no Sul e algumas ocorrências mais esparsas mais ao norte. até o estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Também quanto à alimentação essas aves tem afinidades. O Chimango costuma se alimentar de carniça, mas aprecia vermes do gado, filhotes perdidos dos ninhos, chegando mesmo a atacar outras aves. O Carrapateiro tem esse apelido pelo hábito utilíssimo que tem de retirar carrapatos do gado bovino, equino e outros, e mesmo outros animais  como capivaras, veados, etc. Em nossa excursão tínhamos a expectativa de encontrar essa ave para compara-lo com o carrapateiro e tivemos essa sorte, de conhecer o Chimango.

Obrigado às amigas e amigos que nos honram com suas visitas!!!



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

TREINANDO A IDENTIFICAÇÃO DE MAÇARICOS.




Nossa cidade de Vitória-ES, está situada no paralelo 20 graus sul, e podemos dizer que estamos a meio caminho entre os polos norte e sul da Terra.
Os maçaricos também sabem disso, e atualmente já foram registradas nove espécies em nossa cidade!. Essas aves, da família SCOLOPACIDAE. Passam por Vitória, de passagem em suas longas viagens. Geralmente, estão indo para para as proximidades do Polo sul ou do Polo norte, onde nidificam. Nessas longas viagens, naturalmente fazem suas paradas e nessas ocasiões, podemos ter a sorte de registra-los.
Até esta data, segundo os registros do WIKI AVES, já foram registradas as seguintes espécies em nossa cidade:

MAÇARICO BRANCO
MAÇARICO DE ASA BRANCA
MAÇARICO DE BICO TORTO
MAÇARICO DE PERNA AMARELA
MAÇARICO DE SOBRE BRANCO
MAÇARICO PINTADO
MAÇARICO RASTEIRINHO
MAÇARICO SOLITÁRIO.

Também tivemos recentemente, um dos poucos registros para o ES, feito no município da SERRA, do MAÇARICO DE COLETE.
Analisando as fotos de maçaricos feitas em Vitória, notamos que QUASE  TODOS  os registros foram feitos na Ilha do Boi! Apenas o maçarico Pintado e o Maçarico solitário foram registrados em outros locais da cidade. Fica assim, ressaltada a importância desse local como local de parada dos maçaricos migratórios.
Nosso objetivo, com este texto, é revermos alguns pontos que nos ajudam a identificar as diversas espécies.
Vamos, então, ressaltar os seguintes pontos como importantes para a identificação:

1    Tamanho da ave.
2     Aspecto do bico.
3     Coloração das pernas e plumagem.
4     Comportamento da ave.
5     Canto.

Consideramos os dois primeiros  itens  como fundamentais para se identificar um maçarico. Feito isso, passemos a revisar algumas espécies conhecidas e sua identificação.

MAÇARICO BRANCO. Calidris alba.






Esse maçarico possui um tamanho médio, entre 18 a 20 cms. Observar quanto ao bico, que o mesmo é negro, não muito comprido e apresenta-se com a base um pouco mais larga e que vai afunilando até a ponta. Chave para sua ID é a cor predominante branca da plumagem. Quanto ao comportamento ele é muito gregário, quase sempre em bandos.





MAÇARICO DE ASA BRANCA. Tringa semipalmata.



















Esse maçarico possui tamanho grande, de 33 a 41 cm de comprimento e é facilmente identificável pela mancha branca na asa. Tanto ao voar como se estiver pousado. O bico é robusto e levemente esverdeado, a cor geral da plumagem é parda clara. Devido a seu tamanho e a mancha branca na asa é fácil de ser identificado.

MAÇARICO DE BICO TORTO. Numenius hudsonicus.


















Tamanho grande, geralmente 42-45 cm. Plumagem geral cor pardo clara ou cinza como é quase padrão em maçaricos. Facilmente identificável pelo bico. Deve se ter cuidado para não confundi-lo com o maçarico-galego, espécie do mesmo tamanho, bico também torto, mas que ainda não foi registrada no ES.

MAÇARICO DE PERNA AMARELA. Tringa flavipes.

























