"Aves difíceis" não é uma denominação preconceituosa! Sim, toda ave é importante, mas algumas, seja pela raridade ou por sofrerem ameaça de extinção, podem ser consideradas como dignas de destaque. Pensando assim, então, passaremos a listar algumas dessas aves, que vimos recentemente, principalmente no último mês.
José Silvério Lemos Blog sobre Observação de aves. Foto: campos de altitude, com Chusquea pinifolia, Serra do Caparaó, ES/MG.
Translate
quarta-feira, 12 de outubro de 2022
NOVOS REGISTROS DE "AVES DIFICEIS"
sexta-feira, 30 de setembro de 2022
A NIDIFICAÇÃO DO ANAMBEZINHO, Iodopleura pipra.
A NIDIFICAÇÃO DO
ANAMBEZINHO, Iodopleura pipra.
Algumas notas e observações.
Desde o dia 8 de setembro, p.p.,
temos conhecimento de um ninho de Anambezinho, Iodopleura pipra, localizado na estrada de Sertão Velho, marginal à
Reserva Biológica de Duas Bocas, no município de Cariacica, neste Estado do
Espírito Santo.
O local é uma encosta de mata
atlântica, secundária, mas mata alta com arvores de altura superior a 25 metros.
Trata-se de um dos trechos da mata de Duas Bocas, onde temos registrados várias
espécies raras e ou ameaçadas de extinção, como o Sabiá-pimenta, Carpornis melanocephalus, o Patinho de
asa castanha Platyrinchus leucoryphus
e a Choquinha chumbo Dysithamnus
plumbeus. Nesse local, divisa entre a propriedade pública da reserva e as
propriedades de particulares, a mata é mais larga, de forma que essas aves, talvez se
sintam mais protegidas pela maior cobertura florestal.
O ninho foi colocado a uma altura
de cerca de 20 metros sobre o solo, em uma árvore seca localizada ao lado da
estrada marginal que corta a mata. Fica bem na divisa do território da reserva,
já do lado vizinho à reserva. Chama a atenção o aspecto do ninho, pequeno,
parecido com ninhos de beija flores e em uma saliência do galho da árvore que
forma um arco. Dessa forma, a ave dá sempre a impressão de estar
confortavelmente instalada em sua pequenina “poltrona”! Parece ser
confeccionado com musgos e sua aparência é de uma taça aberta no alto da
arvore. Isso dá um aspecto vulnerável ao ninho e quando os pais não estão por
perto, o filhote fica incrivelmente exposto. A cor do filhote, esbranquiçada, e
também do ninho, talvez funcione como uma camuflagem, impedindo a visão por
predadores mais apressados.
O ninho conta com apenas um
filhote. E desde o dia em que descobrimos essa pequena construção, relatamos
que o desenvolvimento do filhote ao que parece é lento. Visitamos o local
várias vezes após a descoberta, feita pela observadora do COA, Ana Delboni, e
constatamos 10 dias depois, que o filhote continua no ninho e tendo aumentado
pouco de tamanho.
Observamos também, algumas vezes,
os adultos alimentarem o filhote. Dessas vezes, pudemos notar sempre que os
pais levam no bico pequenas frutas para o filhote.
Voando com o fruto no bico.
Finalmente, em 21 de setembro, 13
dias após a descoberta do ninho, e pelo menos há uns 15 dias após o nascimento do filhote terminamos nossas visitas ao local. Constatamos que os pais já deixam
o filhote sozinho no ninho. Talvez a ave precise de uns 25 dias para
abandonar o ninho. Infelizmente não pudemos acompanhar todo o processo, mas
observamos que o Anambezinho alimenta seu ninhego principalmente com frutos, o
que talvez leve a um desenvolvimento lento do filhote.
Pode ser visto o bico do filhote no lado direito do ninho.
Acreditamos que já nessa fase, o filhote já tenha tido um bom crescimento, mas ainda não está apto a sair do ninho.
Pelas fotos que observamos no site Wiki Aves, de outros ninhos com filhotes, o desenvolvimento desse filhote ainda pode demorar uns 7 dias até voar dos ninhos dos pais. Nesse caso, teríamos pelo menos cerca de 25 dias para abandonar o ninho!
O Anambezinho, Iodopleura pipra, não é uma espécie comum ou fácil de ser observada. Trata-se de avezinha de 9 cm. de comprimento, que vive comumente nas copas da mata, onde é difícil de ser vista. Tem como hábito, pousar nas copas de arvores com galhos despidos de folhas ou arvores secas, o que diminui a dificuldade de sua localização, principalmente se chegar a vocalizar. Pesa cerca de 10 gramas e é um dos componentes da família Tytiridae. Antigamente era classificada entre os Cotingideos, mas estudos posteriores dividiram a grande família e algumas das espécies ficaram enquadradas como titirideos.
Está classificada na tabela da IUCN na categoria de EN, ameaçada. É uma ave endêmica da Mata atlântica, onde habita preferencialmente as matas das baixadas ou das encostas baixa e já foi registrada até mesmo em matas de restinga. No Brasil, ocorre da Paraíba até o norte do Paraná conf. registros do Wiki Aves.
Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas!
Obrigado!!
terça-feira, 6 de setembro de 2022
o BAIACU - ARARA
Nos meses mais frios do ano, o peixe mais frequente em pescarias aqui nas praias do Espírito Santo, é o Lagocephalus leavigatus , o famoso Baiacu arara.
Normalmente os exemplares capturados pesam entre 1 a 1,5 quilos, porém, já presenciamos a captura de peixes até de 3,5 Kg.!sexta-feira, 19 de agosto de 2022
OS INCRÍVEIS COTINGAS AMAZÔNICOS!
Pessoas conhecedoras da diversidade e um pouco da biologia da classe AVES, sabem que, uma das famílias mais incríveis nesse universo e também mais famosas e belas, é a família dos COTINGIDEOS!
Os COTINGAS como são comumente chamados e referenciados, são famosos não apenas por sua beleza ou iridescência das plumagens de muitos de seus integrantes, mas, também pelo seu comportamento e pela diversidade de suas espécies.
Nesse pensamento, lembro-me da descrição que Eurico Santos fez em seu livro Pássaros do Brasil, Ed. Itatiaia, BH, 2004. Segundo ele, o mundo dos Cotingídeos compreende uma multidão de aves das mais diversas cores, com uma grande variedade de comportamentos e cantos. Vão desde os gigantes Anambé-preto (Cephalopterus ornatus) até criaturas diminutas como o Tietê-de coroa (Calptura cristata) na época ainda classificada entre os Cotingídeos. Com vozear impressionante como as arapongas, ou altissonante como o Cri-crió.
Nessa mensagem, farei referencia apenas às quatro espécies que vimos recentemente em nossa viagem ao Amazonas. Foram quatro (4) espécies! A Amazônia é a região onde existe a maior diversidade e evolução essa família. É a região dos incríveis pássaros conhecidos em língua inglesa como os famosos Umbrellabirds, ou dos Fruitcrows.
Porém, o viajante que for até lá esperando encontrar essas aves vai ter trabalho. Apesar da imensidão da floresta, verde por todo lado, cortada por algumas estradas, muitos rios e alguns lugares mais acessíveis, registra-los não é fácil! Sai-se com a impressão, que na verdade, em que pese a grandeza e imensidão da floresta, são aves raras. O tamanho da floresta torna ainda mais difícil encontrar com eles. Talvez seja menos difícil conhecer algum ponto de alimentação para conseguir um possível encontro fortuito com essas aves magnificas, verdadeiras joias da criação! Outra possibilidade é o conhecimento de suas vocalizações. Se a pessoa não conhecer essas vocalizações tudo fica ainda mais difícil. Só mesmo a sorte para ajudar nesse encontro!
Por essa razão, os guias de birdwatching conhecedores da região e de suas vozes, são imprescindíveis para se conseguir localiza-los.
Então, vamos às quatro espécies que vimos:
PRIMEIRO REGISTRO: SAURÁ.
Saurá, Phoenicircus carnifex, nos observando, desconfiado, meio escondido na árvore!
Ave linda demais, com seu colorido vermelho que se destaca contra o verde da mata. Foi descoberto por nossa guia Vanilce de Souza Carvalho, ao ouvir seu chamado dentro da mata. Alimenta-se principalmente de frutos e o curioso, segundo o Wiki Aves é a plumagem do filhote no ninho. O ninhengo chega a assemelhar-se mais a uma lagarta que a um pássaro. Mesmo não sendo considerado como raro ou ameaçado, podemos notar que sua área de distribuição conhecida ( pelo menos até hoje!) não é muito vasta:
Os registros do Saurá, Phoenicircus carnifex conforme fotos e sons publicados no Wiki Aves.
Mapa retirado do Wiki Aves:
SEGUNDA ESPÉCIE: ANAMBÉ-AZUL.
Nossa segunda espécie foi o Anambé-Azul, Cotinga cayana.
O Anambé azul, a Cotinga cayana é desses cotingas típicos, que acreditamos poder encontrar ou ambicionamos registrar graças à beleza de sua plumagem! No local que registramos essa ave, havia dois machos e também vimos fêmeas. As aves procuravam o lugar devido à abundancia dos açaizeiros, Euterpe oleracea, que estavam com os cachos cheios de coquinhos de palmito açaí ainda maduros! A forma deles pegarem esses coquinhos é muito típica dos cotingas: Em um pulo, abocanham o fruto e logo a seguir num movimento rápido e gracioso, "deixam-se cair" no estrato mais baixo da floresta.
Outra foto de um dos machos que estiveram no local.A cor roxa marca fortemente a garganta da ave!
A distribuição do Anambé Pombo, indica que ele não é tão raro como eu pensava. É uma distribuição vasta que abrange toda a Amazônia e, também nos países vizinhos amazônicos.
A Distribuição do Galo da Serra tem uma distribuição pequena, com registros conhecidos em apenas dois municípios do Amazonas e mais comumente em Roraima e também alguns registros no Amapá.
terça-feira, 9 de agosto de 2022
EXPEDIÇÃO AMAZONAS 2022
Retomando aos poucos nossas atividades de observadores-amantes das aves, havíamos programado desde meados de 2021 uma excursão ao Amazonas, a sermos guiados pela grande guia de Birdwatching, a amiga Vanilce de Souza Carvalho.
