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sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Garças nidificando dentro da zona urbana!

 Uma pequena colônia de Garças grande, Ardea alba e, também de algumas garças vaqueiras, Bubulcus ibis, estabeleceu-se nas arvores do mangue, bem de frente minha varanda, no bairro de Jardim da Penha em Vitória- ES. Primavera é uma época em que as aves estão nidificando e, havendo condições mínimas para executar essa tarefa, mesmo que dentro de um centro urbano, elas seguem a natureza. Apesar de ser uma ave predominantemente insetívora, Bubulcus ibis, a Garça vaqueira também se alimenta de moluscos, crustáceos, etc. Enquanto a Garça grande possui alimentação mais diversificada, já tendo sido fotografada capturando insetos, pequenos sapos e até pássaros. Mas seu alimento principal são peixes.

Não é possível chegar perto da colônia, devido a distância e outros obstáculos, e por essa razão, as fotos não ficaram boas, mas confirma-se realmente tratar-se da Ardea alba e algumas Bubulcus.


Alguns ninhos já estão com filhotes crescidos, que produzem bastante agitação quando as mães chegam trazendo alimento. 


Também pudemos observar que alguns ninhos estão com ovos, como esse ai, quando a ave procurando uma posição de descanso, nos permitiu a visualização. Postura de três ovos de cor azul claro com tons de verde;



As garças, principalmente a grande, Ardea alba, já foram muito perseguidas por causa de suas penas que eram usadas para confecção de chapéus e adornos. Passada essa moda, as populações se recuperaram e hoje, as duas espécies são cosmopolitas, habitando o mundo inteiro. Cessou a ameaça de extinção e a prova disso são essas aves se aproximando e construindo colônias de ninhos até dentro de cidades!

Muito  obrigado, pessoas que nos visitam!!!



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

LIMPA FOLHA OCRÁCEO: Uma ave bonita e interessante!

 

Anabacerthia lichtensteini

 

O Limpa folha Ocráceo é uma ave da família FURNARIIDAE. Essa é uma das maiores famílias de aves brasileiras, sendo algumas, muito famosas como o João de Barro. 

Pertence ao grupo dos furnarideos florestais, que ainda habitam nossas matas com certa frequência. Algumas aves, mesmo não sendo comuns, não podem ser classificadas como ameaçadas, porque sua densidade populacional, são, naturalmente raras ou pouco comuns.

O nosso convidado de hoje, o Anabacerthia não é ave comum, mas, mesmo assim, seu estado de conservação é considerado como Pouco preocupante pela IUCN.




Como faz parte dos já citados furnarideos florestais, fica claro que somente podemos encontra-lo no interior da floresta. Nesse grupo se encaixam outros colegas como o Limpa folha de testa baia, Dendroma rufa ou o Barranqueiro de olho branco, Automolus leucophthalmus.

 




 

Alimenta-se de insetos, que captura dentro da mata, muitas vezes fazendo parte de um bando misto. Esses bandos mistos podem conter várias espécies de aves que percorrem a floresta em busca de alimento. O Bando funciona como uma proteção para todos. O Limpa folha Ocráceo é muito parecido com o Limpa folha de testa baia, distinguindo-se por ser um pouco menor, 19 cm e o Ocráceo, cerca de 18 cm. e, principalmente pelo detalhe do píleo com cor cinzenta até a comissura do bico, enquanto que o de testa baia o cinza alcança apenas até a metade da testa. Trata-se de ave com comportamento fleumático, calmo, sua presença parece ser um indicio de mata em boas condições de preservação.

Em nossas excursões, sempre encontramos o Limpa folhas de testa baia, o Dendroma rufa. O Ocráceo, pelo menos aqui no ES, é mais difícil de ser registrado. Geralmente temos visto em regiões montanhosas, como esse registro de Santa Teresa.

O presente registro deu-se no interior da Reserva Biológica Augusto Ruschi, no município de Santa Teresa, há uma altitude de cerca de 700m. A ave acompanhava bando misto de aves onde pudemos distingui-lo graças à vocalização diferente do Limpa folhas de testa baia e também seu comportamento que é menos agitado. E confirmamos sua identificação ao examinarmos as primeiras fotos que fizemos, onde se constata o colorido cinza do  píleo da ave alcançando o bico. Coisa que no de Testa baia não ocorre, pois esse colorido apenas chega até o meio do píleo.