Plumagem geral acinzentada, com pernas de colorido amarelo bem destacado. Possui cerca de 25 cm de comprimento. Parecido com o maçarico grande de perna amarela, mas é menor e o bico conforme podemos é preto e quase reto.


MAÇARICO DE SOBRE BRANCO. Calidris fuscicollis.


















O formato do bico desse lindo maçarico é similar a outros maçaricos. É de cor negra, mais grosso na base, afunilando e possuindo uma sutil curvatura. Um detalhe importante que ajuda em sua  ID é a região da costa inferior, que é branca e daí o nome popular. Possui um tamanho médio, 18 a 20 cm. 




MAÇARICO-PINTADO. Actitis macularius.


















É esse, certamente, o maçarico mais fácil de ser visto na região de Vitória. Pode-se dizer que nas migrações, é o primeiro que chega à cidade e o último a ir embora.
Sua plumagem reprodutiva apresenta pintas como do individuo . Mas sua plumagem pode variar muito, mas é fácil de ser identificado graças ao movimento de “vai-vem” que a ave faz frequentemente, assemelhando-se a um veiculo andando com o freio de mão acionado. Tamanho médio, até cerca de 18 cm. Apresenta bico médio, escuro e reto, as algumas vezes com tonalidade avermelhada. 





MAÇARICO RASTEIRINHO. Calidris pusilla.




















É um maçarico pequeno, miúdo, cerca de 15 cm. Apresenta o bico negro parecido com o de sobre branco, levemente curvado para baixo. Pernas negras. A plumagem é pardo acinzentada como nas outras espécies de maçaricos!
Esse pequeno maçarico não é muito registrado no ES. O primeiro detalhe que deve nos chamar a atenção é seu pequeno tamanho, conjugado com seu bico e pernas negras.



MAÇARICO SOLITÁRIO. Tringa solitária.























Esse maçarico é dos mais frequentes. Possui tamanho médio, cerca de 19 cm., apresenta pernas amarelas e possui um distinto circulo claro em volta dos olhos. Bico de tamanho médio, reto e robusto. Ás vezes pode ser levemente curvado para baixo.



















Acima, lado a lado, o Maçarico de perna amarela e o Maçarico solitário . Os dois, às vezes podem ser confundidos. Mas observar que o solitário possui plumagem mais escura, tem o bico mais robusto, o anel branco em volta do olho é mais nítido. O de perna amarela, obviamente, possui as pernas de um amarelo vivo e é maior em tamanho.

A Identificação de maçaricos é um dos mais estimulantes desafios que o  birder pode se dar!  Com essas pequenas notas, julgamos que podemos ajudar um pouco na busca da identidade desses nossos amigos viajantes.

Obrigado Amigas e amigos que gentilmente nos visitam!




quarta-feira, 28 de novembro de 2018

VIAGEM AO SUL DO BRASIL E SUA MARAVILHOSA AVIFAUNA.

No início deste mês de novembro, estivemos no Estado do Rio Grande do Sul, nas localidades de Mostardas e Tavares, afim de conhecer a tão elogiada avifauna da região. O Sul é famoso pela quantidade de aves aquáticas e marítimas. Destaque para as grandes lagoas que atraem milhares de aves migratórias. Além da Lagoa do Peixe, devemos lembrar da Lagoa dos Patos, que é o maior lago da America do Sul, com uma superfície superior a 10.000 Km quadrados! 
A grande viagem de migração, que muitas aves empreendem, do polo Norte ao polo Sul e vice versa, possui nas lagoas  do Sul seu ponto de parada e descanso predileto!

AS AVES DA REGIÃO, EM CARTAZ DO IBAMA:






































A distância de Vitória a Mostardas; 2.141 Km. pela Rodovia BR 101:









Algumas das paisagens da região, sempre muito encantadoras:


Nas proximidades das trilhas até os Parque Nacional da Lagoa do Peixe, a paisagem é marcada por campos de gramíneas. O horizonte é infinito.














A beleza plácida dos campos: impossível descrever! Cada pessoa tem uma impressão diferente que fica gravada na retina.


















Esses juncais são habitat de aves muito interessantes  como o Papa-piri, Tachuris rubrigastra e o Bate-bico Phleocryptes melanops.














