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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

SEJA SEU PRÓPRIO GUIA DE BIRDWATCHING



José Silvério Lemos.

Frequentemente pessoas conhecidas, praticantes ou não de nosso esporte preferido, observar aves, me perguntam se precisam contratar um guia para ajuda-los a observar e identificar aves. Afirmam que sem um guia não conseguem desenvolver com segurança a atividade de observar aves, ou então, argumentam que somente um guia experiente poderia lhes dizer “quem é quem”, isto é, dizer a eles que ave é aquela que pousou na árvore ou que cantou ali próximo.

Nada tenho contra os guias. Conheço alguns, exímios profissionais que realmente podem nos ajudar e muito, na tarefa de encontrar aves, eu mesmo, já contei com a ajuda de alguns.
Porém, é necessário destacar, que nunca dependi completamente de um guia para ir a campo observar aves! E qualquer pessoa pode perfeitamente bem desempenhar essa tarefa. Acrescento ainda, que não depender de guias é até mais prazeroso, pois podemos cumprir, uma a uma, todas as etapas que levam até a identificação de uma ave.

A coisa funciona assim: imagine uma ave anônima voando próxima. Ao registrar seus movimentos, suponhamos que não a conheça ainda! Então, após fotografa-la,  preciso anotar o local onde foi registrada, o tipo de vegetação do lugar, observar se ela estava se alimentando ou não, enfim seu comportamento no lugar. Se estava escondida no meio da vegetação ou se estava no aberto, bem exposta. A partir desse momento, aquele sujeito emplumado e de bico, um desconhecido, passará por um processo de identificação, até eu dar-lhe um nome, já conhecido, e um lugar. Esse o grande prazer do birdwatching, o momento em que uma ave desconhecida passa a ocupar um lugar em seu mundo particular, com nome popular, cientifico e o registro que você, mesmo fez.

Mas, porque é tão difícil identificar? Ora, alguns conhecimentos básicos todos temos não é mesmo? Sabemos o que é um urubu, que é um bem-te-vi, ou uma rolinha. Mas, e daí? E se aparecer aquele desconhecido? E mais, imagina aqueles “ermitões” que vivem escondidos no meio da mata, lá na sombra, na penumbra?

Realmente esses, e muitos outros, são difíceis de se identificar, mas com o tempo vamos aprendendo como fazer isso, se não perfeitamente, pelo menos com grande precisão! Na verdade, muitos de nossos passeriformes, somente são perfeitamente identificáveis, em laboratórios, por especialistas e com o pássaro na mão. E. não é nenhuma vergonha cometer erros na identificação de algumas espécies! Cientistas renomados, algumas vezes também erram!

Nesse momento, um bom Guia de identificação de aves ajuda. Existem muitos no mercado, e sua função principal, acredito, hoje, é fazer com que o observador consiga pelo menos enquadrar em qual categoria procurar a ave. Por exemplo, uma pomba, ave semelhante a uma rolinha, deve ser procurada na família Columbídae. Um periquito, na família dos papagaios, os Psitacídeos. No momento em que conseguimos enquadrar uma ave em sua família, já estamos com meio caminho andado e a partir daí até atingir sua identificação final, é um passo.

Os guias impressos de identificação de aves já foram muito mais necessários que hoje em dia. Com a Internet e o Wiki Aves, se conseguirmos enquadrar a ave corretamente em sua família, podemos por meio da comparação chegar a um bom resultado.





Mas, atenção: não se identifica uma ave apenas por comparação com outra imagem. Outros caracteres devem ser observados. Principalmente seu comportamento e o local onde a observamos. A observadora ou observador, deve ser capaz de discernir e saber onde procurar a ave. Um frango d’água por exemplo, muito provavelmente não será visto em um local seco! Então, ao virmos uma ave mergulhando em uma lagoa, devemos logo de início desconfiar que pode se tratar de um mergulhão, ou, provavelmente, se não for, talvez um frango d’água ou outra ave aquática!
Esse passo para identificar uma ave, pode ser rápido ou demorado, dependendo da abundância da ave. Um quero-quero, por exemplo, além de ser ave muito comum, emite uma vocalização muito conhecida. O ideal é o(a) aspirante, treinar a ouvir os cantos das aves, por etapas, um grupo de cada vez. Por exemplo, as dez mais comuns, depois mais dez e assim sucessivamente.

Além dessa etapa, a observadora ou observador pode perguntar: Mas onde posso achar essa ave? Primeiro, sabendo quem quero encontrar, ou melhor, qual ave desejo encontrar, procuro na literatura ou na internet, de novo no Wiki Aves, qual é o habitat preferido dessa ave e os locais onde já foi registrada. Sabendo onde encontrar a ave e seus hábitos, vou a campo procura-la.

