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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Anambezinho, Iodopleura pipra, novo registro para Sertão Velho!

 Iodopleura pipra, o Anambezinho, já foi classificado como um cotinga e no momento faz parte da família Tityridae.



Trata-se de uma avezinha (9,5 cm.) pesando 10 gramas, muito graciosa, e, infelizmente, ameaçada de extinção.

Espécie florestal, e ao que parece com populações pequenas, a espécie sofreu e sofre com desmatamentos!

É categorizada pela IUCN na categoria de ameaçada com status EN.

Esses registros recentes são os primeiros do Anambezinho para a região da Reserva de Duas Bocas.


 Esse mapa foi retirado do WikiAves, www.wikiaves.com.br, mostrando os registros da espécie em vermelho. Nota-se sua distribuição restrita à floresta atlântica.

Trata-se de espécie que se alimenta de frutos e também de insetos. Prefere as matas de encosta de baixa altitude mas já foi encontrada em São Paulo e Rio de Janeiro em matas de restinga na baixada.

Por ser uma espécie pequena, e com o habito de ficar mais nas copas das árvores, sua localização é dificultada e provavelmente talvez sua situação de campo não seja tão ameaçada como parece.


A dica que damos aos observadores, é ficarem atentos principalmente aos bandos mistos. Nos registros recentes aqui no Espirito Santo, em duas localidades e datas diferentes, um casal da espécie acompanhava bandos mistos numerosos. O casal se destacava do bando misto por seu comportamento singular: próximos ao bando mas apartados. Sempre no alto das copas e ocupando ramos finos ou galhos que se destacam sem folhas no alto.

Obrigado pessoal visitante!!




Gavião urubu, Buteo albonotatus, dois registros recentes!

 O Gavião urubu, Buteo albonotatus ganhou esse apelido, principalmente por duas características: comportamento muito parecido com os urubus do gênero Cathartes, aproveita as correntes térmicas e plana muito sobre campos e florestas, chegando com frequência a ser confundido com os urubus.

 Outra característica é sua cor, que também faz com que seja parecido com urubus. Essas duas características são vantajosas para esse gavião, pois, ao assemelhar-se a urubus, muitas presas potenciais não se alarmam, permitindo sua aproximação, o que pode ser fatal. Fato relatado por SICK.

Relatamos esses dois registros, feitos nos dias 11 e 13 de junho pp.. O primeiro registro foi feito dia 11, sobrevoando o campus da Universidade Federal do Espirito Santo, área grande e muito arborizada.

O segundo registro foi domingo dia 13, sobrevoando o bairro de Coqueiral de Aracruz, área também bastante florestada, tanto com matas nativas quanto artificiais.

A foto de cima foi do individuo visto em Coqueiral de Aracruz.
A foto ao lado foi do individuo fotografado em Vitória, sobrevoando o campus.











Com asas longas e estreitas, voando, muitas vezes com as primárias abertas, esse gavião justifica seu apelido. Comumente mede cerca de 51 cm e as fêmeas são um pouco maiores que os machos. Tem uma ampla distribuição geográfica, desde os Estados Unidos até a América do Sul, no Brasil ocorrendo até o Paraná. Mesmo sendo um gavião de espaços abertos, não se pode dizer que seja comum, e a forma mais eficaz de procura-lo, é observar os bandos de urubus circulando nos dias de calor, analisando detalhadamente os Cathares aura, e prestando atenção em suas caudas e o bico.

Obrigado, pessoas que nos visitam!












quarta-feira, 2 de junho de 2021

Maracanã verdadeira, Primolius maracana, em Vitória-ES.

 Primolius maracana, a maracanã verdadeira, é uma belíssima ararinha, com cerca de 40 cm. de comprimento e habitante de grande parte do Brasil. Até hoje, somente não foi registrada nos estados de Rio Grande do Sul, Amazonas, Amapá e Roraima, segundo o site Wiki Aves.


Bando de Primolius maracana fotografado em Laranja da Terra-ES, em 2017.

Ainda segundo o Wiki Aves, essa espécie tem sido registrada em Vitória desde maio de 2015. No dia 31 de maio, pp. tivemos a felicidade de observar dois bandos dessa ararinha sobrevoando o campus da Universidade Federal do Esp. Santo. O primeiro bando possuía algo como uns 10-12 exemplares e não conseguimos foto pois as aves se espantaram. Mas, uns trinta minutos depois, presenciamos outro bando, com as aves voando próximas mas em colunas de 2, 3 ou 4 indivíduos juntos. Contamos 19 aves!



