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domingo, 23 de agosto de 2026

O Fenômeno de extinções locais de AVES.

 A localidade de Chaves, onde situa-se a Cachoeira véu de noiva no município de Santa Leopoldina neste estado do Espirito Santo, é por nós conhecida desde o dia 03 de janeiro de 1987. Ou seja, praticamente 40 anos!  Dessa forma, podemos comentar algo sobre espécies já registradas no lugar e não mais encontradas.


De forma nenhuma é nossa intenção estabelecer verdade  absoluta sobre extinção dessa ou outra ave no local, apenas pretendemos comentar sobre algumas vezes antes vistas e registradas no lugar e sua ausência atual no mesmo lugar.

O Local situa-se a cerca de 500 metros de altitude e podemos dizer que é o primeiro degrau da subida da serra rumo ao planalto. É formado pela mata atlântica em diferentes estágios de sucessão vegetal, existindo desde campos sujos desmatados, capoeiras,  até locais de mata atlântica original parcialmente alteradas, principalmente no topo dos morros. E também, plantações de bananas nas encostas desmatadas.

Nesses 40 anos que conhecemos a região, notamos que houve melhoras na fisionomia vegetal do lugar. Morros, onde antigamente existiam vegetação rasteira com predomínio de samambaias, hoje ostentam capoeiras e capoeirões com algumas árvores chegando perto de 15-20 metros de altura! Assim, não houve aumento de desmatamento no lugar!

Mas mesmo assim, algumas espécies florestais, antes registradas no lugar, não mais são     observadas e nem ouvidas!

Isso nos faz pensar, que nossos conhecimentos sobre os hábitos e necessidades de nossas aves ainda são desconhecidas e podemos estar perdendo espécies por ações que poderiam ser evitadas e ou providenciadas.

ANOTAÇÕES SOBRE ALGUMAS ESPÉCIES:

1) Gavião Pombo grande  - Pseudastur polionotus.

Esse Gavião era sempre visto planando sobre as encostas da mata, 

ás vezes, dois indivíduos e muitas vezes apenas um. Era frequentemente registrado entre 1993 e  2016. O ultimo registro, publicado no Wiki Aves, data de 26.6.2017. Desde então, nunca mais os vimos no lugar.

2) Gavião pato  - Spizaetus melanoleucus.

Essa águia mascarada, na definição de William Menk, era por nós registrada nos mesmos locais do Gavião Pombo grande. Entre 2005  e 2010, vimo-la frequentemente. Inclusive realizando sua famosa caçada, quando aproveitando as térmicas, subia a grande altura, e, de lá, deixava-se cair nas copas próximas tentando capturar aves que ali se encontravam.

3) Tovaca cantadora - Chamaeza meruloides.

Ouvimos essa Tovaca, numa encosta por onde descia um córrego. em 1993, por três vezes ouvíamos a ave nesse local. Não mais registrada.

4) Cigarra bambu - Haplospiza unicolor.

Durante o período de 1993 a  2009, registramos essa ave muitas vezes na região. Não temos mais noticias sobre ela no local.

5) Anambezinho - Iodopleura pipra.

Apenas uma vez registramos esse pequena ave, próxima à cachoeira. Não fotografávamos na época e até hoje, não constam registros no Wiki Aves para o município.

6) Macuru de barriga castanha - Notharchus swainsoni.

Vimo-lo na beira da mata próximo aos bananais em 09.7.2006, único registro visual.


Alguns registros, como o Macuru, a Tovaca e o Anambezinho, podem ser considerados como raros ou ocasionais para o lugar. Quanto aos gaviões, são espécies com grande poder de voo, e podem ter se afastado do lugar para colonizar outras áreas mais propicias. Já a cigarra bambu, não encontramos explicação. Talvez a frutificação das taquaras seja a causa. 

Agradecemos aos nossos visitantes!


 





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