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domingo, 19 de novembro de 2017

SOBRE MÃES DA LUA Nyctibius!

A família Nyctibiidae pode ser descrita como a "Família Adams  das Aves"!  Isso devido ás características bizarras e diferentes de suas espécies. Desde muito cedo essa família sempre me fascinou e me enchia de curiosidade! Afinal, o canto melancólico e fantasmagórico da ave ouvido sempre à  noite, assustava, mas eu não há conhecia pessoalmente e ao vivo! Somente por desenhos e fotos em livros. 

Tem uma ave aqui? Tem, não é um pau seco, é o Mãe da Lua, N. griseus!











Posteriormente, em 1994, conseguimos pela primeira vez ter contato com essa ave incrível. Mas na época, praticava a observação apenas com binóculos, não tirava fotos. De tal sorte, que até meu filho, então, com 7 anos de idade, fez um desenho da ave para guardar como recordação.




O desenho que meu filho Marcelo, então com 7 anos, fez do Mãe-da-Lua  Nyctibius griseus em 1994.

Nessa ocasião do aparecimento desse Nyctibius griseus, em 1994, na zona rural de Itarana neste estado do Espirito Santo, uma verdadeira romaria de curiosos se formava todos os dias para conhecer a ave empoleirada no galho.

No Estado do Espirito Santo, temos a ocorrência de 4 espécies dessas aves, da família Nyctibiidae: Nyctibius griseus, Nyctibius grandis, Nyctibius  aethereus e o Nyctibius leucopterus. No Brasil todo são cinco espécies, todas essas quatro relacionadas e mais o Urutau-ferrugem, o Nyctibius bracteatus. Um dos hábitos mais curiosos dessas aves, é sua eficiente e inacreditável capacidade de se mimetizar no ambiente! São capazes de ficar horas, imóveis, na ponta de um toco de árvore simulando ser apenas a continuação do tronco! Trata-se de uma das mais eficientes formas de camuflagem utilizadas por aves desse continente!


São aves insetivoras, noturnas, dotadas de boca de abertura muito grande ( dizem que essas aves ficam de boca aberta, pousadas, esperando os insetos.) Pode-se dizer que não são aves comuns, mas creio não estarem ameaçadas de extinção visto que são registradas periodicamente. Segundo o WikiAves, "Nyctibiidae é a família de urutaus. Os urutaus são aves noturnas restritas às regiões mais quentes do continente Americano. São aves exclusivamente noturnas, dotadas de cabeça larga e achatada, bico e pernas pequenos e enormes olhos. As asas e cauda são consideravelmente longas e o corpo robusto e musculoso."


A denominação "Mãe-da-Lua" é muito usada no interior do Brasil, mas confunde-se com o nome indígena    Urutau. Talvez essa denominação popular venha da crença de que ave lança seu canto, um lamento alto e decrescente, em noites de lua cheia e olhando para a lua! Tanto é que em certos lugares seu nome popular é "Chora lua" como se a ave chorasse olhando para a lua. Mas acreditamos tratar-se de crendices, pois seu canto, embora possa ser mais ouvido nas luas crescente e cheia, pode ser ouvido também nas demais fases da lua, mas com frequência menor! Na língua Tupi, Urutau  significa "Ave fantasma". Certamente essa designação indígena tem a ver com o canto da ave, realmente assustador e capaz de surpreender o caminhante à noite nas florestas ou campos. Mesmo esse canto sendo privativo de Nyctibius griseus, não se pode esquecer que as vocalizações das outras espécies são também bastante assustadoras, principalmente o Nyctibius grandis e o Nyctibius aethereus. Já os demais não possuem esses cantos assustadores e o canto do N.leucopterus é até um assobio melodioso!

Em nossas excursões, já registramos três espécies de Mães da lua, e fotografamos! Apenas ainda não conseguimos fotografar  foi o Urutau de asa branca, o N.leucopterus. Passaremos a partir de agora, então, algumas histórias dos encontros com essas aves tão enigmáticas quanto curiosas!!