Maracanãs verdadeiras no campus em 31.5.2021.














Esse registro nos encheu de esperança quanto às possibilidades dessa ararinha, afinal, conseguir sobreviver a uma possível onda de extinção de espécies. Atualmente ela é listada pela IUCN na categoria de NT-  ou quase ameaçada.  Em alguns locais onde era comum,  tem havido diminuição de sua população, como p.ex. em Misiones na Argentina ou no sul do Brasil. Isso tem levado a vários estudos buscando descobrir o porque dessa diminuição, como uma forma de entender e conseguir recursos para preservar esse belíssimo psitacídeo. Alguns estudiosos como José Fernando Pacheco, observaram, inclusive, que essas alterações nas populações não é apenas com diminuições. Em alguns locais, a Maracana tem melhorado seus números! É o que tem ocorrido no Rio de Janeiro, onde estaria havendo mesmo uma "recolonização" do território pela Primolius maracana. 
Talvez essa recolonização possa estar ocorrendo também aqui no Espirito Santo!

E citamos que Vitória é a capital do Estado do Espirito Santo e as maracanãs tem aparecido sobrevoando parte da zona urbana, o campus da Universidade Federal, que é contigua ao mangue da foz do Rio Santa Maria de Vitória, local de muita vegetação preservada. E no campus, temos várias arvores frutíferas que estão sendo utilizadas por psitacídeos como o papagaio curica, Amazona amazonica e o periquito rei, Aratinga aurea.

Esperamos que a Primolius esteja se beneficiando e aumentando sua população na zona metropolitana de Vitória.

Obrigado pessoas que nos visitam!


domingo, 30 de maio de 2021

Aves e arvores frutiferas das matas.

 Estamos no outono do Hemisfério sul e muitas árvores nativas da mata atlântica estão começando  e entregar  seus frutos.

O Sabiá laranjeira Turdus rufiventris é uma das aves frequentadoras das fruteiras da mata!
Esse exemplar estava calmo, após se alimentar dos frutinhos das quaresmeiras.






Algumas árvores como as canelas da família das Lauráceas somente estarão com seus frutos maduros daqui há uns dois meses, mas o que temos observado, é que mesmo assim, essas árvores tem sido visitadas pelas aves, que algumas vezes procuram as frutas mesmo verdes! 

Essa árvore, conhecida aqui como "canela caruncho", Nectandra sp., devido a seu tronco, está nessa época carregada de frutos como pode ser visto, mas ainda verdes!.












Já as quaresmeiras, da família das melastomáceas, estão também carregadas de frutinhos, mas desses, muitos já maduras, conforme podemos ver ao lado!.









Nessa época do ano, quando as aves ainda não estão na época de acasalamento e nidificação, o observador de aves deve procura-las nessas arvores frutíferas nativas, quando estão cheias de frutos maduros e são muito procuradas pelas aves!


Algumas aves que vimos recentemente nessas fruteiras:

Gaturamo verdadeiro, Euphonia violacea.

Em uma das quaresmeiras!











Saí- verde, Chlorophanes spiza. Observar as frutinhas verdes da canela, Nectandra sp.












Rendeira, Manacus manacus.















Saíra de sete cores, Tangara seledon.















Saíra galega, Hemithraupis flavicollis.















Devemos ficar atentos a essas fruteiras, principalmente quando forem visitadas pelos famosos bandos mistos, quando diversas espécies de aves se unem para percorrer a mata.
Algumas vezes, a sorte pode nos sorrir e mostrar no meio desses bandos, aves bem mais difíceis de se encontrar!.

Foi o que aconteceu e uma de nossas ultimas visitas à localidade de Sertão Velho, no município de Cariacica neste estado do Espirito Santo. Minha esposa, Aninha Delboni, conseguiu registrar e localizar o Anambézinho, Iodopleura pipra. Espécie rara da mata atlântica e que se encontrava compondo um grande bando misto de pequenos frugívoros:

 Iodopleura pipra, em uma das melastomáceas do lugar, já com muitas frutinhas maduras,












Agradecemos às pessoas que nos visitam !!








sábado, 8 de maio de 2021

O Falcão de coleira, Falco femoralis.

