O Maçarico de asa branca, Tringa semipalmata, voltou a nos visitar no verão. Todos os anos recentes, em 2023, 2024, 2022 e 2020 esta ave apareceu aqui na Ilha do Boi em Vitória. Temos visto apenas um individuo. Sempre nos encantamos com essa ave, migrante de longo curso.
José Silvério Lemos Blog sobre Observação de aves. Foto: campos de altitude, com Chusquea pinifolia, Serra do Caparaó, ES/MG.
Translate
domingo, 26 de janeiro de 2025
ELE VOLTOU ! Tringa semipalmata de volta a Vix.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
Nidificação do Gavião asa de telha dentro da cidade.
Parabuteo unicinctus,o Gavião asa de telha, é uma ave de rapina de porte médio para grande, atingindo 48 a 56 cm. de comprimento, chegando a fêmea a pesar até 1 kg. de peso.
A plataforma acima, foi usada pelo gavião, que, quando de nosso encontro, contava já com os dois filhotes já crescidos, empoleirados em galhos de uma arvore de casuarina.
Temos noticiado, algumas vezes, o aparecimento desse gavião, e transmitido também, a impressão de que tem ficado "mais comum", ou mais encontradiço. Muitas vezes em áreas urbanas, o que agora se confirma com esse registro de sua nidificação dentro da cidade.
Parabuteo unicinctus, o Gavião asa de telha, é espécie que se distribui-se do México e EUA até a América do Sul. Tem sido muito registrado na parte oriental do Brasil e, segundo o Wiki Aves, confirmando nossa desconfiança de que tem sido mais registrado ultimamente em zonas urbanas. Habita regiões campestres, áreas de vegetação baixa como manguezais, cerrados, caatingas, pastagens, etc.
domingo, 29 de dezembro de 2024
O ARAPAÇU DE BICO BRANCO no manguezal!
Arapaçus são aves da familia Dendrocolaptidae, restritos à região dos neotropicos. São aves de comportamento muito curioso, subindo pelos troncos das árvores à feição de pica-paus. Pessoas que não os conhecem, costumam frequentemente confundi-los com pica-paus. Mas não possuem parentesco com os picídeos.
Sua cauda, resultado de adaptação ao modo de vida arborícola, possui adaptação para subir pelos troncos das arvores, com a cauda rígida ou semirrígida, e possuindo as retrizes centrais, as raques em forma de ganchos para auxiliar ao ato de agarrar-se ao tronco da arvore sem cair. Essa propriedade lhe é de muita valia, pois costumam subir os troncos inspecionando galhos, ocos das arvores e buracos onde podem se esconder suas presas, besouros, pequenas aranhas, insetos, enfim todo animalejo que possa capturar e consumir.
O Arapaçu de bico branco é espécie comum, gosta de viver em matas baixas com proximidade de água, como é o caso do manguezal. Possui uma vocalização melodiosa e que o atrai com facilidade quando reproduzida por gravador.
Nessa foto acima, é possível observar sua cauda rígida que possibilita à ave um apoio no tronco, à semelhança de praticantes do esporte "rapel".
Na espécie acima, Arapaçu de garganta amarela, Xiphorhynchus guttatus, feita na Reserva de Linhares em 2019, é possível ver claramente as "garras" das raques que se prendem ao tronco, possibilitando equilíbrio na escalada.
Arapaçus são aves geralmente insetívoras, podem acompanhar bandos mistos de aves que percorrem as florestas e também podem seguir as formigas de correição. Algumas espécies, como o Arapaçu liso, Dendrocincla turdina, nas épocas certas, são frequentemente encontrados junto às colunas das formigas de correições.
Para o observador de aves, é importante ter o cuidado para a correta identificação das espécies. Conhecer quais as espécies são encontradas na área que estiver, suas exigências ecológicas. Como são aves de plumagem de cor muito parecida, geralmente cor canela, detalhes como o comprimento da ave, a cor e formato do bico, e, principalmente reconhecer sua voz, são muitíssimo importantes para a ID. No caso presente, o arapaçu de bico branco não é difícil ser reconhecido, devido a esse detalhe do bico branco.
Muito obrigado visitantes!! e Um Bom ano novo a todas e todos!!
segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
Xenops rutilans, o Bico virado carijó!
Dentre os passeriformes brasileiros, a família FURNARIIDAE, ou furnarideos, é uma das mais numerosas e importantes de nossa avifauna.