Esse grupo dos Furnarideos florestais é um dos mais interessantes de nossa avifauna. São passeriformes suboscines, isto é, pertencem à divisão dos passeriformes considerada como mais antiga e menos adaptável a mudanças em seu meio ambiente. Por essa razão, o numero de suboscines ameaçados é maior que entre os oscines. Os Oscines são mais adaptaveis, possuem um cerebro mais "plastico", são aves canoras e consideradas como mais recentes na escala de evolução dessa ordem passeriformes. Porém, a maior parte dos Furnarideos, não são aves florestais. Muitas são campestres como o citado João de Barro e outros, habitam tanto campos como a borda da mata, ambientes intermediários entre a mata e o campo. Se ocorrerem mudanças no ambiente provocadas pelo homem, como por exemplo, o desmatamento de uma área florestal, os suboscines que moravam nessa mata como é o nosso caso estudado agora, o Limpa folhas Ocraceo, estarão condenados à extinção pois não terão como se adaptar ao novo ambiente modificado após a derrubada da floresta. O mesmo pode ser dito de outras aves florestais que citamos aqui, o Barranqueiro de olho branco e o Limpas folhas de Testa baia, e muitos outros não citados, como, por exemplo, o Rabo amarelo Thripophaga macroura. Sabemos de uma mata, não longe da Rebio Augusto Ruschi, que encontrávamos esse furnarídeo florestal. Porém, essa mata vem sendo paulatinamente degradada e, infelizmente,  já não encontramos mais o rabo amarelo nesse local.


Limpa folhas ocráceo, forrageando na mata da Rebio Augusto Ruschi.


Agradecemos às pessoas que nos visitam: muito Obrigado!


terça-feira, 29 de outubro de 2024

NOVO REGISTRO DO TAPERUÇU VELHO.

 O Taperuçu velho, Cypseloides senex é uma ave da família  APODIDAE, não ameaçada de extinção, e que habita grande parte do Brasil e é encontrado também no Paraguai e Argentina. Trata-se de uma ave de tamanho médio, cerca de 18 cm. e que possui o curioso hábito de habitar regiões com matas, situando-se nas proximidades ou dentro de cachoeiras.

Vimos esse fato em nossa visita à cachoeira de Matilde no município de Alfredo Chaves e agora, mais recentemente, em Santa Leopoldina, em uma pequena cachoeira na proximidades da cachoeira de Chaves.



Foto tirada em 25.10.24: debaixo da cachoeira, agarrados à pedra molhada.


A cachoeira , menor, onde as aves se localizaram.


Detalhe de onde as aves ficam escondidas e agarradas à pedra.





Avistamos seis indivíduos nessa pequena cachoeira.



Esse Taperuçu, devido seus hábitos muito interessantes, é uma grande curiosidade para nós, observadores de aves.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

O JEQUITIBÁ ROSA em Vitória.

 Descobri com alegria, que uma das maiores, se não a maior, árvore da mata atlântica, o Jequitibá rosa, Cariniana legalis foi usado na arborização urbana de Jardim da Penha, bairro onde moro em Vitória, Espirito Santo, Brasil.

Nessa época do ano, a arvore, bem como o Jequitibá branco, solta suas sementes. Essas sementes ficam dentro de um cachimbinho lenhoso que essas arvores produzem.
E esses dias, percorrendo as avenidas Hugo Viola e Anísio Fernandes Coelho, notei que nos canteiros centrais dessas avenidas, algumas arvores estavam liberando suas sementes e foi então que reconheci essa árvore incrível. Imagino que devem ter sido plantadas por ocasião da fundação de Jardim da Penha, lá pelos idos da década de 1970. Então, essas arvores teriam uns 50 anos! Algumas já alcançam uns 12-13 metros de altura e outras, menores. Mas já exibem seu porte majestoso e na primavera, sua copa adquire um verde de folhas novas, muito bonito! Parabéns para nossa cidade!


Jequitibá na mata atlântica! Uma árvore muito monumental.


Na Avenida Hugo Viola: exibindo já seu porte que será majestoso.


Os pixídios lenhosos onde as sementes ficam armazenadas.


Na Avenida Anisio Fernandes Coelho.


Av. Anisio Fernandes Coelho.

A Lei 6146 do dia 08 de fevereiro de 2000 reconheceu o Jequitibá Rosa, Cariniana legalis., como a arvore símbolo do Estado do Espirito Santo.

ás amigas e amigos que nos visitam: Muito Obrigado!!

domingo, 20 de outubro de 2024

CONHECENDO O TAPERUÇU VELHO.

 

Cypseloides senex, o TAPERUÇU VELHO.

