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domingo, 23 de agosto de 2026

O Fenômeno de extinções locais de AVES.

 A localidade de Chaves, onde situa-se a Cachoeira véu de noiva no município de Santa Leopoldina neste estado do Espirito Santo, é por nós conhecida desde o dia 03 de janeiro de 1987. Ou seja, praticamente 40 anos!  Dessa forma, podemos comentar algo sobre espécies já registradas no lugar e não mais encontradas.


De forma nenhuma é nossa intenção estabelecer verdade  absoluta sobre extinção dessa ou outra ave no local, apenas pretendemos comentar sobre algumas vezes antes vistas e registradas no lugar e sua ausência atual no mesmo lugar.

O Local situa-se a cerca de 500 metros de altitude e podemos dizer que é o primeiro degrau da subida da serra rumo ao planalto. É formado pela mata atlântica em diferentes estágios de sucessão vegetal, existindo desde campos sujos desmatados, capoeiras,  até locais de mata atlântica original parcialmente alteradas, principalmente no topo dos morros. E também, plantações de bananas nas encostas desmatadas.

Nesses 40 anos que conhecemos a região, notamos que houve melhoras na fisionomia vegetal do lugar. Morros, onde antigamente existiam vegetação rasteira com predomínio de samambaias, hoje ostentam capoeiras e capoeirões com algumas árvores chegando perto de 15-20 metros de altura! Assim, não houve aumento de desmatamento no lugar!

Mas mesmo assim, algumas espécies florestais, antes registradas no lugar, não mais são     observadas e nem ouvidas!

Isso nos faz pensar, que nossos conhecimentos sobre os hábitos e necessidades de nossas aves ainda são desconhecidas e podemos estar perdendo espécies por ações que poderiam ser evitadas e ou providenciadas.

ANOTAÇÕES SOBRE ALGUMAS ESPÉCIES:

1) Gavião Pombo grande  - Pseudastur polionotus.

Esse Gavião era sempre visto planando sobre as encostas da mata, 

ás vezes, dois indivíduos e muitas vezes apenas um. Era frequentemente registrado entre 1993 e  2016. O ultimo registro, publicado no Wiki Aves, data de 26.6.2017. Desde então, nunca mais os vimos no lugar.

2) Gavião pato  - Spizaetus melanoleucus.

Essa águia mascarada, na definição de William Menk, era por nós registrada nos mesmos locais do Gavião Pombo grande. Entre 2005  e 2010, vimo-la frequentemente. Inclusive realizando sua famosa caçada, quando aproveitando as térmicas, subia a grande altura, e, de lá, deixava-se cair nas copas próximas tentando capturar aves que ali se encontravam.

3) Tovaca cantadora - Chamaeza meruloides.

Ouvimos essa Tovaca, numa encosta por onde descia um córrego. em 1993, por três vezes ouvíamos a ave nesse local. Não mais registrada.

4) Cigarra bambu - Haplospiza unicolor.

Durante o período de 1993 a  2009, registramos essa ave muitas vezes na região. Não temos mais noticias sobre ela no local.

5) Anambezinho - Iodopleura pipra.

Apenas uma vez registramos esse pequena ave, próxima à cachoeira. Não fotografávamos na época e até hoje, não constam registros no Wiki Aves para o município.

6) Macuru de barriga castanha - Notharchus swainsoni.

Vimo-lo na beira da mata próximo aos bananais em 09.7.2006, único registro visual.


Alguns registros, como o Macuru, a Tovaca e o Anambezinho, podem ser considerados como raros ou ocasionais para o lugar. Quanto aos gaviões, são espécies com grande poder de voo, e podem ter se afastado do lugar para colonizar outras áreas mais propicias. Já a cigarra bambu, não encontramos explicação. Talvez a frutificação das taquaras seja a causa. 

Agradecemos aos nossos visitantes!


 





segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Algumas aves Importantes já registradas no Campus da UFES-Universidade Federal do ES.

 Situado dentro da zona urbana do município de Vitória, o Campus da UFES- Universidade Federal do Esp. Santo, ocupa uma área de 1,5 milhão de metros quadrados ou seja, cerca de 150 hectares. Contendo uma área muito arborizada, o campus é visitado por muitas aves. À área do campus, pode ser acrescentado o seu entorno, formado em grande parte por extensos manguezais da foz do Rio Santa Maria de Vitória, um importante curso d'água que drena uma área que se inicia na região serrana do Estado. Nascendo no município de Santa Maria de Jetibá, o rio percorre 122 km. até sua foz, sendo um importante manancial para obtenção de água na região metropolitana de Vitória.