Nessa família convivem, por exemplo, o João de Barro, Furnarius rufus, uma ave campestre e muito conhecida de todos, com outras espécies, menos conhecidas como o Vira Folhas, Sclerurus scansor, habitante do interior da mata, que prefere a penumbra da floresta. Furnarideos habitam regiões campestres e florestais, e recentemente estão a invadir mesmo cidades e capitais.
Grande parte dos integrantes dessa família numerosa, são florestais e ao contrario de nosso João recém falado, somente conseguem viver dentro da mata! Alguns são mesmo raros e outros, encontram-se ameaçados de extinção devido justamente à derrubada da mata que tanto amam e dependem.
Entre esses florestais, mas não ameaçado, ainda, está nosso artista ai de cima, o Bico virado carijó. Bico virado devido a uma particularidade anatômica, que dá a aparência de seu bico ser virado para cima. E carijó, devido sua plumagem, onde se ressalta seu peito estriado. Outro bico virado da mata atlântica no Sudeste, é o Bico virado miúdo, Xenops minutus, que não possui o peito estriado. Como nosso Bico virado carijó tem o peito estrado, isto lhe dá uma aparência de "carijó" , o que justifica seu apelido.
São aves que vivem dentro das matas, mesmo as pequenas. Adoram participar dos famosos "bandos mistos", que congregam várias espécies de aves que perambulam pelas matas. Esse fenômeno é benéfico para as espécies, proporcionando-lhes segurança contra predadores.
Nosso Bico virado carijó, pode ser encontrado nesses bandos, onde procura alimentação inspecionando os troncos secos das arvores, onde assume várias posições. Ás vezes lembrando um pica-pau outros vezes, um arapaçu! Vão atrás de insetos que vivem escondidos nos ocos e nos galhos.
O Bico virado carijó habita quase todo o Brasil, não sendo comum na Amazônia e na Caatinga, mas comum no leste do Brasil, na região da mata atlântica e também no cerrado. A ave tem em média 12 centímetros de comprimento e além do peito estriado que lhe dá o apelido, possui o manto e as costas de cor alaranjada, o que é comum a quase todos os furnarideos florestais.
A distribuição do Bico virado Carijó, conf. os registros anotados no Wiki Aves: Mapa de registros da espécie bico-virado-carijó (Xenops rutilans) | Wiki Aves - A Enciclopédia das Aves do Brasil.
Os pontos em vermelho significam os locais onde a ave já foi registrada.
Agradecemos às pessoas que nos visitam!!
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
Garças nidificando dentro da zona urbana!
Uma pequena colônia de Garças grande, Ardea alba e, também de algumas garças vaqueiras, Bubulcus ibis, estabeleceu-se nas arvores do mangue, bem de frente minha varanda, no bairro de Jardim da Penha em Vitória- ES. Primavera é uma época em que as aves estão nidificando e, havendo condições mínimas para executar essa tarefa, mesmo que dentro de um centro urbano, elas seguem a natureza. Apesar de ser uma ave predominantemente insetívora, Bubulcus ibis, a Garça vaqueira também se alimenta de moluscos, crustáceos, etc. Enquanto a Garça grande possui alimentação mais diversificada, já tendo sido fotografada capturando insetos, pequenos sapos e até pássaros. Mas seu alimento principal são peixes.
Não é possível chegar perto da colônia, devido a distância e outros obstáculos, e por essa razão, as fotos não ficaram boas, mas confirma-se realmente tratar-se da Ardea alba e algumas Bubulcus.
Também pudemos observar que alguns ninhos estão com ovos, como esse ai, quando a ave procurando uma posição de descanso, nos permitiu a visualização. Postura de três ovos de cor azul claro com tons de verde;
As garças, principalmente a grande, Ardea alba, já foram muito perseguidas por causa de suas penas que eram usadas para confecção de chapéus e adornos. Passada essa moda, as populações se recuperaram e hoje, as duas espécies são cosmopolitas, habitando o mundo inteiro. Cessou a ameaça de extinção e a prova disso são essas aves se aproximando e construindo colônias de ninhos até dentro de cidades!
Muito obrigado, pessoas que nos visitam!!!
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
LIMPA FOLHA OCRÁCEO: Uma ave bonita e interessante!
Anabacerthia lichtensteini
O Limpa folha Ocráceo é uma ave da família FURNARIIDAE. Essa é uma das maiores famílias de aves brasileiras, sendo algumas, muito famosas como o João de Barro.
Pertence ao grupo dos furnarideos florestais, que ainda habitam nossas matas com certa frequência. Algumas aves, mesmo não sendo comuns, não podem ser classificadas como ameaçadas, porque sua densidade populacional, são, naturalmente raras ou pouco comuns.