 

O Andorinhão ou Taperuçu velho tem esse apelido, certamente, devido seu aspecto parecendo envelhecido. Com a cabeça esbranquiçada, o que dá às pessoas uma imagem de idade. Trata-se de uma ave que apesar de não ser rara, é pouco conhecida devido seus hábitos. O Hábito de viver em paredões rochosos com cachoeiras, pousando atrás da cortina d'água desses paredões, dificulta a observação dessa ave, mesmo que possa ser numerosa. Talvez a espécie tenha evoluído para se proteger exatamente nesses lugares. Convenhamos que algum predador terá de dispender um bom esforço para conseguir predar esses taperuçus nesses locais.

Mesmo ficando empoleirados nesses locais, em alguns intervalos, observamos indivíduos que saem, discretamente, da cachoeira para excursões na mata ou em seus arredores. Certamente à procura de comida, que no caso dessa ave, trata-se de insetos alados, que são capturados nesses voos.




FOTO

A cachoeira de Matilde, no município de Alfredo Chaves este estado do Espirito Santo é uma cachoeira de grande porte, com uma queda de 70 metros de altura,.

Foto disponível em A Cachoeira de Matilde tem a Maior Queda Livre do Espírito Santo - Terra Capixaba

 

Mesmo atravessando uma época de seca, notamos uma boa quantidade de agua! Estivemos nesse mês de outubro na cachoeira e verificamos que o Taperuçu está nidificando. As aves empoleiram na pedra e encontram  pequenos refúgios ou saliências que lhes permitem instalar seus ninhos.


A ave empoleirada na pedra, atrás da cortina d'água da cachoeira. Ave insetívora, o Taperuçu costuma habitar essas regiões, algumas vezes em bandos muito numerosos. Observamos também as viagens de alguns integrantes do bando, saindo em voo baixo da cachoeira dirigindo-se para os arredores da mata.

Observamos também, como pode ser visto abaixo, que algumas dessas aves estão nidificando.



Algumas aves ocupavam espaço aconchegado na pedra. Supomos que nesse caso, estão nidificando. De qualquer modo, é de se admirar com a situação um pouco precária que essas aves escolhem para nidificar. Com a presença constante da humidade a atrapalhar a atividade.

O Taperuçu velho não é raro. ocorre na maioria dos estados e no Espirito Santo, já foi registrado em 9 municípios.

Agradecemos às pessoas que nos visitam!!!

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

AS BELISSIMAS MATAS DE CAMPOS DO JORDÃO!

 

Campos do Jordão é a cidade mais alta do Brasil, situada a 1.628 m. de altitude e seu clima e vegetação são do tipo temperado. Estivemos lá entre os dias 02 a 06 de outubro pp. Durante as noites as temperaturas ficaram entre os 9 e 11 graus e durante os dias, houve máxima de 17 graus e, no final, dia 5 de outubro, a máxima chegou a 26 graus, o que nos disseram não ser muito comum na cidade. 

A vegetação do município é uma das mais bonitas do Brasil. Trata-se de um dos locais onde as matas de araucárias continuam presentes com toda sua pujança. Como situa-se na Serra da Mantiqueira, as araucárias dominam amplamente a paisagem natural. O Parque Estadual de Campos do Jordão é um dos locais onde essas matas ainda estão bem preservadas. Sempre tive uma grande admiração pela beleza dessas matas e também, já li e pesquisei sobre elas.

 Nessas leituras, uma das surpresas, foi descobrir que a Araucária, Araucária angustifólia, não é a única conífera brasileira. Sim, um dos elementos presentes nas matas nativas da araucária, e que quase sempre aparecem nas sombras,  delas, e de outras arvores, é outra conífera! Conhecida como Pinheiro bravo ou Pinheirinho, trata-se de Podocarpus lambertti. Essa conífera, segundo Harri Lorenzi, em sua obra Arvores Brasileiras, "Ocorre nos Estados de Minas Gerais, Espirito Santo, Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul, na floresta de altitude e mata de pinhais, é particularmente frequente no Planalto Catarinense".


Mesmo não tendo a exuberância da Araucária, o Podocarpos impressiona bem por sua presença.


As folhas aciculadas da árvore facilitam seu reconhecimento.


A Beleza da mata, notar que as araucárias dominam o dossel.




Essas florestas belíssimas estão ameaçadas! Essa ameaça vem de muitos lugares, mas a maior, pelo que pude perceber das leituras e conversa com biólogos na região, é que a reprodução da Araucária é um pouco complicada. Isso faz com que a arvore perca terreno para outras espécies mais adaptáveis e possuidoras de rápido crescimento. Somente a conscientização das pessoas poderá impedir um destino difícil para essa árvore magnifica, única na paisagem brasileira.

Distribuição de Araucária angustifolia, segundo a Wikipedia: Araucária – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)


A distribuição historica da espécie alcançava 200.000 Km2.; estando muito reduzida!