Há mais de dez anos, temos feito fotos de aves nesse campus e em seu manguezal. Passaremos a relatar neste tópico, algumas aves que lá registramos e que nos impactaram como observador de aves. Talvez o termo correto para designar essa seleção de aves, não seja a palavra "importante", posto que toda ave tem sua importância. Pretendemos com isso dizer que essa seleção refere-se a aves não comumente vistas e ou registradas em dias normais.


Fotografia tirada logo acima do Planetário da UFES. Observa-se a vegetação predominante na área. O terreno da universidade é vizinho do manguezal das proximidades da foz do Rio Santa Maria de Vitória, o que amplia bastante a área verde do Campus.


A Maracanã, Primolius maracana é uma ararinha que está quase ameaçada em parte de sua distribuição original, o que nos motiva a ressaltar a importância de seu registro. Já foi várias vezes registrada no campus,. onde encontra alimentos nas árvores plantadas.


o Arapaçu de bico branco, Dendroplex picus é comum no manguezal adjacente ao campus. Como todo arapaçu, é um insetívoro contumaz. Responde ao Play- back com rapidez.


O Gavião Pombo pequeno, Amadonastur lacernulatus é uma espécie oficialmente considerada como ameaçada de extinção. Habitante exclusivo da mata atlântica, esse gavião é exímio predador de pequenos mamíferos, ratos, cobras, lagartos e insetos grandes. Os registros feitos no município de Vitória, ocorreram nas áreas florestais que circundam a cidade e entre elas, o campus da UFES. Das 14 fotos depositadas no Wiki Aves, até esta data, 07 são registradas na UFES, no campus e ou no manguezal.


A Mariquita de perna clara, Setophaga striata é uma ave migratória oriunda da América do Norte e que viaja até a América do Sul. com poucos registros no Brasil. Em março de 2025 essa espécie apareceu no campus da UFES, sendo "descoberta" pelo colega do COA/ES, Fabricio Reis Costa, proporcionando assim, um  lifer para o Estado do Espirito Santo pois foi o primeiro registro dessa ave no estado..


Durante certo tempo, entre setembro de 2014 até junho de 2015, conseguimos visualizar dentro do Campus esse filhotão de Arapapá, Cochlearius cochelearius. Ao final desse período, a ave já com plumagem sub adulta, desapareceu do campus. Provavelmente, refugiou-se no manguezal próximo.


O belíssimo Colhereiro, Platalea ajaja muitas vezes é visto na Lagoa da Ufes, e também no manguezal que circunda o campus, mas sempre em horários de maré baixa.,


O Papagaio do mangue, ou Curica, Amazona amazonica, com um pouco de sorte, pode ser registrado no campus. Alimenta-se de várias espécies de arvores que existem no campus como mangueiras, castanheiras, mas também procura as arvores do mangue próximo.


O Gavião asa de telha, Parabuteo unicinctus é um predador ativo, já registrado no campus e que aparece com certa frequência na zona urbana limítrofe ao campus. Inclusive já foi registrado nidificando no bairro próximo ao campus.


O Mãe- da- Lua, ou Urutau, Nyctibius  griseus é ave comum no campus. Em diversos locais e ocasiões, encontramo-lo, muitas vezes em poleiros diferentes. Esse individuo da foto era um filhotão cujo crescimento os colegas do COA/ES acompanharam.


Saracura do mangue, Aramides mangle, uma espécie muito arisca, habitante do manguezal, mas que no Brasil já foi registrada em outros ambientes. Não é muito comum no local, mas com um pouco de sorte podemos encontra-la. Aprecia muito os pequenos caranguejos da lama no manguezal.




TODOS ESSES REGISTROS, FORAM "CLICADOS" NA ÁREA DO CAMPUS OU NO MANGUE CIRCUNDANTE.

Como disse, essa é uma relação de aves que não são vistas "todos os dias"!! Algumas são, de fato, ameaçadas, e outras, apenas são registradas em ocasiões mais raras, mas todas ajudam a dimensionar a importância das áreas verdes para nossos bichos.

