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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

EXPEDIÇÃO MATA FRIA - TRÊS PONTÕES -ES

No último fim de semana, nos dias 6 e 7 de outubro de 2012, acompanhados dos colegas Israel Kuster e José Ronaldo de Araújo, visitamos a localidade de Três Pontões, na pousada Cantinho dos Três Pontões do Itamar Tesch. Desta feita, fomos visitar remanescentes de mata secundária alta, muito semelhantes a mata primaria. Esses remanescentes, conhecidos como "Mata Fria", localizam-se a 1.000 metros de altitude e possuem muitas espécies da mata atlantica ameaçadas de extinção. Logo no dia 6, fomos surpreendidos com a existência de bom número de individuos da Tovaca Chamaeza meruloides, mas não conseguimos fotografar  nenhuma apesar de ficarmos em uma ocasião há apenas  6 metros do pássaro que caminhava cuidadosamente dentro da mata sombria, com as pernas finas esticadas. Pudemos verificar e tirar fotos de algumas aves, como o araçari-poca Selenidera maculirostris:






Essa belissima ave não é arisca e atendeu ao chamado rapidamente. Mas foi apenas esse que pude fotografar no primeiro dia. A noite fizemos corujada no pico dos três pontões e quem apareceu foi o belissimo bacurau-tesoura Hydroplsalis torquata:



Pudemos apreciar o belissimo por do sol do lugar:



No dia seguinte pudemos começar  cedo, por volta de 7hs e nesse dia fizemos importantissimos registros como passamos agora a relatar:

O corocochó  Carpornis cucullatus, cotinga muito importante, habitante de lugares altos e frios. Atendeu ao chamado caracteristico da espécie e apareceram alguns. Essa magnifica ave é considerada como ameaçada de extinção devido à derruabada das matas.



Outro cotinga sensacional que lá registramos vocalizando  muito, o tropeiro da serra, Lipaugus lanioides:





Um incrivel e belissimo habitante do interior, da mata, o Tangarazinho, Ilicura militaris, aqui fotografado em um tronco horizontal caído dentro da mata. A ave chegou a iniciar a execução de uma de suas danças nupciais, aparecendo duas femeas, mas não conseguimos fotografar:


O dia estava propicio ao birding e apareceram outras aves do interior da floresta, como  o olho-falso, Hemitriccus  diops, na foto acima.
o interior da mata, vimos ainda o Sabiá-coleira, Turdus albicollis:



Outra, essa mais comum, que vimos dentro da mata, o bico-chato Tolmomyias sulphurescens:




Várias espécies do interior da mata que registramos, como o trepador-coleira, várias saíras, a tovaca, etc não conseguimos fotografar, mas vão ficar para as proximas excursões. Ainda na excursão, fizemos vários registros na beira da mata e que são eles;

O assanhadinho de cauda preta, Myiobius atricaudus:



A saíra douradinha, Tangara cyanoventris:




O Surucuá- variado, Trocon surrucura:



O beija-flor  preto, Florisuga fusca:




Foi uma extraordinária excursão, tendo registrado ainda ao chegar à pousada, uma ave maravilhosa e belissima, a maracanã-verdadeira Primolius maracana, que deixamos agora como fecho final dessa postagem sobre as aves de três pontões:


Terminamos esse post, desejando a todos  muitas aves e alegrias,

jose silverio.  um abraço a nossos visitantes.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

EXPEDIÇÃO À PEDRA DOS CINCO PONTÕES = ES.

A Pedra dos cinco pontões é um monumento natural tombado pelo Patrimônio histórico do Estado do Espirito Santo. Trata-se de um magnifico maciço montanhoso natural que engloba terras dos municipios de Laranja da Terra e Itaguaçu. Seu pico mais alto alcança 1.200 metros de altitude e são várias as lendas e histórias que se contam sobre o lugar. A  "pedra"  como é conhecida constitui-se de um magnifico conjunto de cinco picos graniticos que se erguem e podem ser apreciados a grande distância.


Todo esse conjunto de rochas, incomuns em seu aspecto de relevo brasileiro, são margeados por remanescentes da floresta atlantica, existindo ainda uma mata em bom estado de conservação.


A beleza cenica das montanhas é tão grande que tem atraído visitantes de várias partes para conhece-las. Inclusive, anualmente é organizada uma caminhada ecologica que procura chegar até o pico mais alto. Todas essas formas de turismo precisam ser bem orientadas para que não se causem transtornos e destruição da fauna, flora e também das montanhas.