 Esse falcão é uma ave comum, habitante de paisagens abertas e até mesmo dentro de cidades. Aqui em nosso bairro de Jardim da Penha, ele tem aparecido com muita frequência, e recentemente fizemos um verdadeiro livro com fotos do casal. Ainda estamos longe da época de acasalamento e por essa razão, presumo que o casal permaneça junto mesmo depois da  nidificação!.





O falcão de coleira é belíssimo, e é um eficiente predador. Nessa foto podemos ver a diferença de tamanho entre a fêmea (á esquerda) e o macho. 

A Fêmea desse falcão alcança um comprimento médio de 43-45 cm. pesando entre 271 a 460 gramas. Esses números indicam que ela é cerca de 40% maior que o macho. Portanto, a fêmea desse falcão, pode ser maior que alguns  machos do Falcão Peregrino! E também se comparado ao Falcão de peito laranja, essa comparação é pertinente. Esse dimorfismo sexual invertido, com a fêmea maior que o macho, indica uma proteção da natureza! Nas espécies de falconiformes mais agressivas, a natureza faz a fêmea maior que o macho a fim de se evitar que haja predação entre eles, já que indivíduos machos costumam ser bem agressivos.

Trata-se de um falcão belíssimo, muito elegante e colorido.
Predador ativo e eficiente, captura desde cupins em revoada, insetos como gafanhotos, morcegos, lagartixas e até cobras peçonhentas como a jararaca (WikiAves). Aqui no bairro de Jardim da Penha em Vitória, esse ave é ativa predadora de aves menores como canários e rolinhas. Já o vimos capturar um periquito exótico que escapuliu de sua gaiola para o alto de antena de TV, onde o falcão calmamente o capturou!






A estação reprodutiva ocorre de agosto até o fim do ano e em média, a postura é de três ovos. Ao contrario do que ocorre com os grandes rapinantes, quando apenas um dos filhotes sobrevive (devido ao fenômeno chamado de "cainismo") no caso desses falcões, é comum a sobrevivência de grande parte dos filhotes, até mesmo todos.








Essas fotos foram feitas no mesmo dia, quando esse casal pousou na antena de um prédio próximo.
São aves loquazes, que quando voam emitem sua vocalização fina, principalmente em suas incursões para capturar alguma presa.

Sua distribuição geografica é bem ampla, ocorrendo no continente americando, dos EUA até a Terra do Fogo, no Brasil, em todos os Estados e no DF.






Os casais de falcões de coleira costumam caçar em conjunto, formando uma dupla. Pousam geralmente nos galhos mais altos de árvores e arbustos no campo para visualizar melhor seu campo de caça. O comportamento de pousar nessas antenas de prédios talvez seja uma adaptação desse estilo ao ambiente urbano.





 




Área de ocorrência de Falco femoralis no Brasil. Os pontos vermelhos são os locais em que foram registrados, mostrando  o quanto esse falcão é comum em nosso país. Fonte: WikiAVES.
















É uma das aves mais belas e interessantes de se observar em ambientes urbanos.

Agradecemos ás pessoas que nos visitam. 





sábado, 17 de abril de 2021

Gavião Asa de Telha em Vitoria.

Parabuteo unicinctus, O Gavião asa de telha, foi por nós registrado recentemente, agora no inicio de abril, com um desses gaviões planando e caçando sobre o bairro de Jardim da Penha, em Vitória, ES.


Trata-se de um rapinante de tamanho considerável, alcançando 50 a 56 cm. de comprimento, com a fêmea sendo maior e mais pesada que o macho.
É um gavião bastante predador, capturando presas entre as aves até o porte de uma galinha e mamíferos até o porte de um coelho. Mas é generalista, e chega, quando necessário, a comer grandes insetos.(WikiAves). Sua distribuição geográfica abrange o SW dos EUA até a América do Sul. Não é um gavião raro ou considerado como ameaçado. Já o vimos nas proximidades das zonas urbanas, mas desta vez o surpreendemos realizando voos circulares dentro de uma área bastante urbanizada. Porém, essa mudança de comportamento, segundo ornitólogos, tem sido notada com certa frequência, com essas aves aproximando-se cada vez mais das zonas urbanas, desde que aí consigam alimento. Seu habitat preferido são as abertas, cerrados, campos, etc.