Tomemos um exemplo. Vejamos o caso do Guaxe, Cacicus haemorrhous!  Desejo encontrar um Guaxe, o que devo fazer? Ora, na literatura, diz que é ave florestal, daí ser encontrada em matas, florestas, bordas de matas, e que prefere “baixadas quentes com florestas” (SICK, 1997). Obviamente, primeiro já devo estar preparado para distinguir um Guaxe se esse aparecer na minha frente. Se já sei onde encontra-lo, vamos a campo. Claro que a definição de onde provavelmente encontra-lo, não significa que todo Guaxe somente vai ser visto dentro da mata. Em todas espécies existem aqueles indivíduos cheios de personalidade que gostam de se comportar de modo diferente. E, você pode encontrar um Guaxe até mesmo no quintal de sua casa! Embora isso não seja comum, a não ser que sua casa seja vizinha a alguma mata. Mas, vamos então ao campo atrás do Guaxe.



Com um pouco de leitura ou conversa com quem já viu um Guaxe, você vai descobrir que os Guaxes adoram beiras de rios dentro ou próximo a matas, onde costumam pendurar seus ninhos sobre a água. Então, lá vamos nós. De repente, na borda da mata ciliar ou mesmo na beira do rio, você escuta o chamado áspero e inimitável: Guaxe, guaxe. Pronto, felicidade total, você encontrou sua ave de estimação e pode agora tirar fotos para sua galeria, mostrar aos amigos e postar na internet. Conheço uma pessoa, que desejava conhecer e fotografar a Viuvinha de óculos Hymenops perspicillatus.



Apaixonada por essa linda criatura, nossa amiga procurou onde encontra-la. Primeiro sua distribuição geográfica indicava que poderia ser localizada mais facilmente no sul do Brasil. Então, para lá se dirigiu e finalmente conseguiu registrar e fotografar sua paixão.

A observação de aves é assim, uma atividade fascinante e empolgante e precisamos dispor de nossas próprias aptidões para localiza-las e, quando for necessário, solicitar a ajuda de um guia.
E fotografar aves, já é matéria bem vasta para um outro artigo, mas por enquanto, pelo menos, você já pode observar aves sendo seu próprio guia!


Um abraço e felicidades!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Pandion haliaetus, a a Águia pescadora.

A águia pescadora Pandion haliaetus, é, em nosso país, uma ave migratória. Nidifica e passa o verão na América do Norte e no inverno boreal faz verão aqui no sul. Neste ano, já em outubro, nossa primavera e outono na América do Norte, a ave já está por aqui.


























Pandion sobrevoando a ilha do Boi aqui em Vitória,ES, Brasil.

Sua alimentação é basicamente composta por peixes, e aqui na região de Vitória, já observamos essa ave no Parque botânico da Vale, na Lagoa de Juara e no mar, nas praias de Camburi, Ilha do Boi, pieres de Iemanjá e da vale. Já vimos também a ave cuidando de um filhote, apesar de ainda não se confirmar que a ave nidifica por aqui.

De qualquer  forma, trata-se de uma ave poderosa e que logo se faz notar onde quer que apareça!

Águia de bom tamanho, cerca de 57 cm. de comprimento e peso de 1,2 kg., podemos dizer que em termos de peso regula  com o Gavião-pega-macaco Spizaetus tyrannus, apesar de menor em tamanho, pois o Spizaetus mede cerca de 72 cm. as fêmeas.





Estamos na expectativa quanto às aves migratórias que todos os anos aparecem na Ilha do Boi. Hoje, com essa Pandion, podemos dizer  que é a segunda viajante que registramos na temporada, pois, o maçarico pintado Actitis macularius já está  por aqui há alguns dias!











Obrigado, pessoas que nos visitam!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Conhecendo a Columbina minuta, a Rolinha-de-asa-canela.

Columbina minuta, a Rolinha de asa canela, é um Columbídeo muito gracioso, e meiga  como todas as pombas! Observador de aves já veterano, na atividade desde os 7 anos de idade, até hoje eu não  conhecia essa espécie!

































Columbina minuta  com o desenho de cor roxa-canela  nas  asas! Fotografada em Itapemirim,ES, Brasil.

A extraordinária riqueza de espécies da avifauna brasileira leva a essas questões! A C. minuta é muito parecida com a Rolinha roxa comum Columbina talpacoti, exceto no tamanho. A Roxa mede em média 17 centimetros e a de asa canela, nossa personagem atual, mede cerca de 14 a 16 centímetros e tem uma particularidade muito interessante que são as manchas cor de canela na asa! O canto das duas espécies também é sutilmente diferente. Enquanto a rolinha roxa  produz um som, um  -u-u-u meio indagador, o u-u-u- da canela é direto e mais apressado!