O nosso convidado de hoje, o Anabacerthia não é ave comum, mas, mesmo assim, seu estado de
conservação é considerado como Pouco preocupante pela IUCN.
Como faz parte dos já citados furnarideos florestais, fica
claro que somente podemos encontra-lo no interior da floresta. Nesse grupo se
encaixam outros colegas como o Limpa folha de testa baia, Dendroma rufa ou o Barranqueiro de olho branco, Automolus leucophthalmus.
Alimenta-se de insetos, que captura dentro da mata, muitas
vezes fazendo parte de um bando misto. Esses bandos mistos podem conter várias
espécies de aves que percorrem a floresta em busca de alimento. O Bando
funciona como uma proteção para todos. O Limpa folha Ocráceo é muito parecido
com o Limpa folha de testa baia, distinguindo-se por ser um pouco menor, 19 cm
e o Ocráceo, cerca de 18 cm. e, principalmente pelo detalhe do píleo com cor cinzenta até a comissura
do bico, enquanto que o de testa baia o cinza alcança apenas até a metade da
testa. Trata-se de ave com comportamento fleumático, calmo, sua presença parece
ser um indicio de mata em boas condições de preservação.
Em nossas excursões, sempre encontramos o Limpa folhas de testa baia, o Dendroma rufa. O Ocráceo, pelo menos aqui no ES, é mais difícil de ser registrado. Geralmente temos visto em regiões montanhosas, como esse registro de Santa Teresa.
O presente registro deu-se no interior da Reserva Biológica Augusto Ruschi, no município de Santa Teresa, há uma altitude de cerca de 700m. A ave acompanhava bando misto de aves onde pudemos distingui-lo graças à vocalização diferente do Limpa folhas de testa baia e também seu comportamento que é menos agitado. E confirmamos sua identificação ao examinarmos as primeiras fotos que fizemos, onde se constata o colorido cinza do píleo da ave alcançando o bico. Coisa que no de Testa baia não ocorre, pois esse colorido apenas chega até o meio do píleo.
Esse grupo dos Furnarideos florestais é um dos mais interessantes de nossa avifauna. São passeriformes suboscines, isto é, pertencem à divisão dos passeriformes considerada como mais antiga e menos adaptável a mudanças em seu meio ambiente. Por essa razão, o numero de suboscines ameaçados é maior que entre os oscines. Os Oscines são mais adaptaveis, possuem um cerebro mais "plastico", são aves canoras e consideradas como mais recentes na escala de evolução dessa ordem passeriformes. Porém, a maior parte dos Furnarideos, não são aves florestais. Muitas são campestres como o citado João de Barro e outros, habitam tanto campos como a borda da mata, ambientes intermediários entre a mata e o campo. Se ocorrerem mudanças no ambiente provocadas pelo homem, como por exemplo, o desmatamento de uma área florestal, os suboscines que moravam nessa mata como é o nosso caso estudado agora, o Limpa folhas Ocraceo, estarão condenados à extinção pois não terão como se adaptar ao novo ambiente modificado após a derrubada da floresta. O mesmo pode ser dito de outras aves florestais que citamos aqui, o Barranqueiro de olho branco e o Limpas folhas de Testa baia, e muitos outros não citados, como, por exemplo, o Rabo amarelo Thripophaga macroura. Sabemos de uma mata, não longe da Rebio Augusto Ruschi, que encontrávamos esse furnarídeo florestal. Porém, essa mata vem sendo paulatinamente degradada e, infelizmente, já não encontramos mais o rabo amarelo nesse local.
Limpa folhas ocráceo, forrageando na mata da Rebio Augusto Ruschi.
Agradecemos às pessoas que nos visitam: muito Obrigado!
terça-feira, 29 de outubro de 2024
NOVO REGISTRO DO TAPERUÇU VELHO.
O Taperuçu velho, Cypseloides senex é uma ave da família APODIDAE, não ameaçada de extinção, e que habita grande parte do Brasil e é encontrado também no Paraguai e Argentina. Trata-se de uma ave de tamanho médio, cerca de 18 cm. e que possui o curioso hábito de habitar regiões com matas, situando-se nas proximidades ou dentro de cachoeiras.
Vimos esse fato em nossa visita à cachoeira de Matilde no município de Alfredo Chaves e agora, mais recentemente, em Santa Leopoldina, em uma pequena cachoeira na proximidades da cachoeira de Chaves.

