O Campus da UFES- Universidade Federal do Esp. Santo, é habitado por uma boa população de Urutaus! Foi lá que fizemos essas fotos incríveis dessas aves, em sua costumeira posição de camuflagem! Simulação da ave na mesma cor do tronco e aparentando ser uma continuação do galho!

Nyctibius griseus.









A ave  no campus da UFES, mas fotografada à noite! Esse exemplar estava nas árvores do mangue vermelho Rhizophora mangle.











 Nessa época, conseguimos também encontrar  o "ninho" de Nyctibius griseus e pudemos acompanhar os cuidados parentais, com a ave cuidando de seu filhote durante vários dias. Mães da lua chocam apenas um ovo, que fica apoiado no poleiro escolhido pela ave.

Alimentação do filhote de N. griseus.






















Durante o dia, ainda era possível perceber que por baixo da plumagem do adulto, o filhote de N. griseus já estava crescido e breve não caberia mais debaixo da camuflagem da mamãe!














O milagre da natureza se completou e agora o filhote de N. griseus, já bem crescidinho, faltando pouco tempo para voar. Na época, fizemos uma brincadeira, batizando o filhote  de "GEORGE", em homenagem ao príncipe.

Em posição ereta, mimetizando-se com o tronco. Atitude tipica da espécie.


Alguns dias mais velho, GEORGE, flagrado numa rara cena de descanso, sem estar na posição de sentido.











AGRADECEMOS A VISITA DAS PESSOAS INTERESSADAS EM NOSSAS AVES E PROMETEMOS PARA BREVE  OUTRA RESENHA FOTOGRÁFICA SOBRE MAIS DUAS ESPÉCIES DE NYCTIBIUS: grandis e aethereus.

💚👍









sábado, 18 de novembro de 2017

FLAMBOAIÃ e Beija flores!

O Flamboaiã, Delonix regia, é uma árvore da família das leguminosas, oriunda de Madagascar na África e que por sua beleza espalhou-se pelo mundo inteiro, principalmente em regiões tropicais e subtropicais.

No Brasil, adaptou-se muito bem e é muito usada na arborização urbana. Hoje relato um Flamboaiã totalmente florido, belíssimo com suas flores vermelhas e, onde em pouco tempo, pude vislumbrar três espécies de beija flores:


Nos meses de primavera, a partir de outubro e até o verão, essa árvore floresce e suas flores, desse belíssimo vermelho, atraem muitos beija flores atrás do pólen e alguns, ficam tão entusiasmados, que chegam a se "lambuzar" nas flores:


Esse aí, o Bico reto-de banda branca Heliomáster squamosus, está com o peito todo "crescido" com os resíduos das flores e pólen.













Nessa foto, dá pra ver, o estado do Heliomaster  com o pólen.
















Mas não foi somente o Bico reto Heliomaster que se fartou nas flores!

Esse do lado aí, é o Beija flor de peito azul Amazilia lactea que também ficou marcado pelas flores vermelhas.















Também o Beija flor preto Florisuga fusca no local, me surpreendendo, pois normalmente é mais comum em regiões serranas aqui no ES.














O peito azul Amazilia lactea visto de outro angulo. 














Ressaltando a beleza dos Beija flores e do Flamboaiã, um abração em todas e todos e MUUITO OBRIGADO pelas visitas!!!👍

terça-feira, 14 de novembro de 2017

EXPEDIÇÃO Á LAGOA DE JUARA

Quando era jovem, adorava ler artigos ou mesmo livros sobre expedições! Eram os livros dos naturalistas viajantes europeus que percorreram o Brasil nos séculos XVIII e XIX, como Saint Hilaire, Deuscourtilz e outros. Um dos artigos mais interessantes, lembro-me do título até hoje: "A Expedição Langsdorff ao Brasil". Relato de incrível expedição comandada pelo sábio russo Georg Von Langsdorff ao Brasil, penetrando pelo interior do país e percorrendo 16.000 km! Incríveis as histórias e as descobertas de então em um território ainda selvagem, nos idos de 1824 até 1829 . O encontro com índios no interior do Brasil, os perigos representados pelas feras como a onça pintada Phantera onca ou o Puma Puma concolor e sem falar nas serpentes perigosas como a cascavel Crotalus durissus ou a surucucu-pico-de-jaca Lachesis muta. As aves então, eram um capitulo à parte!

