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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

A Pescaria da Garça Azul.

A Garça azul, Egretta caerulea é uma garça pequena, chegando a medir 52 cms. diferente de outras garças devido sua plumagem cinza azulada. Quando jovem, possui plumagem mais branca, mas com o passar do tempo, sua plumagem vai passo a passo ganhando tons escuros, de azul até chegar à sua plumagem definitiva de tons azuis, cinza e até violeta.



 Egretta caerulea na Ilha do Boi em Vitória- ES.

Sua alimentação consiste principalmente de pequenos peixes, invertebrados, pequenos animalejos que ela captura em suas andanças pelos manguezais, praias e lagoas costeiras.

Apesara de ser típica de manguezais e lagoas costeiras, essa Egretta distribui-se por todo o pais, sendo, contudo, mais comum no litoral.

Hoje, em pequena excursão de observação de aves, flagrei um exemplar caçando seu alimento nas pedras rente ao mar, na APA da Ilha do Boi. Conferindo nas fotos abaixo.






Finalmente conseguiu engolir o peixe que, entretanto, desceu apertado.

A Garça azul é comum aqui em Vix, sempre encontrada no mangue, mas também nos píeres, e também atracadouros de pescadores como na Praia do Suá e também nas praias.

E como pescador esforçado, não deixo de ser curioso com o peixe  que o "amigo" pescou ! E nesse caso, levando em consideração o lugar que a garça o capturou, e seu aspecto, ou o seu "shape" creio ser uma Michole,  Diplectrum sp. comuns nesses lugares.

Finalizando, agradeço às pessoas que gentilmente nos visitam!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Periquito Rico ainda nos Embiruçus!

 A arvore conhecida como Embiruçu, Pseudobombax grandiflorum, quando está florindo, pode ser chamada de uma grande "lanchonete das aves" e também de outros animais.


Em suas belíssimas flores, como podemos ver, não apenas os periquitos mas também outras aves e uma multidão de abelhas procuram suas flores para alimentar-se. Já vimos nessas árvores, os periquitos ricos, como também Sais azuis Dacnis cayana, Sabiás como o Sabiá -poca, Turdus amaurochalinus, vários beija-flores como o Beija flor Tesoura, Eupetomena macroura, e até mesmo um pica pau, o Pica-pau de cabeça amarela Celeus flavescens.

Não conseguimos identificar com certeza as espécies das numerosas abelhas que estão visitando essas árvores, mas, desconfiamos que as abelhas uruçus e também as abelhas arapuãs.


Mas o visitante mais assíduo e barulhento, é mesmo o Periquito rico Brotogeris tirica.

 


Algumas das infrutescências já estão perdendo as belas cores vermelhas, mas ainda atraem muito os periquitos e as numerosas abelhas nativas, que são conhecidas como "abelhas sem ferrão"

Isso nos mostra como a natureza, quando deixada em paz, proporciona um equilíbrio delicado e muito bonito.

Muito obrigado às pessoas que nos visitam!


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Psitacídeos da UFES

 O Campus da UFES, Universidade Federal do Espirito Santo é uma grande área arborizada, limítrofe a uma grande parte do manguezal da foz do Rio Santa Maria de Vitória. Possui uma área de cerca de 150 hectares, muito arborizada com espécies de arvores exóticas e nativas. Castanheiras, Embiruçus, Sibipirunas, palmeiras, cajás- mirins e muitas outras arvores estão presentes. Em decorrência, muitas espécies de aves frequentam o lugar. Algumas, raras e até ameaçadas. A seguir, apresentamos as quatro espécies de psitacídeos frequentemente vistos no campus:


O Curica, ou Papagaio do mangue, Amazona amazonica felizmente não é considerado como ameaçado e pode ser registrado frequentemente no campus. Temos visto essas aves em bandos pequenos ou médios. Ás vezes quatro exemplares, mas já vimos bandos com mais de 15 aves.


A Maracanã, Primolius maracana é uma ave considerada como "Quase ameaçada" devido ter se tornado rara em algumas regiões. Mas no campus e proximidades temos registrado essa magnifica ararinha com certa regularidade. Na UFES costuma muito roer as amêndoas das amendoeiras.


Brotogeris tirica, o Periquito rico não era visto comumente no campus, mas com a floração dos Embiruçus, Pseudobombax grandiflorum ocorrida a partir do mês de junho p.p., apareceram em bandos numerosos, explorando todas arvores dessa espécie.


O Periquito- Rei, Eupisittula aurea, talvez seja o psitacídeo mais fácil de ser visto na capital e imediações. Muito frequente na UFES, sempre em bandos pequenos de quatro a dez indivíduos.

Esses são os psitacídeas vistos até agora em nossas visitas ao Campus da UFES. Algumas aves dessa família, não raras mas que até agora ainda não vimos lá, são os Tuins e as Maritacas.

Muito obrigado, amigas e amigos que nos visitam!

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Conhecendo o Andorinhão Estofador, Panyptila cayennensis.

