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quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Registro da Maria Cabeçuda, Ramphotrigon megacephalum

 Recentemente, agora no final de setembro ficamos conhecendo mais uma excelente localidade para se observar aves. Trata-se da Reserva Águia Branca localizada no município de Vargem Alta. 

A Reserva de Águia Branca situa-se na região montanhosa do estado, estando a cerca de 700-900 metros de altura. Nessas condições, ela apresenta muitas espécies de clima mais ameno e no caso da Maria cabeçuda, até o momento foi localizada no ES apenas nessas regiões montanhosas. Porém,  essa não é uma característica exclusiva dessa espécie, pois já foi registrada em matas de baixadas quentes  como na Amazônia.


Apesar de ser classificada pela IUCN como "não preocupante", quanto às ameaças e possibilidades de sobrevivência dessa espécie, podemos afirmar que não é uma ave encontradiça com frequência.

Até o momento, tínhamos registrada na Trilha dos Tucanos em São Paulo, em condições ecológicas muito parecidas às da Reserva de Águia Branca. 

Também ouvimos seu canto na Reserva Augusto Ruschi no município de Santa Teresa neste estado do Esp. Santo.

Mais uma vez confirmando a preferencia da ave por florestas úmidas das montanhas.



Distribuição dos registros da Maria cabeçuda, Ramphotrigon megacephalum segundo o Wiki Aves. 

https://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_maria-cabecuda

Podemos notar que se trata de uma ave não muito comum, muitos registros na zona de matas costeiras e alguns registros na Amazônia.







Trata-se de pássaro pouco conhecido devido a seus hábitos discretos, e ao fato de preferir o interior penumbroso da mata, onde pode passar facilmente despercebido. Para o observador de aves, conhecer seu canto é fundamental para poder procura-la e conseguir fotografar.

Muito obrigado pessoas que nos visitam.!!

terça-feira, 3 de outubro de 2023

O Sabiá barranco, Turdus leucomelas, ave adaptada à cidade!

 Turdus leucomelas, o Sabiá barranco, originalmente considerado uma ave florestal, ou como diz o Wiki Aves, uma ave semiflorestal, adaptou-se muito bem no ambiente urbano arborizado como o bairro Jardim da Penha em Vitória.

Como o bairro é bastante arborizado e ainda limita-se com áreas verdes próximas como o mangue do campus da UFES, presumimos que essa adaptação processou-se de forma muito calma e natural.


É ave muito comum, e nessa época do ano, primavera, onde estão sempre nidificando, podemos ouvir o seu canto calmo e monótono com muita frequência.






Recentemente fui surpreendido com a ave nidificando no prédio onde moro. A ave escolheu para colocar seu ninho em uma bifurcação de encanamentos na área comum do prédio.


É o único turdídeo aqui no nosso bairro. No campus da universidade, aqui próximo, ele tem a companhia do sabiá poca, Turdus amaurochalinus, e,  até o momento, são os únicos sabiás que já registrei aqui nessa parte da cidade. Até mesmo o Sabiá laranjeira, Turdus rufiventris, tão citado para muitos locais, ainda não o vimos por aqui.

Em seu livro Passaros do Brasil, Eurico Santos, cita esse sabiá, e diz que "É cantor de boa escola e, quando a vidinha lhe corre bem, com um olho muito esperto para os frutos e o outro namorando a jovem companheira, encarapita-se numa grimpa e, embocando a sua flauta, atira para o anfiteatro amplo da mata ou da campina a sua canção límpida. É um elogio rimado ás delicias da vida, ao amor e aos frutos capitosos, mas com uma pontinha de romantismo, sentimentalismo de poeta. Canto esse, que os caboclos, ás vezes interpretam com motivos tristes e saudosos, como sendo um "Eu plantei e não nasceu, apodreceu, frio, frio".

Então, são essas as nossas impressões desse vizinho simpatico e que, algumas vezes, nos surpreende também com um sinal de alerta arranhado e rascante, assustado, como se quisesse nos prevenir de algum perigo!

Muito obrigado pessoas que nos visitam!!