Por essa razão, quando vou conhecer uma área nova para mim, mesmo que já tenha estado lá próximo, lembro dos relatos dos antigos naturalistas viajantes, e me imagino em uma expedição, anotando tudo para, também, tentar efetuar relatos interessantes! Procurando passar aos leitores e leitoras, toda a emoção e curiosidades existentes nessas excursões!




A Lagoa de Juara situa-se no município de Serra, Estado do Espirito Santo, Brasil.


A lagoa e suas margens, foram com o passar do tempo, convertidas em uma ilha natural dentro da zona urbanizada. Mede cerca de 6 km. de comprimento com larguras variáveis que podem chegar a quase 1 km.

Fonte: http://wikimapia.org/7197222/pt/Lagoa-do-Juara












aspectos da lagoa.






























As margens da lagoa são ocupadas por matas secundárias em variados estágios de recuperação.































Os "expedicionários", primeiro plano Mario Candeias e ao fundo, eu José Silvério, Evandro Limonge e o Piloteiro Antônio.















As aves  que vimos durante a excursão:


 Frango d'água azul  Porphyrio martinicus.

Biguá Nannopterum brasilianus.

Sanã-parda Laterallus melanophaius.
 Savacu Nycticorax nycticorax.imaturo.
Andorinha do rio Tachycineta albiventer.


Anu-coroca Crotophaga major.

Garça-moura Ardea cocoi.

Pernilongo de costas brancas Himantopus melanurus.

Urubu de cabeça amarela Cathartes burrovianus.

Socó-boi Tigrisoma lineatum.

Guaxe Cacicus haemorrhous.




















Colônia de ninhos de Guaxe Cacicus haemorrhous, localizada no interior da  lagoa.





Pomba galega Patagioenas cayennensis.

Gavião-de-cabeça-cinza Leptodon cayanensis. 

Espécie florestal que deve habitar as matas secundárias do lugar.
Savacu Nycticorax nycticorax.

Carretão Agelasticus cyanopus. femêa.

Socozinho Butorides striata.

Garça branca grande Ardea alba.






















Marreca toicinho Anas bahamensis.














Além dessas aves, o colega Mario Candeias conseguiu fotografar um mamífero importante, e considerado como NT, " nova ameaçada". Trata-se da Lontra, mamífero que habita regiões alagadas e lagoas margeadas por vegetação alta.


Lontra longicaudis.

Toda a região da Lagoa precisa ser preservada pois se constitui em um importante reservatório de vida para a fauna. São preocupantes as noticias sobre mortandade de peixes decorrentes de poluição e também pela entrada anormal de água do mar na lagoa em virtude de abertura do canal entre os dois corpos d'água.

Os resultados da expedição foram satisfatórios, mas não completamente. Tinhamos esperança de registrar o Socoí amarelo Ixobrychus involucris, bem como algumas sanâs mais raras como a Sanã-do-capim Laterallus exilis. O que não ocorreu, ficando para próximas excursões.

Agradecemos muito as  visitas de nossos leitores!!



sábado, 11 de novembro de 2017

Uma dupla de HUMILDADE e IMPONÊNCIA

No dia de ontem, 10 de novembro de 2017, estivemos fazendo excursão à Lagoa de Juara, a segunda consecutiva, para conhecer o final da área da lagoa e investigar melhor as aves que ali ocorrem. A postagem definitiva sobre essa excursão, terá o título "Expedição à Lagoa de Juara" e será publicada durante a próxima semana.

Porém, adiantamentos um flagrante dessa excursão, resumida na foto abaixo:



A Humildade do Urubu, Coragyps atratus, contrastando com a altivez da Águia Pescadora
Pandion haliaetus.