 O Andorinhão estofador, Panyptila cayennensis,  é uma ave da família Apodidae, onde encontram-se abrigados  também outros andorinhões como o Andorinhão de coleira e o Andorinhão de coleira falha. Esses, geralmente são aves maiores que, voando em bandos, dão facilmente na vista. Nessas ocasiões, podemos vê-los realizando voos largos circulares, e muitas vezes vocalizando. De forma tal, que para um observador de aves, não passam despercebidos.

No caso do Estofador, Panyptila cayennensis, essas visualizações são mais raras pois a ave vive solitária ou aos pares! Mais facilmente registrado, comumente, são seus ninhos, em forma de chaminé invertida, com comprimento médio entre 60 cm a 1 metro e possuem a entrada voltada para baixo.

Ninho do Andorinhão estofador, fotografado em Afonso Claudio - ES em 01.08.2017.

Trata-se de um Andorinhão que habita área de matas e que caçam acima das matas em voos rápidos. Foi nessa situação, que em excursão de observação de aves nas matas de Chaves, nas proximidades da Cachoeira Véu de Noiva, no município de Santa Leopoldina, conseguimos registra-los. Foi na ótima companhia do colega observador dos COA- Clube de Observadores de Aves do ES, o amigo Ademir Carletti, a quem agradeço a gentileza de ter cedido essas fotos para esta publicação.




Imagens cedidas pelo amigo Ademir Carletti, mostrando o Andorinhão estofador em voo sobre a mata, caçando insetos, na companhia do Andorinhão de sobre cinzento.

A distribuição do Andorinhão estofador chama a atenção pela concentração em regiões de matas:

Fonte: Wiki Aves: https://www.wikiaves.com.br/wiki/andorinhao-estofador

Pode ser observada, a distribuição predominantemente na Floresta Amazônica, e em menor parte, na Floresta Atlântica litorânea. São regiões florestais e como sabemos que esse andorinhão não vive em bandos numerosos, a observação no campo fica um pouco mais difícil. Nessa experiencia que tivemos, o registro ocorreu pela manhã  e esse individuo que foi fotografado fazia mergulhos supostamente caçando. Verificamos que ele estava em um bando junto de andorinhões de sobre cinzento Chaetura cineireventris e também algumas andorinha pequena de casa Pygochelidon cyanoleuca.

Em voo, o Andorinhão estofador pode ser confundido com a Andorinha pequena de casa ou com a Andorinha de sobre branco que possuem coloração parecida. Mas o Andorinhão se diferencia pela cauda furcada e por voar mais alto e rápido. Nessas situações, o uso de binóculo ajuda na identificação, facilitando o trabalho, ao invés de se tentar localizar a ave por meio da lente de câmera fotográfica.

Pessoal, muito obrigado pelas visitas!

 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Algumas aves vistas recentemente! Maio de 2026.

Neste mês de maio de 2026, fizemos três passarinhadas. A primeira e mais longa foi participar do BIG DAY 2026, em que participamos com a equipe na Reserva Biológica de Sooretama, no norte deste estado do Espirito Santo. Nessa excursão, tivemos participação no registro de 60 espécies catalogadas e que tiveram suas listas devidamente depositadas no site do E-Bird.

Uma das listas:  https://ebird.org/checklist/S336720168

Posteriormente estivemos na Estrada Marginal da Reserva de Duas Bocas, ocasião em que registramos muitas aves importantes. (todas são!!!) .

E, por ultimo, na localidade de Chaves, local de otima cobertura vegetal com matas secundárias.

Em Chaves, tivemos a oportunidade de registrar ali pela primeira vez o Piolhinho chiador Tyranniscus burmeisteri, uma linda e graciosa ave.




Este Piolhinho é um pequeno insetivoro das matas. Aparece em matas primárias mas também em matas secundárias altas, o que é o caso de Chaves onde o encontramos.

Na excursão a Duas Bocas, na estrada que margeia a reserva, registramos  o Vira folhas, Sclerurus scansor. Não é uma ave fácil de ser encontrada ou fotografada! Trata-se de ave importante para o equilíbrio da floresta. Podemos dizer com certeza que esse é um pássaro exclusivo da mata, onde frequenta principalmente os lugares mais sombreados e escuros. Locais onde é impossível distinguir pormenores de cor ou espécie. Nesses locais, o Vira folha vive literalmente como lembra seu nome: revirando as folhas da serrapilheira, onde procura e encontra os insetos de que se alimenta. Seu colorido, discreto, combina muito bem com o local onde vive e passa a maior parte de sua vida, o interior penumbroso da mata. Possui um canto muito melodioso e quando vai nidificar, coloca o ninho subterrâneo, escavando uma galeria nos barrancos da mata.


Sclerurus scansor, o Vira-folha: gosta do chão da floresta mas também voa para locais um pouco mais altos.

No dia do Big Day, também fizemos registros interessantes:

Um Urubu-rei, Sarcoramphus papa  voando bem alto sobre Sooretama.