Nossa visita deu-se no ultimo dia 30 de setembro, um domingo ensolarado. Recentemente tivemos uma boa queda nas temperaturas normais aqui no Espirito Santo. Durante toda a semana tivemos minimas em torno de 14-15 graus e nesse domingo, já na primavera, a temperatura aumentou um pouco o que nos propiciou condições boas para a observação de aves. Nossa excursão foi composta dos amigos e membros do COA, Eu, José Ronaldo de Araujo e Israel Kuster,  que vieram de Afonso Claudio para nos encontrarmos na encruzilhada da estrada Itarana-Laranja da Terra, que vai para cinco pontões.


Apesar do pequeno atraso da comitiva que veio de Afonso, pudemos iniciar nossa caminhada por volta das 7,30hs. depois de muito bem recepcionados por D. Penha e seu marido o Sr. Gelson, que nos brindaram com um delicioso café da manhã composto de café da roça com bolo e queijo natural. Iniciamos a subida em busca de um dos lados da mata, mais fechada, onde imaginamos que veriamos mais aves. Porém, sem nenhuma trilha que permitisse adentrar a mata. Sem muito sucesso. Nesse local vimos poucas aves, como o garrichão Thryothorus genibardis e o Petrim Synallaxis frontalis. 


Voltamos a apreciar a beleza do lugar. Da base da pedra, já a uma altitude de uns 800 metros, é possível vislumbrar  todo o  horizonte. Pode-se  ver, por exemplo, a pedra dos Três Pontões em Afonso Claudio, lugar de várias de nossas passarinhadas:


Outras elevações importantes, como a pedra da Lajinha:


Continuando nossa busca por aves, finalmente elas começaram a aparecer. Antes viamos aves mais comuns. Apareceu a maria-preta de garganta vermelha, Knipolegus nigerrimus.

o Urubu de cabeça vermelha, Cathartes aura:


Quando finalmente, já por volta das 9,30hs, resolvemos ficar do lado esquerdo da mata, é que tivemos mais sorte e as aves apareceram em bom número e várias espécies.
Logo, vimos um bando misto onde se sabressaiu a Juruviara, Vireo olivaceos:


Outras aves vocalizavam  muito, como  choquinha de peito pintado, Dysithamnus stictothorax, mas, infelizmente nossas fotos não ficaram boas. Mas um dos comensais  mais cantadores e graciosos desse bando era  o Chorozinho de asa vermelha, Herpsilochmus rufimarginatus. Realmente essa avezinha deu um show e  nos encantou não só com sua disposição, mas também com a graciosidade de seus movimentos: a cada canção ela balança  a cauda em um movimento caracteristico de muita graça. A foto da artista:



Outra ave belissima e muito inquieta, que também chegou a nos brindar com suas exibições  foi a saíra-ferrugem, Hemithraupis ruficapilla.Vários casais estavam presentes, vocalizando intensamente. Ás vezes tinhamos a impressão que iriam pousar nas nossas lentes  tão próximas chegavam de nós.:




De repente, apareceu sobrevoando  os picos com seu vôo magestoso, aquela que pode ser considerada como a habitante mais ilustre de nossas elevações rochosas, a Águia-chilena  ou águia serrana, Geranoaetus melanoleucus. Ano passado, estivemos nessas serras e ficamos com a impressão de que eram algumas as águias. Hoje só vimos uma, mas, como pode ser visto por uma de nossas fotos, a ave deve estar nidificando pois observa-se uma placa em seu peito, sinal de que pode ter ficado deitada  sobre os ovos e, naquele momento, tinha iniciado seu turno de liberdade.

Ela aparecia e depois sumia, levando alguns minutos para retornar. Tiramos várias fotos mas a distância era grande.




De qualquer forma, percebe-se a beleza desse extraordinário gavião e lembramos, a pedra dos cinco pontões é o segundo lugar  que o registramos no Espirito Santo. De tanto procurar a aguia ao pousar  nos paredões, fizemos várias fotos e pudemos vistoriar as paredes. São inumeros os locais onde essas águias podem nidificar nos penhascos:




Pensei ter encontrado  uma, descansando em um desses buracos, da rocha, mas  com o zoom da Canon 100-400mm L, pude bisbilhotar  foi um urubu comum, Coragys atratus pousado calmamente em sua "varanda" rochosa.:

A distância é muita e o urubu é o ponto preto na cavidade maior. Com certeza esses urubus também nidificam nesses penhascos.


