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sábado, 25 de abril de 2026

O Migrante que perdeu o rumo: o caso do Maçarico de asa branca!

 Um individuo do Maçarico de asa branca, Tringa semipalmata, migrante do hemisfério norte, que registramos aqui em Vitória desde 2016, em praticamente todos os anos, resolveu, ao que tudo indica, estabelecer-se de vez por estas bandas!

    Tringa semipalmata, plumagem de época de reprodução. Fotografado em 15-4-2026.

Desde a primavera de 2024, novembro em diante, até agora, mês de abril de 2026, temos registrado esse individuo na localidade de Ilha do Boi aqui em Vitória.  A ave parece ter se enturmado com um grande bando de Piru- pirus, Haematopus palliatus, e tem vivido tranquilamente entre seus novos amigos.

Temos registros no Wiki Aves, de 154 fotos dessa ave para Vitória e quase sempre, quando visitamos o lugar, encontramo-lo no meio desse bando de piru- pirus. Na sequencia de fotos, temos registros das várias fases de plumagem da ave, desde o descanso reprodutivo até a época de reprodução, o que indica que mesmo estando distante de sua origem, a natureza continua ditando as regras sobre a reprodução da ave.

Talvez a ave tenha se perdido de seu grupo, ficando isolada aqui em Vitória. Relatos de aves migratórias que "se perdem", não são raros na literatura sobre aves. Por outro lado, o encontro com outra espécie de ave também ligada ao mar  como o Piru- piru e a convivência com os membros dessa comunidade, talvez tenha amenizado para o Maçarico a ausência de indivíduos de sua espécie nas proximidades. A natureza segue seu curso e prazos.  Abril já é primavera no hemisfério norte, época em que os maçaricos já iniciam os rituais para a reprodução e nosso amigo, Maçarico de asa branca de Vitória, já se encontra com a plumagem própria dessa fase, conforme nossa foto acima.


A plumagem nupcial de T. semipalmata é muito bonita!

Agradecemos às pessoas que nos visitam!

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Dois destaques de excursão à Cachoeira de Chaves, Santa , Santa Leopoldina, ES.

 Recentemente, fizemos uma passarinhada rápida em Chaves, Cachoeira do Véu de Noiva, em Santa Leopoldina, ES. Além de várias aves florestais que registramos, focamos em duas espécies que nos proporcionaram boas fotos e observações.


O primeiro que destacamos foi a espécie conhecida como Taperuçu- velho. Cypseloides senex, possui esse apelido devido sua aparência. Como tem a cabeça de cor esbranquiçada, aparentando, se fosse uma pessoa, ter mais idade, daí o apelido: Taperuçu velho. Essa ave, como já dissemos aqui nessas páginas há um tempo atrás, tem o curioso habito de se empoleirar abaixo das águas nas cachoeiras. Na foto acima. podemos ver 10 indivíduos agarrados mas pedras limosas da parede da cachoeira, procurando se proteger. Aparentemente a proteção para eles é a cortina de água que os isola, dificultando a ação de predadores.

Este taperuçu alimenta-se de insetos que captura em seus voos acima da cachoeira e também acima da marta circundante.



O Segundo destaque, foi o Tiê- de-bando, Habia rubica, uma ave tão bela quanto interessante! Vimos dois exemplares que se aproximaram com o uso do gravador. Essa ave é espécie exclusiva da mata. É bastante frequente mas matas da encosta atlântica, e fácil de ser detectada e localizada devido a seu canto característico, um chamado rascante. Já vimos bandos numerosos, que saem junto a outras espécies de aves - os chamados "bandos mistos"- à procura de alimento, e o Tiê de bando é sempre o elemento mais ruidoso, o "capitão do mato" guiando os demais nas zonas penumbrosas da floresta. O macho possui uma cor vermelha ferruginosa, muito linda, mas, infelizmente difícil de ser fotografada porque a espécie, apesar de atender ao play back, mostra-se muito desconfiada.

O Tiê, alimenta-se de insetos e frutas que colhe em suas andanças pela floresta. Não é rara, bastando que a mata tenha um tamanho razoável para que nosso Tiê apareça. Sua distribuição vai do México ao Brasil. Mas o curioso é que no Brasil sua ocorrência seja na mata atlântica, saltando em sua distribuição a imensa região amazônica.

Obrigado pessoas que nos visitam.