A Cambada de Chaves, Tangara brasiliensis é uma belíssima saíra mais comumente vista em matas de baixada, onde habita principalmente nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e Espirito Santo. 



Benedito de testa amarela, Melanerpes flavifrons. Pica-pau muito bonito e que não é totalmente insetivoro. Sua principal fonte de alimentação são as frutas. Mamão, laranja, abacate, etc. Complemente sua alimentação com insetos e suas larvas.


Encerrando nossas observações, no alto do tronco seco, o Urutau de asa branca, Nyctibius leucopterus, espécie que é uma das estrelas de nossas matas de baixada dos tabuleiros.


Terminamos por aqui agradecendo as pessoas que nos honram com suas visitas!




sábado, 25 de abril de 2026

O Migrante que perdeu o rumo: o caso do Maçarico de asa branca!

 Um individuo do Maçarico de asa branca, Tringa semipalmata, migrante do hemisfério norte, que registramos aqui em Vitória desde 2016, em praticamente todos os anos, resolveu, ao que tudo indica, estabelecer-se de vez por estas bandas!

    Tringa semipalmata, plumagem de época de reprodução. Fotografado em 15-4-2026.

Desde a primavera de 2024, novembro em diante, até agora, mês de abril de 2026, temos registrado esse individuo na localidade de Ilha do Boi aqui em Vitória.  A ave parece ter se enturmado com um grande bando de Piru- pirus, Haematopus palliatus, e tem vivido tranquilamente entre seus novos amigos.

Temos registros no Wiki Aves, de 154 fotos dessa ave para Vitória e quase sempre, quando visitamos o lugar, encontramo-lo no meio desse bando de piru- pirus. Na sequencia de fotos, temos registros das várias fases de plumagem da ave, desde o descanso reprodutivo até a época de reprodução, o que indica que mesmo estando distante de sua origem, a natureza continua ditando as regras sobre a reprodução da ave.

Talvez a ave tenha se perdido de seu grupo, ficando isolada aqui em Vitória. Relatos de aves migratórias que "se perdem", não são raros na literatura sobre aves. Por outro lado, o encontro com outra espécie de ave também ligada ao mar  como o Piru- piru e a convivência com os membros dessa comunidade, talvez tenha amenizado para o Maçarico a ausência de indivíduos de sua espécie nas proximidades. A natureza segue seu curso e prazos.  Abril já é primavera no hemisfério norte, época em que os maçaricos já iniciam os rituais para a reprodução e nosso amigo, Maçarico de asa branca de Vitória, já se encontra com a plumagem própria dessa fase, conforme nossa foto acima.


A plumagem nupcial de T. semipalmata é muito bonita!

Agradecemos às pessoas que nos visitam!

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Dois destaques de excursão à Cachoeira de Chaves, Santa , Santa Leopoldina, ES.

 Recentemente, fizemos uma passarinhada rápida em Chaves, Cachoeira do Véu de Noiva, em Santa Leopoldina, ES. Além de várias aves florestais que registramos, focamos em duas espécies que nos proporcionaram boas fotos e observações.


O primeiro que destacamos foi a espécie conhecida como Taperuçu- velho. Cypseloides senex, possui esse apelido devido sua aparência. Como tem a cabeça de cor esbranquiçada, aparentando, se fosse uma pessoa, ter mais idade, daí o apelido: Taperuçu velho. Essa ave, como já dissemos aqui nessas páginas há um tempo atrás, tem o curioso habito de se empoleirar abaixo das águas nas cachoeiras. Na foto acima. podemos ver 10 indivíduos agarrados mas pedras limosas da parede da cachoeira, procurando se proteger. Aparentemente a proteção para eles é a cortina de água que os isola, dificultando a ação de predadores.

Este taperuçu alimenta-se de insetos que captura em seus voos acima da cachoeira e também acima da marta circundante.



O Segundo destaque, foi o Tiê- de-bando, Habia rubica, uma ave tão bela quanto interessante! Vimos dois exemplares que se aproximaram com o uso do gravador. Essa ave é espécie exclusiva da mata. É bastante frequente mas matas da encosta atlântica, e fácil de ser detectada e localizada devido a seu canto característico, um chamado rascante. Já vimos bandos numerosos, que saem junto a outras espécies de aves - os chamados "bandos mistos"- à procura de alimento, e o Tiê de bando é sempre o elemento mais ruidoso, o "capitão do mato" guiando os demais nas zonas penumbrosas da floresta. O macho possui uma cor vermelha ferruginosa, muito linda, mas, infelizmente difícil de ser fotografada porque a espécie, apesar de atender ao play back, mostra-se muito desconfiada.

O Tiê, alimenta-se de insetos e frutas que colhe em suas andanças pela floresta. Não é rara, bastando que a mata tenha um tamanho razoável para que nosso Tiê apareça. Sua distribuição vai do México ao Brasil. Mas o curioso é que no Brasil sua ocorrência seja na mata atlântica, saltando em sua distribuição a imensa região amazônica.

Obrigado pessoas que nos visitam.