Muito obrigado às pessoas que nos visitam!!




















A Pescaria da Garça Azul.

A Garça azul, Egretta caerulea é uma garça pequena, chegando a medir 52 cms. diferente de outras garças devido sua plumagem cinza azulada. Quando jovem, possui plumagem mais branca, mas com o passar do tempo, sua plumagem vai passo a passo ganhando tons escuros, de azul até chegar à sua plumagem definitiva de tons azuis, cinza e até violeta.



 Egretta caerulea na Ilha do Boi em Vitória- ES.

Sua alimentação consiste principalmente de pequenos peixes, invertebrados, pequenos animalejos que ela captura em suas andanças pelos manguezais, praias e lagoas costeiras.

Apesara de ser típica de manguezais e lagoas costeiras, essa Egretta distribui-se por todo o pais, sendo, contudo, mais comum no litoral.

Hoje, em pequena excursão de observação de aves, flagrei um exemplar caçando seu alimento nas pedras rente ao mar, na APA da Ilha do Boi. Conferindo nas fotos abaixo.






Finalmente conseguiu engolir o peixe que, entretanto, desceu apertado.

A Garça azul é comum aqui em Vix, sempre encontrada no mangue, mas também nos píeres, e também atracadouros de pescadores como na Praia do Suá e também nas praias.

E como pescador esforçado, não deixo de ser curioso com o peixe  que o "amigo" pescou ! E nesse caso, levando em consideração o lugar que a garça o capturou, e seu aspecto, ou o seu "shape" creio ser uma Michole,  Diplectrum sp. comuns nesses lugares.

Finalizando, agradeço às pessoas que gentilmente nos visitam!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Periquito Rico ainda nos Embiruçus!

 A arvore conhecida como Embiruçu, Pseudobombax grandiflorum, quando está florindo, pode ser chamada de uma grande "lanchonete das aves" e também de outros animais.


Em suas belíssimas flores, como podemos ver, não apenas os periquitos mas também outras aves e uma multidão de abelhas procuram suas flores para alimentar-se. Já vimos nessas árvores, os periquitos ricos, como também Sais azuis Dacnis cayana, Sabiás como o Sabiá -poca, Turdus amaurochalinus, vários beija-flores como o Beija flor Tesoura, Eupetomena macroura, e até mesmo um pica pau, o Pica-pau de cabeça amarela Celeus flavescens.

Não conseguimos identificar com certeza as espécies das numerosas abelhas que estão visitando essas árvores, mas, desconfiamos que as abelhas uruçus e também as abelhas arapuãs.


Mas o visitante mais assíduo e barulhento, é mesmo o Periquito rico Brotogeris tirica.

 


Algumas das infrutescências já estão perdendo as belas cores vermelhas, mas ainda atraem muito os periquitos e as numerosas abelhas nativas, que são conhecidas como "abelhas sem ferrão"

Isso nos mostra como a natureza, quando deixada em paz, proporciona um equilíbrio delicado e muito bonito.

Muito obrigado às pessoas que nos visitam!


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Psitacídeos da UFES

 O Campus da UFES, Universidade Federal do Espirito Santo é uma grande área arborizada, limítrofe a uma grande parte do manguezal da foz do Rio Santa Maria de Vitória. Possui uma área de cerca de 150 hectares, muito arborizada com espécies de arvores exóticas e nativas. Castanheiras, Embiruçus, Sibipirunas, palmeiras, cajás- mirins e muitas outras arvores estão presentes. Em decorrência, muitas espécies de aves frequentam o lugar. Algumas, raras e até ameaçadas. A seguir, apresentamos as quatro espécies de psitacídeos frequentemente vistos no campus:


O Curica, ou Papagaio do mangue, Amazona amazonica felizmente não é considerado como ameaçado e pode ser registrado frequentemente no campus. Temos visto essas aves em bandos pequenos ou médios. Ás vezes quatro exemplares, mas já vimos bandos com mais de 15 aves.


A Maracanã, Primolius maracana é uma ave considerada como "Quase ameaçada" devido ter se tornado rara em algumas regiões. Mas no campus e proximidades temos registrado essa magnifica ararinha com certa regularidade. Na UFES costuma muito roer as amêndoas das amendoeiras.