Tentamos com o play-back  o som de várias aves do lugar. Inclusive, com imitação do canto do falcão-de-peito vermelho, o Falco deiroleucus, e, para nossa surpresa, houve resposta muito parecida. Infelizmente a ave não apareceu no aberto e não podemos afirmar co certeza. Mas o canto era de deiroleucus  ou do cauré, Falco rufigularis. Pouco depois quem apareceu, belissimo e dando também um show de canto e vocalização  foi o grande Pica-pau de banda branca, o Dryocopus  lineatus:



Já na descida, finalmente conseguimos fotografar  o garrinchão pai-avô e na casa de D.Penha, a maria cavaleira de rabo enferrujado, Myiarchus tyrannulus, fazia  o ninho:




Conversando com o Sr. Gelson sobre aves do lugar, ele nos informou que há poucos dias atrás, ainda em setembro, tinha aparecido uma araponga Procnias nudicollis, que ficou pelo menos uma semana  cantando e batendo no lugar. Infelizmente não nos esperou. E por falar em esperar, D,Penha nos aguardou com um almoço maravilhoso. Arroz, feijão, salada, carne de porco, carne ensopada de Boi, torta capixaba e outras guloseimas e um gole de cerveja para molhar a garganta. Os "expedicionários", já cansados e com fome, não se fizeram de rogados:




E assim terminamos mais  uma passarinhada  muito divertida e cheia de aventuras em nossas matas.Voltaremos mais  vezes, e, segundo D.Penha, pode-se  mesmo acampar no terreiro para bem cedo iniciar-se a subida da serra.

Um abraço em todos os nossos amigos visitantes!
josé silvério lemos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

S.PAULO= CIDADE DOS PERIQUITOS! 2

Recentemente, dias18 a 21 de agosto, estivemos em São Paulo e visitamos o Parque Ibirapuera. O parque, grande área verde situada no coração da metrópole paulistana, destaca-se por apresentar várias espécies de aves, o que chama a atenção considerando que a cidade de São Paulo tem cerca de 11,5 milhões de habitantes. A seguir, faremos relatos sobre algumas aves que registramos dentro dessa área da metropole.


Na segunda foto, vista do parque do Ibirapuera, com seu lago que é habitado por muitas espécies. Ressaltamos  que o movimento nos fins de semana é intenso e mesmo assim as aves estavam  lá;


O sabiá laranjeira, Turdus rufiventris é considerada como nossa ave nacional e é frequente no parque, chegando proximo às pessoas e com certeza, nidificando no parque. Não vimos, desta vez, a maracanã-pequena Diopsittaca nobilis, que chega a habitar em grupos as áreas arborizadas da cidade.


O periquito Brotogeris tirica, ou periquito verde é muito comum em toda cidade! No Ibirapuera, foi a ave mais comum que registramos. Esses aí estavam se alimentando dos frutos da paineira. Mas tinham outros  que adoravam beliscar  essas flores vermelhas:


Além dos periquitos outras aves estão se dando muito bem na cidade. Colonizando as ruas aroborizadas e no ibirapuera ficam bem  a vontade. Tal é o caso da pomba da asa branca, Columba picazuro:


Aves frequentes em todo lugar  são os icterídeos! Vimos o famoso vira-bosta ou gaudério, no parque, o Molothrus bonariensis:




Uma ave interessante  que  vimos no parque, o Saí-canário, Thlypopsis sordida:




Devido à lagoa existente no parque, é grande a quantidade de aves aquáticas, vimos no lugar:

a garça moura, Ardea cocoi:


O Mergulhão-caçador, Podilymbus podiceps:




O frango Dágua  comum, Gallinula chloropus:




Finalizando com uma foto recordação do passeio, Eu e Aninha, fazendo pose próximos às cerejeiras japonesas  floridas:




Um abraço aos amigos  que nos  visitam!!!

sábado, 28 de julho de 2012

CHAVES = LUGAR DAS AVES!


Recentemente estivemos em Chaves, encosta da serra próxima a Santa Leopoldina, acompanhado dos colegas do  COA-ES, Mario Candeias e Evandro Limonge.
A localidade de Chaves possui esse nome devido ao povoado existente nas cercanias do Rio da Prata e também à "igrejinha do Chaves". Ponto  turistico de destaque na região é a famosa cachoeira do véu-de-noiva, ou "cachoeira do chaves". Localiza-se a meio caminho entre as cidades de Santa Leopoldina e Santa Tereza, no percurso ligado por uma estrada de terra que corta o lugar também denominado de "Boca da Mata". Tal denominação, por si só, já evoca a grande cobertura florestal do lugar. Ainda hoje os morros da região possuem  os terços superiores ocupados pela mata atlantica. Conhecemos o lugar desde 1987, e podemos dar nosso testemunho de que a alteração na cobertura florestal foi minima, ou melhor, houve ganho de cobertura florestal, com alguns morros que antes eram dominados por samambaias e arbustos, atualmente encontram-se tomados por capoeirões e visitados por muitas aves.