A denominação "asa de telha" faz referencia à cor de suas asas, com as penas que cobrem as escapulares de cor marrom avermelhada, cor de telha conf. a nome popular.

É um belo gavião, que logo chama a atenção seja por seu porte e beleza, seja pelo comportamento de caça.






Segundo o site Wiki Aves, esse gavião é muito inteligente, tendo desenvolvido a habilidade de caçar em grupos, coisa que ainda não tivemos oportunidade de observar. Meses atrás, localizamos um casal nas proximidades de Manguinhos na Serra, ES, mas não conseguimos surpreender a ave nidificando ou mesmo preparando-se para nidificar.

Esse indivíduo,  é  um imaturo, uma vez que a plumagem definitiva do adulto é castanha escura com as escapulares das asas cor canela. O jovem, como esse fotografado, apresenta a plumagem estriada como podemos ver nas fotos, mas, nota-se já a cor de telha no alto das asas.










Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas. Continuamos com nossas observações, infelizmente em confinamento devido à Pandemia de Covid.19.




sexta-feira, 2 de abril de 2021

O Gavião mais comum do Brasil!

 

Rupornis magnirostris é um gavião de porte médio, cerca de 40 cm. de comprimento, exímio predador  tanto de aves como pequenos mamíferos como roedores, e répteis como pequenas cobras, lagartos, etc. Ave excessivamente espalhada, não há lugares onde não apareça! Campos, cidades, capoeiras e até nas bordas de florestas altas é possível encontra-lo!

Rupornis magnirostris, o Gavião carijó, fotografado ontem no bairro Jardim da Penha, em Vitória, ES, Brasil.

Trata-se de Gavião muito adaptável, com populações bem estabelecidas em todo seu território. Sua área de ocorrência abrange toda a região neotropical, do México à Argentina, sendo comum em todo o Brasil. 

Sua ampla distribuição geográfica também se reflete nos seus hábitos alimentares generalistas, pois consome desde insetos até aves e lagartos. Procura os abrigos diurnos de morcegos para atacá-los enquanto dormem. Ataca ninhos de outras aves e por isso é ferozmente perseguido por bem-te-vis, siriris e tesourinhas(Wiki-Aves). É muito fácil de ser identificado. Além de seus hábitos predatórios que chamam muito a atenção de outras aves que aprontam verdadeiras algazarras quando o localizam em atitude de caça, costuma nas horas mais quentes das manhãs, vocalizar bastante enquanto empreende seus voos circulares e planados sobre a região. Muitas vezes, faz esses concertos aos casais. A  fêmea é maior que o macho como ocorre com os gaviões predadores. Em média a fêmea é 20% maior que os machos.

O olhar atento e penetrante, típico do predador!








Com as quarentenas e lockdowns necessários dessa pandemia, nossa atividade de birding consiste em ficar atento a essas oportunidades de nossa varanda.  

Certamente o Rupornis localizou alguma presa, mas, infelizmente, fora de nosso alcance.



Em conversas amigáveis com nossos colegas do COA/ES, Clube de Observadores de Aves do Espirito Santo, costumamos dividir Gaviões em dois grupos:

1) Gaviões bravos, autênticos e legítimos predadores, que capturam presas vivas e ágeis, seja no solo, no ar ou nas arvores. Como exemplo desse grupo temos o Falcão Cauré, o Falcão peregrino, o Gavião asa de telha e as grandes águias florestais de penacho como o Gavião Pega Macaco, o Gavião Pato, a Hárpia, Águia serrana, etc.

2) Gaviões dóceis, predadores mais "light", que apanham presas mais "fáceis" como grilos, gafanhotos, caranguejos, cobras pequenas, lagartos, enfim presas que possuem menor capacidade de fuga. Exemplos: Gavião Sovi, Carrapateiro, Carcará, Gavião Peneira, etc.

O nosso personagem desse post, com certeza faz parte do grupo 1. Mas, como oportunista e generalista que é, não vai dispensar uma cobrinha se a situação ficar difícil e a fome apertar.

Essas fotos são de um individuo adulto, o imaturo apresenta plumagem diferente, como é comum em gaviões, sendo pardo estriada.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!