Brotogeris tirica, o Periquito rico não era visto comumente no campus, mas com a floração dos Embiruçus, Pseudobombax grandiflorum ocorrida a partir do mês de junho p.p., apareceram em bandos numerosos, explorando todas arvores dessa espécie.


O Periquito- Rei, Eupisittula aurea, talvez seja o psitacídeo mais fácil de ser visto na capital e imediações. Muito frequente na UFES, sempre em bandos pequenos de quatro a dez indivíduos.

Esses são os psitacídeas vistos até agora em nossas visitas ao Campus da UFES. Algumas aves dessa família, não raras mas que até agora ainda não vimos lá, são os Tuins e as Maritacas.

Muito obrigado, amigas e amigos que nos visitam!

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Conhecendo o Andorinhão Estofador, Panyptila cayennensis.

 O Andorinhão estofador, Panyptila cayennensis,  é uma ave da família Apodidae, onde encontram-se abrigados  também outros andorinhões como o Andorinhão de coleira e o Andorinhão de coleira falha. Esses, geralmente são aves maiores que, voando em bandos, dão facilmente na vista. Nessas ocasiões, podemos vê-los realizando voos largos circulares, e muitas vezes vocalizando. De forma tal, que para um observador de aves, não passam despercebidos.

No caso do Estofador, Panyptila cayennensis, essas visualizações são mais raras pois a ave vive solitária ou aos pares! Mais facilmente registrado, comumente, são seus ninhos, em forma de chaminé invertida, com comprimento médio entre 60 cm a 1 metro e possuem a entrada voltada para baixo.

Ninho do Andorinhão estofador, fotografado em Afonso Claudio - ES em 01.08.2017.

Trata-se de um Andorinhão que habita área de matas e que caçam acima das matas em voos rápidos. Foi nessa situação, que em excursão de observação de aves nas matas de Chaves, nas proximidades da Cachoeira Véu de Noiva, no município de Santa Leopoldina, conseguimos registra-los. Foi na ótima companhia do colega observador dos COA- Clube de Observadores de Aves do ES, o amigo Ademir Carletti, a quem agradeço a gentileza de ter cedido essas fotos para esta publicação.




Imagens cedidas pelo amigo Ademir Carletti, mostrando o Andorinhão estofador em voo sobre a mata, caçando insetos, na companhia do Andorinhão de sobre cinzento.

A distribuição do Andorinhão estofador chama a atenção pela concentração em regiões de matas:

Fonte: Wiki Aves: https://www.wikiaves.com.br/wiki/andorinhao-estofador

Pode ser observada, a distribuição predominantemente na Floresta Amazônica, e em menor parte, na Floresta Atlântica litorânea. São regiões florestais e como sabemos que esse andorinhão não vive em bandos numerosos, a observação no campo fica um pouco mais difícil. Nessa experiencia que tivemos, o registro ocorreu pela manhã  e esse individuo que foi fotografado fazia mergulhos supostamente caçando. Verificamos que ele estava em um bando junto de andorinhões de sobre cinzento Chaetura cineireventris e também algumas andorinha pequena de casa Pygochelidon cyanoleuca.

Em voo, o Andorinhão estofador pode ser confundido com a Andorinha pequena de casa ou com a Andorinha de sobre branco que possuem coloração parecida. Mas o Andorinhão se diferencia pela cauda furcada e por voar mais alto e rápido. Nessas situações, o uso de binóculo ajuda na identificação, facilitando o trabalho, ao invés de se tentar localizar a ave por meio da lente de câmera fotográfica.

Pessoal, muito obrigado pelas visitas!

 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Algumas aves vistas recentemente! Maio de 2026.

Neste mês de maio de 2026, fizemos três passarinhadas. A primeira e mais longa foi participar do BIG DAY 2026, em que participamos com a equipe na Reserva Biológica de Sooretama, no norte deste estado do Espirito Santo. Nessa excursão, tivemos participação no registro de 60 espécies catalogadas e que tiveram suas listas devidamente depositadas no site do E-Bird.

Uma das listas:  https://ebird.org/checklist/S336720168

Posteriormente estivemos na Estrada Marginal da Reserva de Duas Bocas, ocasião em que registramos muitas aves importantes. (todas são!!!) .

E, por ultimo, na localidade de Chaves, local de otima cobertura vegetal com matas secundárias.