A localização de  CHAVES, conforme o Google Earth:


Essas medidas em linha vermelha  na figura, são comprimentos de área continua de mata atlantica. Encontramos  4 x 4 km de matas continuas, em ótimo estado de conservação, indicando que a área de mata da região é muito grande,o que explica a grande quantidade de registros e espécies não comuns  que já registramos no lugar. Isso sem falar nos morros próximos e que não estão compreendidos na figura.
Chaves  tem expressão avifaunistica há bastante tempo. Desde a decada de 1940  o lugar já era visitado por pesquisadores de nossa avifauna. Os coletores do Museu Paulista, Emilio Dente e Olalla fizeram vários trabalhos de coleta de especimens  em Chaves e etiquetaram suas amostras  com a denominação de origem:  "Chaves- Santa Leopoldina". Naquela epoca, praticamente todo o Estado do Espirito Santo era ocupado pela floresta atlantica e muitos registros de então, não mais  foram vistos(Em Chaves!). O  livro "Catalogo das aves do Brasil - primeira parte" de Oliverio Mario de Oliveira Pinto, enumera  os registros documentados  por peles existentes no Museu Paulista da epoca e entre os vários registros de Chaves, constam  muitos registros notáveis. Alguns  que não mais localizamos no lugar: o Tropeiro da serra Lipaugus lanioides, o macuco Tinamus solitarius e outros.

Entre os registros  notáveis que já anotamos em Chaves e que na epoca não fotografamos, destacamos o anambezinho,  Iodopleura pipra, a borralhara Mackenziaena severa, a Tovaca Chamaeza campanisona, o gavião-de-penacho Spizaetus ornatus, o gavião-pombo-pequeno Pseudastur lacernulatus, o falcão-caburé Micrastur ruficollis. O macuru ou capitão-do-mato Notharchus swainsoni. O Gavião-pato Spizaetus melanoleucus. O chibante Laniisoma elegans, o bico-agudo Oxyruncus cristatus.

Essa riqueza de aves está ligada diretamente à abundancia de alimento. Com os morros cobertos de mata, o vale do Rio da Prata  forma uma calha mais ou menos estreita a partir da cachoeira, em direção a jusante, as encostas baixas  foram plantadas com bananeiras. Mas muitas árvores nativas e tipicas de capoeirões são comuns nesse vale e fornecem alimento para as aves  como as canelas da familia lauraceae, imbaúbas, mirtáceas, melastomáceas e leguminosas. Também formações de taquarussús são vistos nas encostas, bem como o palmito Euterpe edulis.

Á montante da cachoeira, essa calha do rio torna-se mais larga e o vale, mais cultivado, sendo mais largo, propicia um maior aproveitamento econômico para os proprietários. Destarte, a partir da cachoeira, a mata se distância do observador. A estrada nesses locais não é mais sombreada pela mata. Mas nesses locais  pode-se ver a mata na encosta do morro, não muito longe.E é sempre uma visão grandiosa e pujante.

Em nossas visitas ao lugar,estamos sempre na expectativa de um desses registros históricos. Nas duas últimas visitas, nos dias 15 e 22 de julho próximos, pudemos registrar as espécies a seguir, em meio a outras mais comuns:

Trepador-de-coleira Anabazenops fuscus:


Bico-chato de orelha preta Tolmomyias sulphurescens:


Tiêtinga Cissopis leverianus:



bico-chato de orelha preta.



Pula-pula Basileuterus culicivorus:




Arapaçu-de-garaganta branca Xiphocolaptes albicollis:



Vite-vite Hylophilus thoracicus:



O bico-virado miudo Xenops minutos:


O saí-andorinha Tersina viridis:


O abre-asa-de cabeça cinza Mionectes rufiventris:


O assanhadinho Myiobius barbatus:



Surucuá-variado Trogon surrucura:


Gaturamo ferro-velho Euphonia pectoralis:


Trinca-ferro  Saltator similis:


A saíra-de-sete cores Tangara seledon:


O Tiê-galo Tachyphonus cristatus:

:



Toda essa movimentação foi maravilhosa mas faltava aparecer um predador do topo da cadeia alimentar. E ele apareceu, de forma até surpreendente. Vislumbrei um vulto negro voando rente às copas em uma encosta da mata. O colega Mario Candeias, ante minha expectativa de ser o gavião-pega-macaco, executou o som da ave assobiando, de seu gravador. Então, o majestoso gavião apareceu no ar, descrevendo circulos e assobiando muito, como que chamando o companheiro, talvez para acasalamento. e Pudemos, então, registra-lo com várias fotos:





Finalizo com a sequência belíssima desse grande predador, o maior predador alado mais comumente observado em Chaves e desejando boas passarinhadas a todos  nossos visitantes. Mas, antes, uma  pausa  para a foto  final, do almoço dos passarinheiros: