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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Nyctibius aethereus: sessão de fotos dentro da mata!

 Na noite do último sábado, dia 26 de setembro passado, estivemos mais uma vez em Sertão Velho, município de Cariacica, neste Estado do Espirito Santo. A ideia era fazer uma observação de aves noturnas, uma "corujada" como dizemos por aqui!.

A Mãe da lua-parda, Nyctibius aethereus no momento em que acordou e bocejou!

Terminamos por registrar apenas quatro aves noturnas, Nyctibius aethereus, Pulsatrix koeniswaldiana, Nyctidromus albicollis e a Megascops atricapilla. A primeira é nossa ave motivo deste post, as demais foram a Murucututu de barriga amarela, o bacurau comum e a Corujinha sapo.
Já conhecíamos essa mãe da lua e seu pouso há algum tempo. Mas, desta vez, pretendíamos observar a ave em seus primeiros movimentos da noite, justo ao "acordar" de seu sono e começar o seu "dia de trabalho".


A ave quase no momento de acordar. Já com os olhinhos abertos e talvez, vasculhando os arredores!.












Logo depois, a ave voou para esse galho horizontal. Era tudo que nós, fotógrafos do COA/ES queríamos! Fizemos as fotos, aproximando-nos cada vez mais da ave.
Demonstrando incrível mansidão, ela deixou nos aproximar até há uns 5 metros de distância.








Tentando capturar alguns insetos ela voou para esse galho e continuou com sua aparente calma.













Outra pose: dessa vez de frente para o paparazzi














Finalmente a última foto! Depois disso a ave voou para o interior da mata à procura de mais insetos e perdemos contato.
Observar a cor da plumagem, e também, o comprimento da cauda, um dos fatores importantes que diferencia essa espécie das demais!
Infelizmente não vocalizou nenhuma vez!

Importante esse registro dessa ave incrível! Conseguimos acompanhar seus movimentos iniciais desde o despertar até o momento em que começou a caçar.




Essa é uma ave rara, habitante do interior de florestas altas. Abaixo o mapa de distribuição dos registros dessa ave no Brasil:


Mapa copiado do Wiki Aves. Os pontos em vermelho são os locais onde já foram feitas fotografias de N. aethereus. Os registros são todos da Amazônia e da Mata atlântica do leste do Brasil.





 Conf. www.wikiaves.com.br







A Mãe da Lua parda, mede comumente 46 a 58 cm., sendo a segunda espécie em tamanho, só perde para a Mãe-da-lua-gigante, N. grandis. Seu nome cientifico significa "Pássaro que se alimenta à noite no céu". Conf. descrição do Wiki Aves.
Todas as "mães-da-lua" da Mata atlântica possuem vocalizações assustadoras! Talvez a exceção seja o Urutau de asa branca Nyctibius leucopterus cuja vocalização é um assobio prolongado!

Muito obrigado às pessoas que nos visitam!!










domingo, 13 de setembro de 2020

Platyrinchus leucoryphus, o "Patinho-gigante".

O Patinho gigante, é um dos dois  registros inéditos, que conseguimos fotografar neste mês de setembro e que fizemos referencia em nossa mensagem anterior.




























 o apelido de "Gigante" deve-se à comparação com o outro patinho, encontrado também na Floresta atlântica, o Platyrinchus mystaceus, e, algumas vezes, nas mesmas matas.

O Patinho gigante tem um comprimento de 13 cm. e o outro patinho, o mystaceus, alcança 10 cm. essa pequena diferença de tamanho já valeu a nosso pequeno herói a alcunha de "gigante"!

Alimenta-se de insetos no interior da mata e às vezes, acompanha bandos mistos de aves. Também está ameaçado de extinção, categorizado pela IUCN como  VU, de vulnerável.

Posso dar testemunho que se trata de ave rara. Observador de aves há muito tempo, a única vez que consegui registrar esse patinho foi quando iniciei-me na atividade, no ano de 1987 e agora!


Guiando um grupo experiente de observadores, essas foram as únicas fotos do grupo. Depois a ave se afastou e não conseguimos mais contato.

O local desse Patinho dentro da mata é parecido com o da Choquinha chumbo: nas ramagens baixas, de florestas sombreadas, às vezes subindo até o sub-bosque. Constam 288 fotos desse Patinho no site Wiki Alves. Com distribuição do Espirito Santo até o Rio Grande do Sul, na floresta atlântica, percebe-se que parece ser mais comum de São Paulo para o Sul.



