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sábado, 20 de dezembro de 2025

Conhecendo a Picaparra, Heliornis fulica.

 A primeira vez que vimos uma picaparra, Heliornis fulica, foi no ´Pantanal norte de Mato Grosso, no ano de 2018, quando conseguimos a primeira foto dessa espécie. A ave, espantadiça por natureza, alçou voo logo a frente de nosso barco e com muita sorte consegui uma foto.


A foto, feita no Pantanal de Poconé, em 2018.

Desde então não tivemos mais noticia dessa ave. Apesar de desde 2017, terem ocorrido os primeiros registros para o Estado do Espirito Santo.


O Mapa dos registros da Picaparra postados no site Wiki Aves. Fonte: https://www.wikiaves.com.br/mapaRegistros_picaparra

Pode ser visto que não se trata de ave rara, mas percebemos que uma de suas características é ser muito arisca, extremamente desconfiada.

Recentemente, conhecemos um novo local para fotografar essa ave, os alagados da região de Vale Encantado no municipio de Vila Velha. Acompanhados pelo Sr. Mario Candeias, do COA/ES, conseguimos visualizar essa ave de perto, de forma que conseguimos algumas boas fotos.


Trata-se de uma ave da familia Heliornithidae, conhecida pelos barqueiros do pantanal, pelo apelido de "cachorrinho d'agua", isso, descobri depois, graças a sua voz que assemelha-se ao latido de um cão pequeno. Pelo mapa de registros pode-se perceber que essa ave tem distribuição em todo o pais, e com muitos registros nos mais diferentes estados. Então, qual a razão de sua suposta raridade? Não é uma ave rara, mas é muito desconfiada e raramente se mostra.
Essa ultima foto que fizemos, agora no mês de dezembro de 2025, encontramos o individuo em uma área localizada no subúrbio de uma região urbana. É uma área florestada com árvores exóticas ou com pequenas capoeiras e cheia de pequenas lagoas criadas pelas chuvas. As margens dessa lagoa eram tomadas por vegetação rasteira, onde a ave se escondia facilmente. Depois de alguns  minutos escondida, a ave novamente aparecia do outro lado, no fundo da lagoa. Mas percebíamos que a Picaparra estava sempre nos olhando de longe, desconfiada. Por vezes a ave tentava atravessar a lagoa do fundo ao inicio, mas,pela metade da caminhada ela alçava voo rápido, desconfiada. Depois de nossa  ida ao local, várias pessoas foram ao lugar guiadas também pelo amigo Mario e conseguiram também fazer boas fotos. Mas teve dias em que a ave não compareceu.
O Mais curioso no comportamento da Picaparra, é que esse local é tomado nos fins de semana por turmas de praticante de moto- cross com suas motos barulhentas e fazem enorme barulho. Claro, isso perturba o ambiente e certamente espanta a Picaparra.

A Picaparra alimenta-se de insetos aquáticos, nada e mergulha com maestria. Particularidade interessante são seus pés com membranas natatórias, diferente das membranas das marrecas que possuem membranas palmípedes. Essas membranas, de cores preto e amarelo, segundo alguns estudiosos, oferecem proteção contra predadores aquáticos como piranhas e outros peixes. 
É uma ave pequena, de 23 a 33 cm. e sua postura é de 2 a 4 ovos.

Agradecemos às pessoas que nos visitam, à procura de informações sobre nossas aves.

DESEJAMOS TAMBÉM UM FELIZ NATAL PARA TODOS NÓS!!


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Observando aves no cerrado de MG.

 Entre os dias 17 a 19 de novembro de 2025, estivemos em Pompeu- MG, acompanhados pela Aninha e o amigo José Silvestre Vieira. Apesar das pancadas de chuva que caíram durante nossa estadia no lugar, fizemos boas observações sobre as aves, conseguindo fotografar a maior parte das espécies visadas. De nossa lista de espécies não conhecidas ainda, deixamos de encontrar apenas a Águia cinzenta, Urubitinga coronata, o Fruxu- do- cerradão,  Neopelma pallescens, o Macuru  Nonnula rubecula, a Saracura carijó,  Pardirallus maculatus, as codornas e algumas espécies ocasionais.  

Infelizmente a vegetação nativa, que é o cerrado, vem sendo rapidamente substituída por extensas plantações de eucaliptos. cana e outras ,monoculturas, o que já se faz sentir com a dificuldade de se acessar os locais onde ocorrem as aves. Para encontrar a maioria dessas espécies, somente com ajuda dos guias e após deslocar muito até os pontos conhecidos onde encontram-se as aves. Passamos portanto a publicar algumas espécies de aves registradas, com comentários acerca do que observamos.


Peitica de chapéu preto,. Griseotyrannus aurantioatrocristatus, essa foto foi tirada de dentro da zona urbana de Pompeu. Mostrava a ave pousada em fio de eletricidade, após chuva e vocalizando bastante. Ficamos com a impressão de não ser ave rara e ou ameaçada, mas um tiranideo adaptável.