Passadas várias ondas dessa perigosa pandemia, finalmente tivemos a oportunidade de em 2022, voltarmos ao Amazonas, já que em 2017 fizemos nossa primeira viagem à Amazônia para observar aves. No dia 22 de julho embarcamos para Manaus, fazendo escalas no Rio de Janeiro (aeroporto Santos Dumont) e em Brasília (Aeroporto Juscelino Kubitscheck). Finalmente, chegamos a Manaus às 0,45 h do dia 23.
Nosso grupo "expedicionário": Vanilce, Celi Aurora, minha esposa Aninha Delboni e eu.
Iniciamos bem cedo nossas atividades, e, fomos primeiro à Torre do MUSA-Museu da Amazônia.
Motivo de muita alegria e publicação, na hora mesmo, no Instagran. ☝
Ainda nas dependências do MUSA>
O Café da manhã:
Suco de Cupuaçu com sanduiche de Tapioca e queijo!
👍
Estivemos em várias pousadas e trilhas, nos municípios de Manaus, Presidente Figueiredo, Manacapuru, Iranduba e Novo Airão.
A seguir, mostraremos algumas fotos de aves muito belíssimas! Posteriormente, faremos mais textos comentando sobre aspectos da observação e da vida natural de algumas dessas aves desse incrível "PLANETA AMAZONIA"!!
O INCRIVEL COTINGA ANAMBÉ AZUL: Cotinga cayana.
O BELISSÍMO PAPAGAIO DA VARZEA, Amazona festiva.
sábado, 2 de julho de 2022
Conhecendo a Saracura do Mangue, Aramides mangle!
Saracuras e Sanãs são aves da familia Rallidae muito comuns no Brasil. Algumas espécies são muito populares como a Saracura dos Três Potes. São aves de comportamento desconfiado, que muitas vezes aparecem furtivamente á nossa frente à procura de alimento!
A Saracura do mangue, Aramides mangle é uma espécie de saracura de porte médio, recebendo esse nome popular por habitar preferencialmente os manguezais. Porém, já foi demonstrado que a espécie pode habitar, também, áreas de mata acima do manguezal como na restinga. Os exemplares que vimos, forrageando dentro do mangue, caracterizavam-se por serem muito ariscos, não se aproximando do observador, e mais que isso, fugindo rapidamente ao perceber a presença humana.
Aramides mangle em seu habitat preferido: o interior do manguezal.
ttps://www.wikiaves.com.br/wiki/saracura-do-mangue
Pode ser observado que a grande maioria dos registros são feitos na zona litorânea, coincidindo com os manguezais.
Nos estados meridionais, SC e RS, não há registros, ainda.
No manguezal existente no Campus da UFES, Universidade Federal do Espirito Santo, não é a saracura mais comum, porém, pode ser vista em algumas ocasiões. Recentemente temos observado o aparecimento de um jovem que tem se mostrado mais confiante que os adultos que normalmente visitam esse lugar.
Curioso é que já foi relatado por colegas do COA/ES, que essa saracura passa o dia forrageando no mangue, mas ao cair da tarde, procura as áreas mais altas de vegetação arbustiva onde passaria a noite. Tal fato corrobora noticias já divulgadas por observadores a respeito do habitat preferido por Aramides mangle.
Notar o pescoço de cor cinzenta forte,.
A ave aprecia muito os animalejos do mangue. Os caranguejinhos são verdadeiros petiscos e aqui, nosso herói se deliciando com um desses pequenos caranguejos.
As lamas do manguezal são uma fonte inesgotável de alimentação. Além de pequenos camarões e outros bichos, o mangue é muito rico em pequenos( e grandes!) caranguejos que se constituem em um ótimo alimento dessa saracura. Outra saracura que vimos bastante nessas proximidades é a Saracura dos três potes Aramides cajaneus. É muito semelhante à saracura do mangue, porém, não entra dentro do mangue( pelo menos ainda não vimos esse comportamento por parte das três potes!). É relatado na página da espécie no Wiki Aves, que a espécie pode sobreviver até se a maior parte do manguezal foi retirado, contentando-se com áreas diminutas como 100 metros de extensão e com pouca vegetação!
Outra espécie de saracura muito frequente no lugar e que também se aventura dentro do manguezal é a Saracura matraca, Rallus longirostris. Muito loquaz, a Saracura matraca, responde agressivamente ao play back. Ao contrario de nossa heroína Aramides mangle, cuja voz é bem mais difícil de ser ouvida.
Apesar do nome popular de A. mangle como Saracura do mangue, em Inglês, a espécie que tem essa denominação é a nossa Saracura matraca, cujo nome inglês é Mangrove rail. Isso porque, a Saracura matraca habita o mesmo ambiente e talvez seja ainda mais fiel ao mangue que Aramides, ocorrendo exclusivamente na costa marítima.
Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas!!














.jpg)
.jpg)





.png)




.png)




.png)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)











.jpg)