Foi mesmo através do canto que essa Rolinha chamou-nos a atenção, e com o binóculo pudemos certificar que finalmente estávamos na presença da Columbina minuta.

Desconfio que essa espécie é bem menos comum que a rolinha roxa comum. Ou, talvez, seja sub-registrada devido à semelhança com a C.talpacoti.







Os registros dessa rolinha são numerosos, mas muito menos que da rolinha roxa C.talpacoti. Basicamente os hábitos das duas espécies são parecidos, quanto à alimentação. Quanto à nidificação, ainda não sabemos dizer com certeza. No caso da rolinha roxa, encontramos ninhos da espécie em todos os meses do ano. Falta nos agora, trabalhos abordando a nidificação dessa rolinha.
Ainda quanto ao comportamento da espécie, como observador, noto uma diferença marcante para com a rolinha roxa. No caso da nossa minuta, observei que é mais arisca e desconfiada! Não aceita muito a aproximação do observador. Foi a segunda vez que encontrei essa rolinha e da primeira vez eu não consegui fotografar. Estava caminhando em um descampado na região dos alagados em Vila Velha, quando a rolinha saiu do chão em voo rápido, não permitindo qualquer aproximação. Dessa vez foi diferente e agradeço aos amigos que nos levaram até ela, principalmente o Roberto O. Silva da Amoaves que gentilmente nos guiou até o local no município de Itapemirim.

Obrigado pessoas que nos visitam!!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Porphyrio martinicus e seu filhote!

Porphyrio martinicus, o Frango d'água azul, é ave muito comum em nossos brejos e alagados. Alimenta-se de matéria vegetal, sementes e flores e também de pequenos vertebrados e até mesmo ovos de outras aves (Wiki aves).
































Filhotão de Frango d'água azul, Porphyrio martinicus, fotografado nos brejos dos alagados do contorno da cidade.

Trata-se de ave comum em nosso país, não tão comum quanto o Frango d'água comum Gallinula galeata, mas mesmo assim facilmente visualizado. Mede comumente cerca de 35 cm., pesando entre 200 e 300 gramas de peso. Em alguns locais do norte do Brasil é espécie caçada, fato que pode diminuir suas populações. Segundo o Wiki Aves, ele normalmente tem uma postura entre 4 a 8 ovos. Esse fato me intrigou! Em pântanos como esse que temos visitado, e localizado na região do contorno de Vitória, uma região de baixada com muita vegetação nativa ainda preservada ( até quando?), devem existir muitos predadores que caçam ovos e filhotes dessas aves! Essa ave forrageou muito tempo próxima a nós e pudemos certificar que contava apenas com esse filhote! Se tem postura de até 8 ovos e sobreviveu apenas um filhote, e sinal que a predação  levou quase toda a prole!.


O filhote de Frango´dagua azul junto com sua mãe. O filhote remanescente é muito bonito!












Obrigado pessoal!

domingo, 30 de setembro de 2018

Laterallus exilis, a super dificil Sanã do Capim

Seu nome popular é Sanã do Capim! Talvez pelo hábito de se esconder com perfeição e ficar imóvel em seu esconderijo, touceiras de capins que margeiam os taboais dos pântanos! dificultando demais qualquer tentativa de registro.



























Laterallus  exilis, a Sanã do Capim, em de seus raros momentos de extrema curiosidade!

Trata-se de uma Rallidae extremamente arisca e desconfiada! Tanto que até esta data, no site do Wiki Aves para o Estado do Espirito Santo, apenas seis fotos foram postadas! E mesmo assim, fotos de apenas sinais da ave no lugar. Isso apesar de ser muito procurada exatamente por causa de sua dificuldade, quase um troféu para birders e foi assim que conseguimos registra-la.
Já tínhamos notado sua presença na região dos alagados do contorno de Vitória, mas não conseguimos fotos, apenas a gravação de seu canto. Periodicamente a ouvimos nos locais, ora perto, ora longe. Mas o tipo de vocalização que nos deixava em duvida onde a ave poderia estar! Foram muitas horas e excursões à procura dessa  fantasminha dos brejos!  Trata-se de ave pequena, como as demais sanãs. Segundo o Wiki Aves, ela mede cerca de 14 cm., sendo então, uma das menores Rallidae. E, de fato, vê-la se esgueirar por entre os arbustos alagados, ficamos com a impressão de tratar-se de um pinto do mato dos alagados. Extremamente desconfiada, essa visão da ave movimentando-se em seu habitat é rara. E quando ela nos vê, foge  como um "tiro" para dentro da vegetação! 
Dessa vez, fomos, eu e Aninha, até o município de Itapemirim, no Sul do Espirito Santo, com o colega Roberto O. Silva do AMOAVES, seu filho Rafael e a amiga passarinheira Celi Aurora. Foi quando ouvimos o pio característica dessa exilis! Demoramos umas três horas até conseguir essas fotos, quase deitados na beira da brejo. Alguns dos companheiros desistiram da empreitada e quando ao final, quase no momento de ir embora, a sanã do capim apareceu!