Obrigado pessoas que nos visitam!!















NOVOS REGISTROS DE AVES RARAS EM SERTÃO VELHO.

 Em nossas ultimas excursões à localidade de Sertão Velho, município de Cariacica, Espirito Santo, fizemos os primeiros registros de duas espécies raras e ou ameaçadas de extinção. Trata-se de duas aves pequenas, do interior da floresta. Neste artigo, falaremos sobre uma delas. A Choquinha-chumbo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Procnias nudicollis em Sertão Velho!

Araponga: do Tupi, ara ( ave) ponga (soar).  Referência ao fortissimo canto da ave!


Procnias nudicollis, em Sertão Velho, sabado dia 05-9-2020.Esse é o momento da violenta "martelada" que a ave vibra na natureza. O canto da Araponga da Amazônia é mais espetacular, parecendo-se com o forte badalar de um sino! Distância focal usada nessa foto: 800mm; Canon 100-400mm x Extender 2.0A Araponga vocaliza chamando a atenção de fêmeas para acasalamento.

Cotingas são aves muito especiais! Já mencionei aqui neste blog sobre algumas das particularidades dessas aves tão interessantes. No conjunto dessa famosa família de aves, ressalta-se o grupo das arapongas. Incríveis aves de plumagem predominantemente branca, com vozes altissonantes que enchem nossas matas de vibrações.

Neste sábado dia 5 de setembro, voltamos à localidade de Sertão Velho, município de Cariacica neste Estado do Espírito Santo, distante 36 km aqui de minha casa, dentro da cidade de Vitória. Há muito tempo acompanho nossas populações de arapongas, Procnias nudicollis, preocupado com sua preservação. Mas, felizmente, observo que suas populações aparentemente não estão declinando. 

O método que usamos para fazer essas avaliações é puramente auditivo: esperar os meses de agosto até novembro e observar a quantidade de machos vocalizando procurando atrair suas fêmeas. Os machos, nessa epoca, cantam sem parar, "martelam" insistentemente visando atrair as fêmeas. E, mesmo com algumas dificuldades, noto que a espécie não declinou no período de 1986 a 2020.

As ameaças para P. nudicollis são a destruição da mata atlântica e a captura ilegal para servir como ave de gaiola. Mas, pelo menos essa última ameaça podemos dizer que foi atenuada nos últimos tempos. O comportamento da araponga é de ser uma ave "pequena migratória", realizando deslocamentos altitudinais. Por vezes aparece nas matas de baixada em invernos mais frios, outras vezes fica restrita às matas serranas, geralmente mais bem preservadas. Procnias nudicollis é uma ave que habita tanto as montanhas quanto as baixadas, aparentando ser menos exigente que sua irmã da Amazônia! Seja como for, atualmente registramos uma boa população dentro e nas proximidades da Reserva de Duas Bocas. Principalmente trata-se de ave frugivora, mas, há noticias dce um pequeno consumo de insetos.

Há um ano atrás, estivemos em Parauapebas, Pará, na Serra dos Carajás, para conhecer a espetacular Araponga da Amazônia, Procnias albus, fato citado aqui neste blog e até hoje como a maior excursão de birding que participei.Mas eu confesso que fiquei mais preocupado com a preservação da Araponga da Amazônia do que com a nossa aqui do Sul/Sudeste! Explico: Procnias albus, a da Amazônia, é uma ave habitante de montanhas da Amazônia! Isto é, regiões de altitude dentro da enorme floresta. Como a bacia amazônica é uma planície, com poucas elevações, a altitude média da bacia é uns 200 metros, resulta que temos pouquíssimos locais dentro da enorme floresta amazônica propícias a existência da Araponga da Amazônia! Fato esse comprovado, que até hoje a espécie somente foi encontrada em poucos lugares. Como nas proximidades do Monte Roraima, de altas altitudes, ou então, na Serra dos Carajás, no Pará, cuja altitude máxima alcança 716 metros! Sobre a Araponga da Amazônia, vejam: http://www.jornaldasavesepeixes.net/2019/08/procnias-albus-espetacular-araponga-da.html?m=1











O espetáculo que as arapongas propiciam ao observador(a) nessa época do ano é indescritível! Lembrando que a voz da Araponga foi definida por SICK como "a voz da mata atlantica" Gravamos o som dessa ave das fotos, e depositamos no WA. Quem se interessar, por favor, acesse o link abaixo:

Procnias nudicollis

O que nos enche de esperança de que essa ave magnífica  consiga escapar à extinção.