As lagoas do Sul, são imensas, verdadeiros mares de água doce!

















A barra da Lagoa do Peixe tem paisagens espetaculares!


Alguns componentes da excursão.

















O time feminino  posa para uma foto!

Jacilda, Celi, Elzinha e Aninha.















O time masculino!

Evandro, José Silvério, Alexandre, o guia e amigo Flávio Ronaldo e Ademir.




















Até  dentro d'água! nós,  José Silvério e Aninha.























Passarinheiros em ação!






















A bucólica  e simpática Mostardas:




 Porto Alegre e sua  belíssima luz da primavera que logo chama a atenção.

Porto Alegre é uma cidade moderna e de muita beleza! Sua área metropolitana abriga uma população superior a 4 milhões de habitantes!














Feitas as apresentações, vejamos algumas das aves que registramos nessa incrível excursão!!

 O  Chimango Milvago chimango.

O Tachã, Chauna torquata.
A incrível e linda Viuvinha-de-óculos, Hymenops perspicillatus.

















 O Cabeça-seca Mycteria americana. Aqui, sem tempo de procurar o banheiro! rs.


O Maçarico-de-colete Calidris melanotos.
 O Maçarico-grande-de-perna amarela, Tringa melanoleuca.

O Maçarico-de-perna amarela, Tringa flavipes.

O Boininha, Spartonoica maluroides.
 o João-da-Palha Limnornis curvirostris.

O lindíssimo Papa-piri, Tachuris rubrigastra .

O cisne Capororoca Coscoroba coscoroba. O Sul do Brasil é pródigo em aves grandes espetaculares. E são comuns na paisagem!

O Maçarico-de-papo-vermelho, Calidris canutus. Durante a migração, em descanso reprodutivo, ele perde o vermelho do papo. 














 Um Gaivotão, Larus dominicanus apreciando um lanche nas proximidades da barra da lagoa do peixe.

O Lindo Maçarico-de-sobre-branco Calidris fuscicollis.

Flamingos Phoenicopterus chilensis. Inidividuos jovens, os adultos estavam muito longe com sua linda plumagem cor-de-rosa e não conseguimos fotos boas.









 Maçarico-de-bico-virado Limosa haemastica.

Na vegetação rasteira das dunas, tivemos oportunidade de conhecer esse pássaro muito interessante: O caminheiro-de-unha-curta Anthus furcatus.  
Seu comportamento é muito curioso, ele canta e inicia um voo vertical até uns 30 metros de altura. De lá, se despenca suavemente feito um helicóptero dando oportunidade de fotos aéreas.
O Maçarico-rasteirinho, Calidris pusilla é um dos menores maçaricos, com um tamanho de apenas 13 a 15 cm. e muito gracioso.














Colônia grande do Maçarico-branco, Calidris alba. Talvez o maçarico mais visto nessa excursão!













Trinta-réis de coroa branca Sterna trudeaui.

O Maçarico-acanelado, Calidris subruficollis.
O Mergulhão-de-orelha-branca Rollandia rolland. 
 A Marreca-parda Anas georgica.
A Marreca-colhereira Anas platalea. 















A linda Batuiruçu-de-axila-preta, Pluvialis  squatarola:

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O Trinta-réis-pequeno Sturnela superciliaris.


















A Saracuruçu, Aramides ypecaha, é a maior espécie do gênero, medindo 50 cm. de comprimento!

O Alegrinho-de-barriga-branca, Serpophaga munda.
















 A Gaivota-maria velha, Chroicocephalus maculipennis, um individuo jovem. 

Este Gavião-miúdo Accipter striatus, é um gavião pan-americano, ocorrendo em toda América, do Canadá até o sul da Argentina. Esse exemplar foi visto no Jardim Botânico de Porto Alegre.





Finalmente, em toda sua beleza  imperial, o Príncipe, Pyrocephalus rubinus.
















AGRADECEMOS ÀS PESSOAS  QUE NOS VISITAM.

Muitas outras aves foram registradas na viagem. Essa lista foi dos exemplares que consideramos mais representativos e, ou, que ainda não conhecíamos( alguns!).