Segundo a Wikipédia:

"A araucária ocorre como a espécie arbórea dominante da floresta ombrófila mista da América do Sul, entre as latitudes de 18º e 30º sul. Desenvolve-se, de acordo com Angeli (embora outros autores ofereçam dados ligeiramente diferentes), em altitudes de 800 a 1 800 m no norte de sua distribuição, e entre 500 e 1 200 m na parte sul, em regiões de precipitação anual uniforme entre 1 250 e 2 200 mm, e de temperaturas médias anuais de 10 a 18 °C (mas tolera bem temperaturas de até -5 °C). Prefere solos profundos, férteis e bem drenados. Também é encontrada em bosques isolados em áreas de campo. A maior parte de sua área de ocorrência está dentro do Brasil, das serras do Rio Grande do Sul ao Paraná, com outros pontos até Minas Gerais e pequenos trechos na Argentina e Paraguai.[2][14][20][21] Existem ocorrências até as proximidades do Rio Doce em Minas Gerais e no Rio de Janeiro em áreas de altitude elevada. Augusto Ruschi relatou a presença da espécie no ano de 1939 em um bosque relicto na Serra do Caparaó no Espírito Santo, acima de 1700 m de altitude, com cerca de 300 indivíduos adultos.[22] Foi introduzida artificialmente, entre outros lugares, no sul da Bahia, na África do Sul, na Austrália, no Quênia, em MadagascarPortugal e no Zimbábue, com comportamento variável.[2

Vimos araucárias nativas também no Parque Nacional do Itatiaia:







Além de sua beleza e fitofisionomia, essa floresta é habitada por muitos animais interessantes componentes de nossa fauna.

Agradecemos às pessoas que nos honram com suas visitas!!



domingo, 13 de outubro de 2024

CONHECENDO O BACURAU TESOURÃO.

O BACURAU TESOURÃO.

 

Ele já era meu conhecido há tempos. Mas, tem muitos anos que não o encontrava! Por minha culpa, por não ir procura-lo onde mora. Mas, dessa vez, visitando a belíssima Campos do Jordão em São Paulo, tivemos a oportunidade de encontra-lo. Já o tinha visto em 1988 no Parque Estadual de Pedra Azul no Espirito Santo e, também no Parque Nacional do Caparaó, divisa de MG/ES, sempre em altitudes em torno de 1.500 metros. Campos é a cidade mais alta do Brasil, situada a 1.628 m. de altitude e seu clima e vegetação são do tipo temperado, predominando as belíssimas matas com araucárias. 


O Bacurau

Hydropsalis forcipata é uma ave da família  dos bacuraus e curiangos, os Caprimulgidae. São aves beneficiadas pela abundancia de insetos noturnos existentes em nossos campos e matas. O Bacurau tesoura já foi chamado de Bacurau Tesoura gigante. Isso devido seu tamanho e o comprimento de sua cauda. O macho mede cerca de 76 cm. Sendo que somente a cauda, mede 55 cm. desse comprimento. Um espetáculo proporcionado por esse bacurau é quando conseguimos vê-lo pousado com as retrizes alongadas pendentes! Também quando voa, produz outro espetáculo admirável, com as retrizes alongadas chamam muito a atenção devido seu tamanho!


Individuo macho do Bacurau Tesoura, que vimos ao entardecer, por volta das 18 hs. em estrada de terra, próxima aos campos de altitude no município de Campos do Jordão. Notar o comprimento das retrizes.

 

O Bacurau tesourão ainda não é enquadrado em categorias de ameaça pela IUCN, porém, como habita uma área restrita, de áreas montanhosas no sul e sudeste do Brasil, o desmatamento dessas áreas, principalmente os campos de altitude e as matas próximas, pode vir a ficar realmente ameaçado.


Esse bacurau, pelo que observamos, também aprecia pousar nas estradas no crepúsculo, a exemplo de outros bacuraus. É ave noturna, mas, principalmente crepuscular quando pode ser visto. É exclusivamente insetívoro, e a fêmea deposita dois ovos por ocasião da nidificação. A espécie não constrói ninho. Os ovos são depositados em local bem camuflado, sobre a terra, mas acolchoado com palhas de arbustos secos. O casal se reveza na tarefa de chocar os ovos.

Ao voar na estrada, a ave produz certo sussurro sonoro talvez devido suas longas retrizes. Costuma sempre voltar depois desses voos. E sua voz é um "cricri"  semelhante à vocalização de grilos. A fêmea é menor e não possui as retrizes alongadas.

Essa é uma ave muito interessante para o observador de aves, fotografar e estudar seus movimentos. 


Muito obrigado, pessoas amigas que nos visitam!