Muito obrigado pessoas que nos visitam!





 

 

 

 

 

 

 

 


domingo, 30 de agosto de 2020

Canon 100-400 mm IS II + Extender Canon 2.0 III

 

Uma constante na fotografia de aves é a preocupação em “alcançar” aqueles alvos mais distantes! Os fotógrafos de aves sempre querem alcançar aquela ave que está mais longe, muitas vezes fora do alcance das lentes convencionais. Uma lente supertelefoto poderia resolver nosso problema! Mas a que custo? Tanto em dinheiro ($) quanto no peso, essas lentes são quase inacessíveis para nós fotógrafos amadores de aves! A lente Canon 100-400mm. É uma das mais usadas na fotografia de aves, e sua DF é muito boa, mas muito menor que outras super-teles, com 600mm e 800mm.

E o peso dessas lentes? Um 600 MM F/4, modelo atual da Canon pesa mais de 3 kilos e ao custo de uns USD 13.000 !!! A 800 mm F/5.6 pesa 4,5 kilos e custa também cerca de USD 13.000.

Então, para atender a nós, fotógrafos amadores, desprovidos de dinheiro, mas com alma de “sniper-fotograficos”, rs, os Extenders existem para nos proporcionar essas distâncias focais maiores. Mas, também impõe alguns custos em termos de qualidade de fotografia. A mais conhecida, é que por melhor e mais preciso que seja, todo TC ou extender, reduz a nitidez e qualidade da imagem resultante. Isso por que adiciona mais vidro por onde terá que passar essa imagem, além de diversos outros fatores que podem influenciar na qualidade como diferenças de construção e qualidade dos materiais tanto da lente quanto do extender. E mais ainda, todo extender “rouba” pontos de luz na composição da imagem. Por exemplo, uma lente como a Canon 100-400 mm., cuja abertura máxima é de 5.6, com o TC. 2.0, passará a ter uma abertura máxima de 11.2 !. A consequência primeira desse detalhe, é que você perderá o precioso foco automático da lente quando o Extender estiver acoplado. Já que as Canons, só funcionam com foco automático, quando a abertura máxima da lente for até. 8.0.

Então, como é na prática, usar o Extender Canon 2.0 III com a lente 100-400mm ? Para entender essa questão, fiz hoje um pequeno teste para ver as repercussões do uso do extender.


O ponto branco no meio da foto é uma Garça branca grande, Ardea alba. Essa foto, sem crop, foi feita com a lente 100-400mm  e essa é a imagem original vista no LCD da camera Canon 5D Mark IV.
Sem crop a imagem da ave praticamente desaparece do visor da câmera.

Importante informar, que a foto foi feita de minha janela a uns 300 metros de distância.









Com o crop já é possível ver a ave. A distância focal desse fotografia foi os 400 mm da lente. Como disse, para aumentar a imagem, já cortei a imagem original.











Com o uso do Extender 2.0, e abertura de f/11.
Foto sem o crop para aproximar a imagem.












Com o crop a imagem mostra a garça bem próxima e com alguma nitidez. Lembrando que com a abertura de f/11, essas fotos foram feitas com o uso da focagem manual.
Na lente 100-400mm da Canon, ao se posicionar, a alça do tripé levemente para a esquerda, fica menos desconfortável se usar a alavanca do foco manual, ficando fácil girar a manivela em busca do ajuste do foco o mais perfeito possível. Essa é uma constatação pessoal deste usuário.

Foto a seguir, mostrando a mesma nitidez e qualidade mesmo após a aplicação do corte na imagem para proporcionar a visão da garça "de perto"!

Se não se usar um tripé, é necessária a concentração do fotógrafo para a imagem ficar o mínimo tremida.













A conclusão? Mesmo considerando a sútil queda na qualidade da imagem, o uso do Extender 2.0 da Canon, na ultima versão, pode ser muito útil em situações especiais, particularmente quando a ave a ser fotografada estiver pousada a uma grande distância!  Extenders são equipamentos para serem utilizados nessas situações especiais. De forma nenhuma substituem o uso normal e diario da lente principal. Quando a ave estiver pousada, longe, e precisamos aproximar, aí será o caso de se lembrar do extender guardado no fundo da mochila. Em distâncias menores e quando a ave estiver voando, o uso do extender ficará menos indicado. Lembrando que deveremos usar o foco manual quando o extender estiver acoplado entre a câmera e a lente.

Muito obrigado pessoas que nos visitam!!



 


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Polytmus guainumbi, O Beija-flor-de bico-curvo.

 

Trata-se de um beija-flor, aparentemente sem grandes encantos ou detalhes marcantes. O principal, é o que lhe vale o apelido: Bico curvo!.

Pode-se ver que esse Beija-flor apresenta o longo bico um pouco encurvado. Normalmente sua plumagem é até, um pouco apagada, com poucos detalhes de cores iridescentes!

Porém, esse exemplar fotografado em um momento de descanso e relaxamento, mostrou muitas cores que normalmente passam despercebidas!. É o que se pode ver com penas até vermelhas próximas à rabadilha.


Trata-se de um beija flor com ampla distribuição aqui no Brasil, ocorrendo desde a Amazônia até o sul do país, conf. mapa de distribuição do WikiAves (www.wikiaves.com.br):


No Estado do Espírito Santo esse beija flor é comumente visto nas capoeiras ralas e restingas da baixada litorânea. Mas sua estadia predileta parece ser mesmo o interior dessas matas ralas e baixas.
Essa ave tem um comprimento médio de 10 cm., e, como todos os beija flores, se alimenta  principalmente de nectar, de plantas de jardim, rubiaceae, leguminosas, etc. juntando alguma matéria de origem animal, insetos e até mesmo pequenas aranhas.

Não é raro, mas também não chega a ser abundante.

Nos ambientes da baixada litorânea, pode ser avistado até com certa frequência. Aparentemente trata-se de espécie sedentária.






Essas fotos foram tiradas de dentro  capoeira, vegetação secundária sombreada, de cerca de uns 5 metros de altura.

















Essas fotos, de Polytmus guainumbi, foram feitas na quinta-feira, dia 27 de agosto de 2020, no Local conhecido como Alagados do contorno de Vitória, onde normalmente fazemos excursões rápidas.















Os integrantes da excursão aos alagados do contorno da capital do Estado do Esp. Santo. Todos do COA/ES.




O "Blog-passarinheiro"  em ação com sua inseparável Canon.

























Agradecemos aos amigos que nos prestigiam com suas visitas: muito obrigado!



domingo, 23 de agosto de 2020

E continua a visita das Aves à canela Nectandra!

 Publicamos recentemente que na localidade de Sertão Velho, municipio de Cariacica, neste estado do Espirito Santo, encontramos uma árvore de Canela branca, que supomos tratar-se de Nectandra membranacea, cujos frutos estão amadurecendo, atraindo assim muitas aves. Estivemos no local novamente, em 20 de agosto recente, para observar o movimento. No intervalo de duas horas registramos muitas aves conforme abaixo ( algumas!):


O Sabiá-Una, Turdus flavipes compareceu com vários machos e fêmeas ao banquete da canela, que aqui pode ser vista com seus grandes cachos de bolotas.

Trata-se de ave pequena migratória, que passa o inverno no Espírito Santo e Bahia, fugindo do frio da Serra do Mar e do Sul do Brasil.



O Surucuá-variado Trogon surrucura aurantius já tinha aparecido desde nossa última viagem ao local. Continuam fregueses assíduos dessa fruteira. Aqui a fêmea. O macho também compareceu conforme foto a seguir.










O macho da espécie Trogon surrucura aurantius. Observar que a canela produz uma grande quantidade de frutos em todos seus galhos.








Ao lado a fêmea do Araçari-poca, Selenidera maculirostris. Foi a primeira vez que vimos a fêmea nessa fruteira!

Na ultima vez, fotografamos o macho e mencionamos que ele vocalizava chamando a fêmea.







Outro Araçari, dessa vez o Araçari de bico branco, Pteroglossus aracari, enchia o papo com as frutinhas da canela.

Espécie florestal que também visita matas secundárias, esse araçari ainda pode ser encontrado com relativa facilidade em nossas matas.






Depois de se fartar o Araçari empoleirou e de lá começou a vocalizar chamando os companheiros, que, infelizmente, não vieram.







Terminamos aqui nosso pequeno relato das aves que observamos visitando a canela cheia de frutos em Sertão Velho. Depois, encontramos outra dessas árvores, com poucos frutos, mas sem a procura das aves.

No lugar, ouvimos muito o canto da Araponga, Procnias nudicollis, outra grande frugivora,  mas infelizmente elas não procuraram ainda essa canela.

Muito obrigado pessoas que nos visitam!!