Pandion é uma águia migratória, que aparece em nossa região sempre na primavera, onde fica até o verão ou até mesmo o outono. Apesar de já terem sido vistos filhotes acompanhando adultos, ainda não se registrou a nidificação dessa águia em nosso país.  Já o Coragyps não é migratório.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

EXPEDIÇÃO Ixobrychus exilis


O  Socoí vermelho Ixobrychus exilis, é uma ave da família das garças e socós (Ardeidae) e é uma espécie pouco registrada aqui no Brasil. Trata-se da menor espécie da família. Sua área de ocorrência é o continente americano, desde a América do Norte,  até o sul da América do Sul. o nome popular em inglês Least Bittern. Já havíamos registrado esse pequeno socó em outras ocasiões, mas a particularidade dessa ave é a sua extrema dificuldade de se deixar fotografar! Não é que seja raro, ele não o é! Mas, entretanto sua capacidade de se ocultar nos brejos de taboas (Tipha domingensis) dificulta muito qualquer tentativa de fotografa-lo!. Tais características encontram-se bem descritas no site Wiki Aves (www.wikiaves.com.br) . Segundo o site: "Habita brejos com vegetação densa, na qual movimenta-se com extrema facilidade. É pouco visível em meio à vegetação pantanosa. Tentando passar despercebido, permanece imóvel, com o pescoço esticado e o bico voltado para cima. Corre em meio às taboas, voando apenas como último recurso para fugir."

Hoje,09 de novembro pela manhã, estivemos na Lagoa de Juara, município de Serra, Espirito Santo, onde já sabíamos que esse interessante pelecaniforme habita. Nosso objetivo, naturalmente, além de uma boa foto, seria prestar atenção nos hábitos curiosos desse SOCOÍ, principalmente, sua timidez e o porque da grande dificuldade em fotografa-lo ou mesmo registra-lo.

Uma das margens da lagoa e seus extensos taboais..



VISTO  de perto, um exemplo dos locais onde Ixobrychus se esconde e vive:

















Depois de algumas tentativas, o Socoí finalmente respondeu nossos chamados feitos com o gravador! Demoramos muito tempo para localizar de onde vinha seu chamado, dentro das moitas de taboa:

O chamado, um pouco gutural, vinha daqui, mas nada da ave!













Finalmente! Conseguimos ver o "danadinho"  bem oculto no meio da vegetação de taboas! E o interessante é que ele fica muito tempo nessas posições. Não se mexe e me passou a sensação, de ser uma ave até mesmo um pouco preguiçosa!








Aqui já é possível ver com alguma nitidez, o socozinho bem escondido e em segurança!













Mas, a curiosidade é grande! Ouvindo o chamado de sua espécie, e estando na época de nidificação, esse macho procurava adivinhar de onde vinha o chamado! Talvez pensasse: " seria uma namorada em potencial?"









E continua a busca! O Socoí é uma ave de 28 cm. de comprimento, e, como já disse, é a menor da família Ardeidae.
















"Mas que menina de voz linda, mas onde está ela?"

continua a busca e vai saindo cada vez mais do esconderijo, o bunker.

















"Não tem jeito! Para conversar com essa garota vou ter de me expor e sair desse buraco"


















"Linda, cadê você? eu vim aqui só pra te ver!💝"
















"Pausa para redefinir estratégias!"




















"Viro de um lado, de outro, e nada! onde estará minha futura namorada?"
















"Será que você existe mesmo? 💖💖💖💖"

















"Quase me mostrando por inteiro e no aberto! o Que o amor não faz?!"















"Estou ficando desconfiado! Não seria um paparazzi?"


















Observamos aqui, que o Socoí quando voa, geralmente está pressionado por algum perigo, e é um voo baixo e rasante sobre a vegetação de taboas, mais uma característica que torna difícil registrar essa ave!
O deslocamento normal da ave nesse meio, é feito galgando as taboas ou então na ramagem mais baixa. Parece que seu voo não é habitual, só ocorrendo em caso de necessidade.















Foto sofrível, apenas colocamos aqui para ilustrar o que dizemos sobre o voo dessa ave! Entre a vegetação e nunca acima, no máximo rente à vegetação de Tipha.







MUITO OBRIGADO AMIGAS E AMIGOS  QUE NOS VISITAM!
Jsl, 9.11.2017