A ave, curiosa, espreitando de onde vinha o canto de uma intrusa em seu território!
















Foto feita por minha esposa @Aninha delboni.

Mostrando a Sanã em melhor posição e com parte do corpo inteiro à mostra.











Não se trata de ave  comum,  também não é rara ou ameaçada! Apenas esconde-se muito  bem nos capins dos brejos alagados, de onde, dificilmente  sai. Segundo o WA, sua postura é de quatro a cinco ovos e a ave alimenta-se de artrópodes, minhocas retiradas do solo úmido e sementes de gramíneas!

Muito obrigado amigas e amigos que nos visitam!!



















sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Mais uma Rallidae: Pardirallus sanguinolentus

A Saracura do banhado Pardirallus sanguinolentus é uma Rallidae  com o dobro do tamanho das Sanãs que recentemente registramos  nos alagados do contorno de Vitória. Mede cerca de 32 cm. A palavra "Sanguinolentus" refere-se à mancha vermelha que possui na mandibula anterior.



Rallus sanguinolentus mostrando a mancha sanguínea que lhe empresta o nome cientifico.

Essa saracura não é ameaçada mas também não podemos dizer que seja comum a todos os banhados e alagados. Até hoje, consta no Wiki Aves a ocorrência em apenas três localidades do Espirito Santo, com 21 fotos.
Alimenta-se de insetos,  pequenos vertebrados e também matéria vegetal. Sua postura chega a ser de 4 a 6 ovos segundo o WA. Apresenta um canto forte e particular. Possui semelhança com a Saracura Sanã  Pardirallus nigricans, mas os cantos são diferentes.
Possui o comportamento tímido da maioria das saracuras, porém, quando não está desconfiada, chega a  sair fora das brenhas na beirada dos brejos e alagados, como essa que conseguimos fotografar.


A ave antes de nos ver estava bem tranquila. Depois, se escondeu no brejão de taboas Tiphas dominguensis.











Muito obrigado pessoas  que  nos visitam!!!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Sanã-Parda, Laterallus melanophaius

Continuando com nossas excursões à região dos Alagados existentes próximas à Rodovia do Contorno de Vitória, à procura de Sanãs e Saracuras, hoje, pudemos registrar a fotografar mais  uma graciosa Rallidae! Trata-se da Sanã-parda Laterallus melanophaius:
































Laterallus melanophaius a Sanã-parda, observando os arredores em seu habitat.

Medindo comumente entre 14 a 18 cm., essa pequena saracura não é rara. Das sanãs, arriscamos dizer que provavelmente é a menos difícil de ser fotografada! Aparece geralmente na beirada da vegetação onde se esconde, quase sempre próxima de água. Na época de nidificação, constrói ninho globular localizado a mais de 1 metro d'água. A postura é de 5 ovos (Wiki aves), resultando então, que felizmente não corre sério risco de extinção, a não ser, pela drenagem  e remoção dos brejos e áreas úmidas.


É ave que atende ao chamado do Play-back, mas se mantendo a uma distância segura e antes, vasculhando bem os arredores.












 A Sanã parda é onívora, alimentando-se de artrópodes, sementes e folhas. Uma de suas estadias preferidas são as moitas de taboas Tipha sp. altas, onde consegue se esconder muito bem. Na maioria das vezes corre e pula pelo solo. O Ninho pode ser fixado nas folhas de taboas.









Se o brejo for extenso, como verificamos na região dos alagados, varias espécies de Sanãs podem coexistir no mesmo local.

Nesses  locais, já registramos até o momento as Sanãs: carijó, parda, amarela e do capim. 

Essas sanãs são aves que trazem satisfação especial aos birdwatchers! Devido à dificuldade em fotografa-las, por serem tímidas e muito desconfiadas, é necessária alguma disciplina para se conseguir fazer o registro! O Observador deve se postar à uma distância que não afugente a ave, deve se manter imóvel de modo a não assusta-las, e finalmente, deve ter capacidade de perceber sua aproximação e localização nos arbustos e brejos onde se escondem! O Resultado final compensa as dificuldades, pois além da beleza, são aves muito interessantes dos locais onde habitam!

MUITO OBRIGADO AS PESSOAS QUE NOS VISITAM!!