A belíssima, Maracanã- pequena Diopsittaca nobilis, apareceu apenas uma vez em nossa excursão: junto a uma vereda de buritis, onde pudemos ver outras aves típicas como a Maracanã do buriti e o Andorinhão do Buriti.


Outro psitacídeo típico das veredas de buritis: a Maracanã do buriti, Orthopsittaca manilatus, também somente vista nesse lugar das veredas.


Nesse mesmo local das veredas, vimos muitos Andorinhões do buriti, Tachornis squamata. As aves, inclusive estavam nidificando nas folhas das palmeiras buriti e fizemos até fotos de um desses ninhos!


O curioso ninho de Tachornis squamata fica grudado nas folhas do buriti,
Vimos um ninho, que devido a força do vento, foi jogado ao solo, matando o filhote.










Esse belíssimo furnarideo, é o Cisqueiro do rio, Clibanornis rectirostris, é ave muito interessante: encontramo-lo dentro da cidade e também em um belo capão de mata cercado por canaviais. Parece não ser raro e não estar ameaçado, vive principalmente dentro das matas ciliares, faz seus ninhos em buracos nos barrancos.


O Turu- turu, Neocrex erythrops, é uma ave,  que mesmo habitando grande parte do Brasil é pouco conhecida. Arisca, não costuma aparecer com  frequência. É descrita como uma  "saracura de capinzais e emaranhados, não necessariamente ligada à agua como outras sanãs" segundo O WA. Esse individuo foi fotografado dentro da cidade em uma várzea húmida, no mesmo lugar que encontramos o Cisqueiro do rio.


Outro ralídeo pouco conhecido, o Maxalalagá, Micropygia schomburgkii pode ser resumido, pelo que observamos, em uma sanã pequena, que pode habitar os campos, limpos e sujos, cerrados, bordas de matas secas e áreas parcialmente alagadas mas também em áreas totalmente secas, longe da água.


Os registros da Maxalalagá, até o momento, a maioria são para a região dos cerrados, mas existem também registros em áreas da Amazônia entremeadas de campos.


Na terça feira dia 18 de novembro, iniciamos a observação por área de cerrado típico, com pouca devastação, e, nessa localidade, fizemos fotos boas de aves muito bonitas e interessantes. Acima o Andarilho, Geopsitta poeciloptera. É uma ave da família dos Esclerurideos, Esclerulidae, que passa boa parte do tempo correndo pelos campos, mas, às vezes como na foto, empoleira em arvores. É espécie endêmica do cerrado que está ameaçada pelo extermínio dos campos naturais. Inclusive, segundo o WA, desaparece dos locais naturais onde vive devido à ocupação humana.


A Campainha azul, Porphyrospiza caerulescens é, talvez, a ave mais bonita que vimos nessa excursão. Trata-se de ave predominantemente do cerrado, onde, inclusive, encontra-se ameaçado na categoria de "quase ameaçada". Pertence à familia Thraupidae e alimenta-se de insetos e sementes.


Outra ave belíssima que vimos em Pompeu: o Tiê-sangue, Ramphocelus bresilia. Foi o primeiro registro dessa ave linda para o município de Pompeu, avistada pelo colega e amigo José Silvestre Vieira.


Bacurauzinho, Nannochordeiles pusillus. É um bacurau que possui hábitos noturnos como os demais de sua familia. Porém, essa foto foi feita durante o dia, pois vários indivíduos estavam pousados no chão, com a plumagem muito bem camuflada com as cores do substrato. Apenas quando chegávamos muito perto a ave saia voando. Parece ser comum no cerrado, mas já fui informado ser ave pequena migratória. Ou seja, conforme a época, as populações migram para áreas ´próximas.


Ave muito simpática, o Mineirinho Charitospiza eucosma é outra ave tipica do cerrado, que devido à devastação desse bioma, já encontra-se ameaçada, na categoria de NT - quase ameaçada. Habita a região dos cerrados, onde se alimenta de sementes de capim e também, de pequenos invertebrados.


A Guaracava modesta, Sublegatus modestus é uma graciosa guaracava, de tamanho pequeno, cerca de 13 cm. de comprimento. Aprecia viver no ambiente do cerrado, de árvores esparsas, onde comumente se empoleira para visualizar os arredores, mas também para entoar seus cânticos. Tem uma certa semelhança com a espécie Risadinha, embora seja de tamanho maior. Sua alimentação, como é comum na familia Trannidae é basicamente de insetos, mas também acrescenta frutos à dieta.


Ave belíssima e muito alegre, o Suiriri da chapada, Guyramemua affine aprecia pousar em árvores baixas do cerrado, e, de lá, executar seu lindo display, que consiste em executar seu canto abrindo simultaneamente suas asas. Infelizmente já está quase ameaçado, na categoria de NT devido à supressão da vegetação nativa do cerrado. Sua alimentação é de insetos, mas não despreza frutos. Foi descrito para a ciência recentemente.

Essas foram as espécies mais representativas de nossa excursão.

Agradecemos o interesse das pessoas que nos visitam! Obrigado e que tenhamos um bom fim de ano!!