Em Chaves, tivemos a oportunidade de registrar ali pela primeira vez o Piolhinho chiador Tyranniscus burmeisteri, uma linda e graciosa ave.




Este Piolhinho é um pequeno insetivoro das matas. Aparece em matas primárias mas também em matas secundárias altas, o que é o caso de Chaves onde o encontramos.

Na excursão a Duas Bocas, na estrada que margeia a reserva, registramos  o Vira folhas, Sclerurus scansor. Não é uma ave fácil de ser encontrada ou fotografada! Trata-se de ave importante para o equilíbrio da floresta. Podemos dizer com certeza que esse é um pássaro exclusivo da mata, onde frequenta principalmente os lugares mais sombreados e escuros. Locais onde é impossível distinguir pormenores de cor ou espécie. Nesses locais, o Vira folha vive literalmente como lembra seu nome: revirando as folhas da serrapilheira, onde procura e encontra os insetos de que se alimenta. Seu colorido, discreto, combina muito bem com o local onde vive e passa a maior parte de sua vida, o interior penumbroso da mata. Possui um canto muito melodioso e quando vai nidificar, coloca o ninho subterrâneo, escavando uma galeria nos barrancos da mata.


Sclerurus scansor, o Vira-folha: gosta do chão da floresta mas também voa para locais um pouco mais altos.

No dia do Big Day, também fizemos registros interessantes:

Um Urubu-rei, Sarcoramphus papa  voando bem alto sobre Sooretama.


A Cambada de Chaves, Tangara brasiliensis é uma belíssima saíra mais comumente vista em matas de baixada, onde habita principalmente nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e Espirito Santo. 



Benedito de testa amarela, Melanerpes flavifrons. Pica-pau muito bonito e que não é totalmente insetivoro. Sua principal fonte de alimentação são as frutas. Mamão, laranja, abacate, etc. Complemente sua alimentação com insetos e suas larvas.


Encerrando nossas observações, no alto do tronco seco, o Urutau de asa branca, Nyctibius leucopterus, espécie que é uma das estrelas de nossas matas de baixada dos tabuleiros.


Terminamos por aqui agradecendo as pessoas que nos honram com suas visitas!




sábado, 25 de abril de 2026

O Migrante que perdeu o rumo: o caso do Maçarico de asa branca!

 Um individuo do Maçarico de asa branca, Tringa semipalmata, migrante do hemisfério norte, que registramos aqui em Vitória desde 2016, em praticamente todos os anos, resolveu, ao que tudo indica, estabelecer-se de vez por estas bandas!

    Tringa semipalmata, plumagem de época de reprodução. Fotografado em 15-4-2026.

Desde a primavera de 2024, novembro em diante, até agora, mês de abril de 2026, temos registrado esse individuo na localidade de Ilha do Boi aqui em Vitória.  A ave parece ter se enturmado com um grande bando de Piru- pirus, Haematopus palliatus, e tem vivido tranquilamente entre seus novos amigos.

Temos registros no Wiki Aves, de 154 fotos dessa ave para Vitória e quase sempre, quando visitamos o lugar, encontramo-lo no meio desse bando de piru- pirus. Na sequencia de fotos, temos registros das várias fases de plumagem da ave, desde o descanso reprodutivo até a época de reprodução, o que indica que mesmo estando distante de sua origem, a natureza continua ditando as regras sobre a reprodução da ave.

Talvez a ave tenha se perdido de seu grupo, ficando isolada aqui em Vitória. Relatos de aves migratórias que "se perdem", não são raros na literatura sobre aves. Por outro lado, o encontro com outra espécie de ave também ligada ao mar  como o Piru- piru e a convivência com os membros dessa comunidade, talvez tenha amenizado para o Maçarico a ausência de indivíduos de sua espécie nas proximidades. A natureza segue seu curso e prazos.  Abril já é primavera no hemisfério norte, época em que os maçaricos já iniciam os rituais para a reprodução e nosso amigo, Maçarico de asa branca de Vitória, já se encontra com a plumagem própria dessa fase, conforme nossa foto acima.


A plumagem nupcial de T. semipalmata é muito bonita!

Agradecemos às pessoas que nos visitam!

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Dois destaques de excursão à Cachoeira de Chaves, Santa , Santa Leopoldina, ES.

 Recentemente, fizemos uma passarinhada rápida em Chaves, Cachoeira do Véu de Noiva, em Santa Leopoldina, ES. Além de várias aves florestais que registramos, focamos em duas espécies que nos proporcionaram boas fotos e observações.


O primeiro que destacamos foi a espécie conhecida como Taperuçu- velho. Cypseloides senex, possui esse apelido devido sua aparência. Como tem a cabeça de cor esbranquiçada, aparentando, se fosse uma pessoa, ter mais idade, daí o apelido: Taperuçu velho. Essa ave, como já dissemos aqui nessas páginas há um tempo atrás, tem o curioso habito de se empoleirar abaixo das águas nas cachoeiras. Na foto acima. podemos ver 10 indivíduos agarrados mas pedras limosas da parede da cachoeira, procurando se proteger. Aparentemente a proteção para eles é a cortina de água que os isola, dificultando a ação de predadores.

Este taperuçu alimenta-se de insetos que captura em seus voos acima da cachoeira e também acima da marta circundante.



O Segundo destaque, foi o Tiê- de-bando, Habia rubica, uma ave tão bela quanto interessante! Vimos dois exemplares que se aproximaram com o uso do gravador. Essa ave é espécie exclusiva da mata. É bastante frequente mas matas da encosta atlântica, e fácil de ser detectada e localizada devido a seu canto característico, um chamado rascante. Já vimos bandos numerosos, que saem junto a outras espécies de aves - os chamados "bandos mistos"- à procura de alimento, e o Tiê de bando é sempre o elemento mais ruidoso, o "capitão do mato" guiando os demais nas zonas penumbrosas da floresta. O macho possui uma cor vermelha ferruginosa, muito linda, mas, infelizmente difícil de ser fotografada porque a espécie, apesar de atender ao play back, mostra-se muito desconfiada.

O Tiê, alimenta-se de insetos e frutas que colhe em suas andanças pela floresta. Não é rara, bastando que a mata tenha um tamanho razoável para que nosso Tiê apareça. Sua distribuição vai do México ao Brasil. Mas o curioso é que no Brasil sua ocorrência seja na mata atlântica, saltando em sua distribuição a imensa região amazônica.

Obrigado pessoas que nos visitam.




terça-feira, 31 de março de 2026

Conhecendo o Urutau de asa branca, Nyctibius leucopterus.

 Essa é uma ave que ha muito tempo sonhava conhecer!  Desde o dia 08.9.2016, em que gravei pela primeira vez seu canto (https://www.wikiaves.com.br/2270858) na Reserva florestal da Vale em Linhares, nunca mais estive perto dela! 

O fascínio por essa espécie é compreensível: afinal, é um mae- da- lua ou urutau, o que por si so já atrai nossa curiosidade!. Lembramos que o nome popular "urutau" vem da língua Tupi e significa "ave fantasma". Essa denominação de fantasma, advém das lendas que são ligadas aos cantos dessas aves. 
São, de fato, fantasmagóricos quando ouvidos à noite na floresta! Tanto o Urutau comum, N. griseus, quanto o urutau- gigante N .grandis ou o Urutau- pardo N.aethereus produzem cantos assustadores. 
Porém, tal não é o caso de nosso Urutau de asa Branca, objeto do presente relato. Sua voz é um assobio longo e melodioso que, muitas vezes, se confunde com os cantos das cigarras noturnas na mata.

Essa foto foi tirada às 18,13 hs do dia 18.03.2026 na Rebio Sooretama, em Sooretama-ES, Brasil.  Sem flash, ISO: 25.600. Canon R7.


O Pouco conhecimento que temos de seus hábitos, também contribui bastante para o fascínio, para o mistério!

Basta pensar que trata-se de uma das espécies "amazônicas" do norte do Espirito Santo e do Sul da Bahia. São espécies que "ligam" essas matas da baixada, as "matas de tabuleiro" com as matas da Amazônia, tal a similaridade de várias espécies com a Hileia. Citamos outros elementos amazônicos presentes nessas matas: o famosíssimo Cricrió, Lipaugus vociferans, citado por Sick como "A voz da Amazônia",  tem nessas matas do norte do Espirito Santo o limite sul de sua distribuição.  O Surucuá de coleira, Trogon collaris também possui a mesma distribuição. Outro elemento notável dessas matas: a Chorona- cinza  Laniocera hypopyrra, também amazônica!

Essa similaridade, alcança também o reino vegetal, com algumas arvores comuns e ou muito afins às da Amazônia. Citamos o caso da Joeirana vermelha, Parkia pendula, típica da Amazônia e encontrada também nessas matas do norte do Espirito Santo e norte da Bahia.


Essa ave enigmática possui distribuição também, como já citado, na Amazônia. Conforme podemos ver pelo mapa abaixo:


Fonte: Wiki Aves . https://www.wikiaves.com.br/wiki/urutau-de-asa-branca.

Originalmente N. leucopterus foi descrita por meio dos registros da Bahia e do Espirito Santo, sendo posteriormente descoberto também na Amazônia. Porém, os registros amazônicos, certamente darão origem a uma espécie diferente, conforme estudos já em andamento.

Então, pusemo-nos a refletir na dificuldade de se fazer os primeiros registros desse pequeno urutau ou "mãe- da- lua"! É o menor dos urutaus, com 28 cm. de comprimento. Suas capacidades de camuflagem são bem conhecidas e se escondem ,muito bem.
 E também, pensarmos que essas aves incríveis, habitantes exclusivos da mata, estão mesmo ameaçados de extinção! 

Então, foi muito reconfortante, constatarmos que podem coexistir mais de um desses urutaus em uma pequena área. Foi o que vimos quando iniciamos o play- back com o canto da ave e apareceram dois indivíduos!


Foto cedida por minha esposa Aninha Delboni, do momento em que apareceram dois individuos do urutau-de-asa-branca. Canon R10, ISO:25.600.

Da mesma forma que outras aves noturnas, o Urutau de asa branca alimenta-se de insetos noturnos, percevejos, besouros, mariposas, perseguindo-os em pleno voo. Sua nidificação é de apenas um ovo, alojado na ponta de um tronco. Seu período de nidificação e cuidados com o filhote é um dos mais longos em aves sul-americanas, alcançando 84 dias!

Agradecemos às pessoas que nos visitam: Muito obrigado!!



sexta-feira, 13 de março de 2026

A Migração da Guaracava de crista branca em Vitória.

 A Guaracava de crista branca, Elaenia chilensis é considerada uma ave migratória. Segundo o site Wikiaves, essa guaracava migra para o norte entre fevereiro e março, passando pela costa atlântica, em pelo menos parte dessa migração. Isso coincide com os registros que temos feito dessa ave, aparecendo em Vitoria nessa época do ano e depois ausentando-se, cessando os registros.


Foto feita em uma figueira no bairro de Jardim da Penha, dia 26.2.26.

Trata-se de uma ave de cerca de 15 cm. de comprimento, com cabeça e dorso Pardo oliváceos, penas do topete extensamente brancas, quando visíveis. Alimenta-se de frutas e insetos. Em nossos registros na figueira, observamos que a ave visitou a fruteira numa época de intensa frutificação dos pequenos figos. A Guaracava se aproveitava junto a várias outras aves como sanhaços, sabiás do campo, gaturamos, bem-te-vis, etc.


O primeiro registro que fizemos dessa Guaracava, E. chilensis, em 22.3.2020, publicada no Wiki Aves: https://www.wikiaves.com.br/3728278. Obs: na mesma árvore de figueira.

Em recente passarinhada que fizemos junto a colegas do COA/ES, até a estrada marginal da Res. Duas Bocas, no município de Cariacica, vizinho a Vitória, também registramos essa Guaracava. Não conseguimos visualizar o individuo, mas conseguimos ouvir e gravar sua vocalização e depositar o registro no site do Wiki Aves:



Não é uma ave rara, apenas difícil de ser registrada em, alguns lugares devido ao fato de ser migratória.




Localidades de registros de Elaenia chilensis conforme  o Wiki Aves: https://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_guaracava-de-crista-branca.

Podemos notar que essa Guaracava já foi registrada em todos os biomas do Brasil.

A maior dificuldade do registro, eu creio, trata-se  da aparência comum a todas Elaenia: muito parecidas e com hábitos mais ou menos similares.  A  vocalização, muito própria, e a famosa crista branca confirmam a diagnose.

Agradecemos às pessoas que nos visitam: muito obrigado!






terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O Falcão Cauré, Falco rufigularis, também habitante da zona urbana!

 Falco rufigularis possui alguns nomes populares conforme a região onde ocorre. A denominação de Cauré, é, atualmente a mais usada mas já foi chamado por outros nomes como Falcão coleirinha, ou Falcão morcegueiro, ou mesmo Tentenzinho.

O Apelido de Falcão morcegueiro, talvez tenha apelo na realidade, pois o Cauré gosta muito de perseguir morcegos no crepúsculo, quando esses mamíferos voadores saem para caçar alimento.

Nesta pequena nota. informamos sobre nossa visão desse Falcão dentro da zona urbana de Vitória, capital do Esp. Santo, mais precisamente na praia de Camburi. Mas também já o vimos habitando no centro da cidade, hospedando-se nas torres da catedral metropolitana de Vitória.


Cauré, voando de um edifício a outro, no bairro de Jardim Camburi em Vitória-ES.

Esse Falcão, pequeno no tamanho e com grande diferença de tamanho entre os sexos, o macho, cerca de 23 cm. e a fêmea uns 30 cm. é famoso por suas habilidades de caçador. E. de fato, suas medidas, com grande diferenciação entre o macho e a fêmea, já demonstram tratar-se de um gaviãozinho agressivo e predador ativo.
Já o vimos caçar morcegos no crepúsculo, mas também capturar insetos como libélulas, grandes gafanhotos, ratinhos e aves. Pode caçar até mesmo aves maiores como p.ex., araçaris.

O Cauré não habita comumente dentro das cidades. Seu habitat normal é a mata, onde fica de preferencia nas copas das arvores ou então, a borda da mata  onde fica quase como se fosse uma sentinela vigiando presas.


O Falco rufigularis pousado no alto de um edifício na praia de Camburi, Vitória.ES.


Mas algumas vezes, sabe-se lá por quais razões, a ave aparece dentro da cidade e logo podemos perceber sua presença por meio de sua vocalização, seus assobios soam como  um "Vi- vi-vi-vi-vi-vi" alto e bem audível.

Seus voos não são rápidos e parece que a ave não gosta muito de planar. Pousado na lateral de um edifício residencial, vimo-lo executar voos próximos ao local de pousada, ocasião que sempre vocalizou seu chamado assobiado e logo a seguir volta a seu pouso preferido.

Esse Falcão não está ameaçado de extinção. No Brasil temos muitos registros dele nas regiões, norte, e  também no   centro oeste e Leste. Mas não é muito registrado no sul do  pais.



Registros do Cauré, Falco rufigularis, no Brasil.

Mapa retirado do Wiki Aves: https://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_caure.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A Pescaria do Atobá pardo, Sula leucogaster.

 Sula leucogastaer, o Atobá pardo, é provavelmente o mais abundante das aves da família Sulidae sendo comum no Brasil nos mares da região Nordeste e Sudeste, mas alcançando também o Sul do pais. É um pescador muito habilidoso e com o verão, aproxima-se muito das costas e ´praias onde pairam sobre os cardumes de sardinhas e manjubas.


As fêmeas são maiores que os machos. Sua população mundial é estimada em centenas de milhares de casais! Esse individuo da foto acima foi clicado nas proximidades do porto de Tubarão em Vitória.


Ao avistar os cardumes na superfície, o Atobá se aproxima voando, e quando está acima do cardume ele mergulha na captura dos peixes.


No caso das sardinhas e ou manjubas, a ave procura capturar muitas em várias bicadas.


São vários mergulhos no meio dos cardumes.




Depois o Atobá se afasta, mas logo a seguir, localiza outro cardume e a pescaria recomeça!

Essa ave magnifica, possui porte avantajado, tendo uma envergadura de asas de 132 a 155 cm. e seu tamanho varia de 64 a 85 cm. de comprimento, o que equivale mais ou menos ao comprimento da Águia cinzenta, Urubitinga coronata.

O Atobá pardo não está ameaçado de extinção, nidifica em pequenas colônias no solo e a ninhada é de dois filhotes. Quando filhotes, possuem a plumagem inteiramente branca.

A ave possui técnicas de captura do peixe admiráveis. Quando o peixe visado encontra-se m ais fundo, o mergulho da ave é maior, com o Atobá elevando-se a grande altura e de lá mergulhando na caça ao peixe. Além dos peixes, pode também capturar lulas e outras presas.

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